NÃO MATARÁS
Autor:
Adão Carlos do Nascimento
Tirar a vida de um ser
humano é o mais radical ato de violência. Quem o faz destrói a mais preciosa
criação de Deus — o homem, feito “à imagem e semelhança do Criador”. Por isso,
quando Deus sintetizou em dez mandamentos o que ele exige do homem, Ele ordenou:
“Não matarás” (Êx 20.13).
Os teólogos de Westminster concluíram que nesse
mandamento Deus proíbe “o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de
justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou
retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira
pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas
e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios;
as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os
ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém” (Catecismo Maior —
resposta à pergunta 136).
Regulamentando a aplicação desse mandamento, o Antigo
Testamento traz leis rigorosas e severas para punir a violência contra a vida
humana. O assassinato era punido com a pena de morte (Êx 21.12). A mesma punição
era aplicada ao proprietário de um animal que matasse um ser humano, caso
ficasse provado que a morte resultou da negligência do dono do animal (Êx
21.29). O homicida tinha direito à defesa, mas era julgado com rigor.
Jesus trata o homicídio e o assassinato de forma ainda
mais rigorosa, condenando esses atos nas suas raízes, nas intenções, mesmo
quando eles não são executados. Ele afirmou: “Ouvistes que foi dito aos antigos:
Não matarás; e: Quem matar estará sujeito a julgamento.
Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se
irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a
seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo,
estará sujeito ao inferno de fogo.” (Mt 5.21-22.) Todo assassinato tem uma ou
mais causas. Essas causas podem ser o ódio, a ira descontrolada, o desejo de
vingança, o insulto... E todas elas nascem no interior do ser humano, no
recôndito de seu ser, onde deve ser iniciado o combate à violência.
Hoje existem outras formas de quebrar o sexto
mandamento, que não existiam na época de Moisés nem nos dias de Cristo. Podemos
citar, entre outras, a produção, divulgação, comercialização e consumo de
cigarros, bebidas alcoólicas e outras drogas; a poluição das águas e do ar; a
falta dos devidos meios e instrumentos de segurança do trabalhador nas fábricas
e na construção civil; o uso abusivo de produtos químicos na agricultura e na
pecuária, e dirigir automóveis e caminhões de forma irresponsável, colocando em
risco a vida de condutores, passageiros e transeuntes. Essas práticas matam
muito mais pessoas do que os assassinatos.
Deus abomina toda e qualquer forma de homicídio e
assassinato. O seu mandamento para todos os homens, de todos os lugares e de
todas as épocas, é: “Não matarás” (Êx 20.13). E quem desobedecer a esse
mandamento pagará muito caro por isso, pois o próprio Deus declarou:
“Certamente, requererei o vosso sangue, o sangue da vossa vida; de todo animal o
requererei, como também da mão do homem, sim, da mão do próximo de cada um
requererei a vida do homem. Se alguém derramar o sangue do homem, pelo homem se
derramará o seu; porque Deus fez o homem segundo a sua imagem.” (Gn 9.5, 6).

Adão Carlos Nascimento, administrador de empresas,
é pastor da 1ª Igreja Presbiteriana de Governador Valadares. É escritor, com
nove obras publicadas e milhares de exemplares vendidos.
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