A Contracultura
Cristã
Escrito por Maria Leonardo, 31-Ago-2006
A cultura do Reino de Deus é baseada na autoridade e governo
de Deus, e os padrões do Reino de Deus são totalmente
opostos aos reinos deste mundo. Os padrões do Reino de Deus
são duradouros e não se degeneram com as adaptações da
modernidade. O povo de Deus precisa ser capaz de rejeitar
atitudes e padrões que não são pertinentes ao Reino de Deus,
porque a cultura do povo de Deus é conformada segundo o
Reino de Deus, onde o Rei – o Senhor do Reino está acima de
qualquer comportamento que se opõe à Sua vontade e
autoridade. A notícia e assunto principal dos filhos do
Reino deve ser o Rei JESUS e as dimensões do Reino de Deus,
coisas do Espírito, do reino espiritual.
Contracultura Cristã: a contracultura está relacionada às
pessoas ou grupos de pessoas cujo comportamento é contra
aquilo que está numa cultura geral. Contracultura é a
atitude de uma pessoa ou de um grupo, cujo comportamento vai
contra aquilo que é parte da cultura geral. A contracultura
se opõe ao que é normal e habitual em determinada cultura. A
contracultura cristã apresenta um padrão cristão, onde o
caráter do cristão deve ser totalmente diferente daqueles
admirado e vivido pelo mundo, sendo que o caráter do cristão
foge do esquema cultural do mundo em geral.
Contracultura cristã é um sistema de valores cristãos,
padrão ético, devoção religiosa, estilo de vida e
relacionamentos; onde os padrões, valores e maneira de viver
são delineados pelo governo de Deus.
Não podemos nos contentar em ser apenas uma “sub-cultura”,
sendo este um grupo distinto de pessoas que se destaca como
sub-grupo, mas ainda é parte de uma cultura existente. Ele
tem pequenas peculiaridades, mas se conforma e interage bem
na cultura, sem exercer nenhuma diferença.
1. As duas culturas interiores
O ser humano, ao ser criado e formado no jardim do Éden, e
após fazer a sua escolha, passou a conviver com duas
culturas diferentes. Ele fora criado à imagem e semelhança
de Deus (Gn 1:26), e formado do pó da terra (Gn 2:7). Ele
tinha de si, dois caminhos, duas naturezas e duas formas de
ver o mundo, duas cosmovisões: a ótica e possibilidade de
enxergar à luz da Árvore da Vida e a da Árvore do
Conhecimento do bem e do mal (Gn 2:9). A primeira lhe
conduziria à vida e a segunda à morte. O plano de Deus para
o homem era a vida segundo a imagem e semelhança de Deus.
O homem escolheu a ver o que estava por detrás da ótica e
cosmovisão da árvore do bem e do mal, mesmo sabendo da
sentença que o seu uso traria: a morte. “E lhe deu esta
ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da
árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque
no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn
2:16-17). Ele fez a opção de enxergar o mundo através da
luneta, da ótica, da cosmovisão da morte.
O que estava envolvido nesta cosmovisão humana e maligna? O
fruto desta árvore continha a visão terrena, humana,
mundana, maligna e morte. Era o reino do mundo animal e
natural e da atuação maligna. O homem preferiu conhecer a
morte, pois o desconhecido o atraiu. Ele estava na vida e
preferiu morrer.
O homem tinha duas naturezas, duas raízes dentro de si. A
primeira, que era o plano de Deus, seria o de viver para
sempre à imagem e semelhança de Deus, como um ser
espiritual, gozando de todos os benefícios de ter sido
criado em dimensão espiritual; e a segunda, a de seguir os
impulsos do pó da terra que estava em seu corpo físico e
seguir as paixões da carne e do reino animal. Ele deixou a
imagem e semelhança de Deus, para viver à semelhança do
mundo terrestre, animal, maligno e natureza pecaminosa.
Adequou-se à natureza e adoração da criatura, e propiciou a
quebra de comunhão e adoração ao Criador, a partir daí, de
si emanava do homem apenas o humano e terreno.
Ele desceu da dimensão espiritual para a esfera física. Sua
cosmovisão teria sido bem diferente, pois iria enxergar,
reinar e dominar “de cima”, no reino do espírito como um ser
espiritual. A morte propagou-se a partir dos descendentes de
Adão e Eva, e todos passaram a ver o mundo no parâmetro, na
cosmovisão terrena, do reino animal, do reino da terra, do
“reino debaixo”. O relacionamento do homem com Deus passou a
espelhar-se numa religião morta, nas letras da lei e da
Velha Aliança.
Assim é o “reino debaixo”, regido por uma visão e cultura do
mundo, da terra, governado pelo esquema da carne e do mundo.
É o comportamento engendrado pelo que a Bíblia chama de
natureza e semente do primeiro Adão, a semente de Caím, o
filho da escrava, filhos da lei, que refletem tão somente a
natureza da carne, do mundo e da morte. O “reino debaixo”
são os de mente terrena, conformados com as dimensões da
terra e do mundo. A besta de Ap.13:11, é a manifestação
daquilo que sobe da terra, daquilo que brota do homem. A
natureza da besta é o espírito do mundo, o espírito do
anti-cristo, é a natureza maligna do homem que se opõe ao
reino de Cristo, ao Reino de Deus, que é o “reino de cima”.
A Bíblia por sua vez traça um retrato dos homens dominados
pela cultura do mundo.
Jesus Cristo é a semente de Deus, prometida em Gênesis 3:15.
Jesus Cristo é o pão de Deus que desceu dos céus. “Ele é o
pão vivo que desceu dos céus” (Jo 6:50-51). Ele veio de
cima. Este também, tinha duas naturezas dentro de si: Ele é
o Deus que se fez carne (Jo 1:14), mas era também homem.
Este por sua vez, que é a árvore da Vida, rejeitou os
caminhos do primeiro Adão e decidiu resgatar no homem a
imagem e semelhança de Deus. Escolheu a Vida. Desceu à morte
e ao inferno, para retomar a escolha que homem fizera morte,
“e tomou as chaves da morte e do inferno” (Apoc.1:18).
Por isso quem come deste pão e bebe desta água (que são
VIDA), desfaz em sua vida o pacto e escolha do primeiro Adão
pela morte, e retoma a sua posição de vida, pois tem a
oportunidade de comer da Arvore da Vida (Jesus) e não da
árvore da morte – a do conhecimento do bem e do mal.
Trata-se de uma livre escolha pela Vida. Ao aceitar o
sacrifício de Cristo, que morreu e provou a morte em seu
lugar, você retorna ao jardim do Éden – recusa a comer da
árvore cujo fruto é a morte e come da árvore da vida, que é
Jesus, a vida eterna em Deus.
Ao comer da árvore da Vida, o homem nasce de novo pelo
Espírito, se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino
de Deus (Jo 3:3), Jesus é a porta de entrada para o Reino de
Deus (Jo 10:10). O novo nascimento, é semeado pelo Espírito
e gera Jesus Cristo, formando uma nova vida, produzindo vida
eterna.
A Árvore da Vida produz frutos de Deus, Jesus é a Vida, é a
árvore da Vida. A nova vida em Cristo traz frutos de cima,
dos céus, do Reino de Deus. “Certamente é chegado a vós o
reino de Deus” (Mt 12:28), o Reino de Deus chegou na pessoa
de seu Rei, o Rei Jesus. A Bíblia apresenta também este
comportamento na semente de Abel, filho da livre, o filho da
promessa, a raiz de Davi, o espírito de Davi, e refletem a
natureza do reino do Espírito. É a manifestação do reino de
Deus, do pão de Deus que desceu dos céus.
O Reino de Deus desce dos céus através de Jesus Cristo e é
gerado pelo Espírito. O fruto do Espírito, a semente de
Cristo gerada e ramificada em nós é uma cultura e cosmovisão
diferente. É uma nova ótica para ver o mundo, é a cosmovisão
da Vida Plena e Eterna, e os valores deste Reino são
absolutamente inversos e opostos ao reino deste mundo.
“Graça e verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1:17).
O reino de Deus, através de Jesus Cristo, é o reino da
graça, do Espírito, da vida, onde o Espírito guiará a toda a
verdade, que é Jesus (Ef.4:21). É a retomada do reino, da
dimensão espiritual. Adão optou pelo mundo físico e humano,
mas Jesus trouxe o reino do Espírito. Em Cristo retornamos
ao Éden, e apossamos do reino espiritual e passamos a
caminhar com Deus em espírito, como havia de ser desde o
início. A letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3:6).
Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de
Deus, porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las,
porque elas se discernem espiritualmente (1 Co 2:14). Para
Deus não há passado, presente, futuro, o aceitar a Cristo é
retornar ao Éden, à posição da escolha pela árvore da vida,
e desfrutar dos benefícios de um ser criado à imagem e
semelhança de Deus.
Ao nascer de novo, ocorre um processo de re-direcionamento
em nossa vida, pois estávamos acostumados com um
comportamento já de tantos anos existência própria, e de
atuação milenares neste mundo terrestre. Uma luta interna é
travada entre os frutos da carne e o fruto do espírito, as
obras da lei e a graça, a religião e a revelação de Cristo,
as obras das trevas e a luz, o espírito de Caím e o espírito
de Abel, o espírito de Saul e o espírito de Davi. É um
processo de re-orientação de vida, para matar o
comportamento do primeiro Adão, do mundo que entrou em nós,
as obras da carne, da lei e das trevas, os extintos de Caím
e de Saul. É hora da separação entre o que é Jesus e o que é
Adão em sua vida, entre o que é do reino das trevas e do
reino da luz.
É um processo de desintoxicação, para expelir toda cultura,
comportamento e obras do mundo. Gálatas 5:16-25 define
claramente os frutos da carne e o fruto do Espírito, o viver
e andar em Espírito e o satisfazer os desejos da carne. “Mas
digo: Andai no Espírito e não cumprireis os desejos da
carne. Porque a carne anseia o que é contra o espírito, e o
espírito contra a carne, e se opõem um ao outro, para que
não façais o que quereis. Se sois, porém, guiados pelo
Espírito, não estais debaixo da lei. As obras da carne são
manifestadas, as quais são: Prostituição, impureza,
lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas,
ciúmes, ira, facções, dissensões, invejas, bebedeiras,
orgias e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos
previno, como antes já preveni, que os que praticam tais
coisas não herdarão o reino de Deus. Mas o fruto do Espírito
é: Amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade,
fidelidade, mansidão, domínio próprio. Não há lei contra
estas coisas. E os que são de Cristo crucificaram a carne
com as suas paixões e desejos. Se vivemos pelo espírito,
andemos da mesma forma pelo Espírito”.
2. O Fator Supra cultural
Na teologia Bíblica e Antropologia da Religião deparamos com
fenômenos supra culturais, que são fenômenos da crença e do
comportamento culturais que tem sua origem fora da cultura
humana. A religião encontra-se neste âmbito supra cultural,
onde o reino de Deus se sobrepõe à cultura dos homens. Este
fenômeno supra cultural ocorre quando o emissor seja de fora
da cultura receptora e fora de qualquer cultura em
particular. Ao transmitir a mensagem e teologia bíblica
contextualizada é preciso estabelecer uma perfeita distinção
entre o que é supra cultural e o cultural, quais são os
padrões bíblicos que são supra culturais, estando portanto,
acima de qualquer comportamento cultural.
Na comunicação transcultural do evangelho é preciso entender
as diferentes culturas, e um estudo etnográfico, ou seja,
estudo comparativo de diferentes culturas irá visualizar a
realidade e singularidade de cada cultura.
A Enculturação ocorrem no local onde as pessoas nascem, são
formadas e crescem dentro de uma cultura. É o processo de
formação dos hábitos, valores e comportamentos que são
transmitidos desde o nascimento de uma pessoa; ela é
inserida neste esquema cultural. Primeiro, o transmissor da
mensagem precisa entender bem a sua própria cultura, suas
crenças, comportamento e distinguir se determinada crença e
comportamento é um valor absoluto supra cultural, ou
simplesmente é uma expressão cultural. Depois, é preciso
entender muito bem a cultura receptora. O amplo conhecimento
da cultura receptora é importantíssimo para a
contextualização da mensagem. O pregador do evangelho irá
deparar com assuntos polêmicos tais como: poligamia, culto
aos ancestrais, sincretismo, formas de culto, etc. Ao
transmitir a mensagem do evangelho é preciso deter-se tão
somente aos valores absolutos supra culturais, expressos na
teologia bíblica, esquecendo-se daquilo que são específicos
da cultura própria do comunicador da mensagem.
O processo de aculturação ocorre no momento em que entramos
numa outra cultura, para estudá-la, aprendê-la e conviver
com os demais. Aculturação é pois o processo de adaptação a
uma nova cultura, que deverá ser aprendida e assimilada.
Na contextualização da mensagem é preciso distinguir os
elementos supra cultural-divinos na Revelação Bíblica e os
elementos cultural-humanos na Revelação da Bíblia. Para que
esta contextualização concorra, necessário é fazer uma
interpretação bíblica (hermenêutica) para que a Bíblia possa
ser comunicada de forma contextualizada e
relevante transculturalmente. Em seu livro “A
comunicação transcultural do evangelho” David J. Hesselgrave
mostra O Modelo Tri cultural de Comunicação Missionária de
Eugene Nida, com a seguinte argumentação: “A mensagem
missionária é a mensagem da Bíblia. Foi entregue por Deus
por meio dos apóstolos e profetas, nas línguas e nos
contextos culturais da Bíblia. Para efeito de simplificação,
podemos dizer que a “cultura da Bíblia” (triangular em nosso
modelo) abrange todos os contextos culturais em que a
mensagem da Bíblia foi originariamente entregue ... Os
emissores das mensagens eram identificados com as culturas a
que denominei “cultura da Bíblia”. Eles codificavam as
mensagens de modo que fosse compreensível naquelas culturas
aos receptores membros dessas culturas”.
3. A chegada do Reino de Deus.
O Evangelho da Graça traz o antídoto contra os frutos da
morte, contra a cultura, valores e comportamentos deste
mundo.
“Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração. E toda a
tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o primeiro e
grande mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o
teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos
dependem toda a lei e os profetas” (Mt 22:37-40). Amar ao
Senhor de todo o coração, exclui qualquer possibilidade de
idolatria e adultério espiritual. E amar ao próximo, com um
coração comprometido com Deus e cheio de Seu amor, anularia
qualquer intenção de pecar contra o próximo, seja o matar,
ferir, caluniar, invejar, adulterar, roubar, etc. O AMOR é o
selo da aliança com Deus. “Novo mandamento vos dou: que vos
ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que vos ameis
uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus
discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13:34-35).
A Nova Aliança, é o amor e graça de Deus sendo derramado em
nossos corações, nos habilitando a viver e andar no reino do
Espírito, no Reino de Deus, pelo Amor; habilitando-nos a
viver a natureza de Deus. “Porque o amor de Deus é derramado
em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi
outorgado” (Rm 5:5). “No qual (em Jesus) temos a redenção,
pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza
da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós em
toda a sabedoria e prudência” (Ef 1:7-8).
O Reino de Deus é a esfera onde a vontade de Deus é feita
absoluta e livremente. “Venha o teu reino, seja feita a tua
vontade, assim na terra como no céu” (Mt 5:10) Assim como a
vontade de Deus é feita no céu, que seja feita aqui na terra
também.
“Porque teu é o reino, e o poder, e a glória” (Mt 5:13) o
Reino é a esfera de autoridade, no Reino de Deus está a
manifestação de Sua autoridade, vontade e glória.
“É chegado o reino de Deus” (Mt 12:28) – o Reino de Deus
chegou na pessoa de seu Rei: o Senhor Jesus!
“O reino de Deus está entre vós” (Lc 17:21) – O Senhor Jesus
é a expressão e manifestação do Reino de Deus. Trata-se da
vinda e presença do Rei.
O Reino deve ser propagado e estabelecido pela Igreja porque
Cristo é a cabeça da Igreja, e a Igreja é o corpo de Cristo.
O Corpo é submisso à cabeça. A Igreja deve ser a esfera do
reino de Deus, o lugar onde Deus exerce Sua vontade,
autoridade e manifesta Sua glória. A Igreja foi estabelecida
por Cristo, como autoridade para abrir o reino do céu para
as pessoas. A Igreja tem as chaves do Reino. “O que ligardes
na terra ter-se ligado nos céus” (MT 18:18). A Igreja é a
autoridade representativa de Deus na terra. Na Bíblia
encontramos as Leis do Reino, pois todo reino precisa de
padrões e leis para dirigir e coordenar seus súditos. O
primeiro princípio é o de autoridade e submissão.
4. O retrato do Reino de Deus na Bíblia Sagrada.
Os filhos do reino são uma boa semente (Mt 13:38). O reino
de Deus está dentro de vós (Lc.17:21). O reino de Deus não é
deste mundo (Jo 18:36). O reino de Deus exige compreensão e
prática de vida (Mt 13:19). O reino de Deus exige
compromisso total (Lc 9:62). Carne e sangue não podem herdar
o reino de Deus (1Co 15:50). Porque o reino de Deus consiste
não em palavras, mas em poder (1 Co 4:20). O reino de Deus
não é comida, nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no
Espírito Santo (Rm 14:17). Nenhum que prostitui, ou impuro,
ou avarento, que é idólatra, tem herança no reino de Cristo
e de Deus (Ef 5:5). Não herdarão o reino de Deus os que tais
coisas praticam: prostituição, impureza, lascívia,
idolatria, feitiçaria, inimizades, contendas, ciúmes, ira,
facções, dissensões, invejas, bebedeiras, orgias e coisas
semelhantes a estas.
Sugerimos que você acompanhe a seqüência e estudo destas
palavras apresentadas na Bíblia através de uma Concordância
ou Chave Bíblica. Estas são palavras que se encaixam no
comportamento do Reino de Deus. Palavras estas que refletem
o bem, o que é bom. Abençoar, abnegar, abrigar, abundância,
ações de graça, acolher, aconselhar, acreditar, adorar,
afeição, agradável, agradecido, ajudador, alegria, amável,
amar, amigo, amparar, animar, bom aroma, arrepender-se,
atento, autoridade, auxiliador, bem, bem-aventurado,
bem-estar, benção, bendito, bendizer, benevolência, benigno,
bom, bonança, bondade, capaz, bom caráter, céu, compaixão,
companheiro, compassivo, competente, compreensivo, comunhão,
confiança, confortar, conhecimento, consagração, consolar,
constante, contribuir, contrito, conversão, cooperação,
corajoso, crer, cuidadoso, dar, decoroso, descanso,
dignidade, diligência, disciplina, disposição, edificar,
encorajar, ensinar, esperança, esperar, espiritual, estável,
excelente, boa fama, favor, fé, feliz, felicidade,
fidelidade, fiel, firme, generosidade, gozo, graça,
hospitalidade, honesto, humildade, irrepreensível, íntegro,
júbilo, justiça, justo, leal, legitimidade, liberalidade,
liberdade, longanimidade, longevidade, louvor, mansidão,
misericórdia, obediência, oferta, orar, ouvir, paciência,
pacificador, paz, perdão, perfeição, perseverar,
persistência, piedade, primícias, prosperidade, provação,
pureza, ouro, quebrantado, querido, redimir, regozijar,
resgatar, restabelecer, restauração, restituir, retribuir o
bem, riso, sabedoria, sábio, sacrifício, salmodiar, salvar,
santidade, santificação, saúde, segurança, sinceridade,
sincero, simpatia, simples, submissão, sujeitar, suportar,
sustentar, temor de Deus, trabalhador, tranqüilidade,
transformação, triunfar, vencedor, verdade, vida, zelo,
zeloso.
“Finalmente irmãos, tudo que é verdade, tudo o que é de
respeito, tudo o que é certo, tudo o que tem pureza, tudo o
que é amável, tudo que é de boa fama, se há alguma virtude e
algum louvor, nisto pensai” (Fip.4:8). Medite sobre: A nova
vida - 1João 3:9-19.; A verdadeira vida - Tg 3:15-16, 1Tm
6:6-12.; O amor - 1Co 13:4-7; O perdão - Mt 6:14-15.; A
Humildade - Filp 2:5-9; A habilidade de sofrermos injustiça
pessoal sem revalidação, retaliação, ou ressentimento,
amargura, retrucar e reivindicar.
5. O caráter do filho de Deus – o cidadão do Reino.
John Stott chama a mensagem do Sermão do Monte como a
Contracultura Cristã. “O sermão do monte é o esboço mais
completo, em todo o Novo Testamento, da
contracultura cristã. Eis aí um sistema de valores
cristãos, um padrão ético, uma devoção religiosa, uma
atitude para com o dinheiro, uma ambição, um estilo de vida
e uma teia de relacionamentos: tudo completamente diferente
do mundo que não é cristão. E esta contracultura cristã é a
vida do reino de Deus, uma vida humana realmente plena, mas
vivida sob o governo divino” (STOTT, 1982).
O caráter do cristão, do discípulo de Cristo é espelhado no
Sermão do Monte, nas bem-aventuranças, em Mateus 5 e 6:
v.3 Os humildes de espírito possuem o reino de Deus;
v.4 Os que choram serão consolados;
v.5 Os mansos herdarão a terra ;
v.6 Os que têm fome e sede de justiça serão saciados;
v.7 Os misericordiosos alcançarão misericórdia;
v.8 Os puros de coração verão a Deus;
v.9 Bem-aventurados os pacificadores;
v.10 Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da
justiça;
v.11 Bem-aventurados os que sofrem perseguições;
v.13 O cristão é sal terra;
v.14 O cristão é luz do mundo; (vs.14 a 16).
v.21 Jesus reforça os mandamentos, a justiça do cristão (vs
17 a 20);
v.22 Jesus ensina o relacionamento com o próximo;
v.23 Jesus ensina sobre o perdão e reconciliação ( vs. 24 a
26).
v.27 Jesus chama à pureza moral (vs 28 a 32);
v.33 Jesus chama à honrar a palavra dada (vs 33 a 37);
v.38 Jesus ensina sobre a segunda milha, o abrir mão dos
direitos (vs.39-48);
6:1 A justiça e a recompensa (vs 2-4);
v.5 Jesus ensina a orar (vs 6-15);
v.16 O jejum (vs.17-18);
v.19 A verdadeira riqueza (vs.20-21);
v.22 Coisas muito importantes (vs23-34).
Vale lembrar pois, que a mensagem do Sermão do Monte não são
inatingíveis, não são valores utópicos, mas sim relevantes e
aplicáveis á vida moderna. Este sermão apresenta um conjunto
de valores, padrões éticos, atitudes, comportamentos, estilo
de vida e relacionamentos, como uma contra-cultura cristã
que é a realidade de vida do reino de Deus, onde o governo
de Deus é soberano e absoluto.
6. Discussão e Conclusão.
A idéia de uma cultura própria para o reino de Deus foram
apresentados por Jesus Cristo, como um novo e vivo caminho,
mostrando aos novos discípulos seus comportamento como o
Povo da Nova Aliança. Jesus abre o seu discurso no livro de
São Mateus apresentando um código de ética e valores
diferentes do curso do mundo. Os quatro evangelhos expressam
esta singularidade de comportamento, renúncia e estilo de
vida.
A cultura do reino de Deus é a cultura própria daqueles que
reconhecem a autoridade e governo de Deus em suas vidas. A
esfera do Reino de Deus abre-nos diretrizes claras,
apresentando-nos a contracultura cristã como sendo aquela
que se opõe ao caminho normal deste mundo.
Concluímos pois que a cultura do Reino é o “alto caminho”, o
caminho excelente ora aberto por Jesus Cristo para que nele
andemos. Este é o Reino de Cima, Reino com padrões e valores
vindos do majestoso trono de Deus. A Nova Aliança é o amor e
graça de Deus sendo derramado em nossos corações,
habilitando-nos a viver a natureza de Deus, manifestando
assim comportamentos próprios dos filhos de Deus. O Reino de
Deus é a esfera onde a autoridade, vontade e glória de Deus
fluem livremente e assumem ampla e total dimensão, até que
os reinos e culturas deste mundo se tornem de fato o reino
de Seu Cristo.
A teologia Bíblica da Nova Aliança não consiste apenas em
estatutos em orientações que guiem o povo, nem em códigos de
leis para o bem estar social. Aqui, Jesus resumiu os dez
mandamentos em dois: “amarás ao Senhor teu Deus de todo o
teu coração, e o teu próximo como a ti mesmo”, onde o amor é
tudo, é a razão em obedecer a Deus e seus mandamentos. A
Nova Aliança é uma dimensão de qualidade de vida espiritual.
São os caminhos do amor e as dimensões do Espírito, são leis
de espírito e Vida. A Nova Aliança resgata o de mais
verdadeiro, holístico e a imagem de Deus no homem. É o
resgate do reino de cima – do reino de Deus no interior do
homem. O reino de Deus desce do céu através de Jesus Cristo,
e é implantado pelo Espírito Santo no homem interior. A
cultura do reino de Deus é a cultura moldada pelo Espírito.
A teologia bíblica do Antigo Testamento apresenta o mapa
teológico e cultural do povo de Deus, apontando os padrões
teológicos universais imutáveis e que devem ser mantidos em
todas as culturas e gerações. A Bíblia apresenta os
mandamentos concernentes ao relacionamento com Deus e com os
homens, e Deus gasta tempo ensinando os homens como viver em
sociedade. Eles se dividem em princípios de adoração e
relacionamento com Deus, as leis do trabalho e descanso,
vida em família, vida social, princípios morais e
relacionamento com o próximo, e isto se chama sociologia da
cultura. Deus estabeleceu uma sociologia cultural perfeita
para o homem nela viver. Contudo na cultura da modernidade
vemos a sociedade corrompida pela violência, crime, ódio,
corrupção, corrosão da família e dos valores morais,
corrosão da ética e caráter, corrida desenfreada pelo
trabalho e capitalismo, urbanização desmedida e problemas
sociais oriundos da não observância do padrão sócio-cultural
e bíblico por Deus estabelecidos. Este mapa cultural no
Velho Testamento é um roteiro supra cultural chamando o povo
à obediência, garantindo-lhes que a observância dos mesmos é
visando o bem estar do homem em sociedade, consigo mesmo e
com seu criador.
O homem situa-se na luta de duas culturas interiores: a
cultura do mundo e a cultura do reino de Deus. A Cultura do
Reino são os padrões e valores próprios para aqueles que
nasceram de novo no Reino de Deus. O novo nascimento gera no
homem um novo comportamento e atitudes pertinentes à um
filho de Deus. A cultura do Reino é uma contra-cultura
cristã que se opõe ao costume habitual do mundo em que
vivemos. O evangelho de Cristo nos molda a um comportamento
à imagem e semelhança de Deus.
O cristão, discípulo de Cristo, precisa então travar um
encontro consigo mesmo, tomando um papel para fazer uma
lista realística de atitudes que são coerentes a cultura do
reino de Deus e as que são do mundo. Todo ser humano já tem
a noção de certo e errado, cabendo-lhe tão somente ser
sincero consigo mesmo e avaliar sob qual cultura está
vivendo. Por exemplo, o ato mentir, enrolar e enganar outra
pessoa, infligir as leis, roubar, caluniar, falar
asperamente, preguiça, deslealdade, impureza moral, sexo
descontrolado, relações sexuais ilícitas, a prática sob
qualquer forma de violência, o mau uso do dinheiro, a
idolatria, o endividamento, a cobiça, a inveja, a ambição
desmedida, ganância, a loucura do trabalho, os vícios,
desonra aos pais, desrespeito à autoridades, brigas,
contendas, litígios, manipulação, a não presença na família
e no lar, corrupção, suborno, sonegação fiscal, negligência,
e muitas outras práticas não são cabíveis ao reino de Deus e
não são próprias para os filhos do Reino. Se formos
honestos, saberemos medir muito bem as coisas que não são
corretas, mas já nos acostumamos a conviver com elas e elas
passaram a ser normais.
É necessário abrir os olhos e ver que muitos são os
comportamentos e práticas em nossa cultura, que para os tais
poderíamos ouvir o conselho bíblico: “Não é próprio dos
reis, ó Lemuel” (Pv.31:4), ou seja, não são compatíveis com
a cultura do reino de Deus. A cultura do Reino é um caminho
mais excelente, rico em valores e qualidade de vida, sendo
portanto a senda do cristão, do verdadeiro discípulo de
Cristo.
Sobre a Autora:
MariaLeonardo, PhD.
Doutorado em Teologia (Etnoteologia e Antropologia
Cultural).
Doutorado em Antropologia da Religião.
E-mail:
leo@etnia.org.br Este endereço de e-mail está protegido
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fonte:
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