Confesso que
quando li a frase “Tem muito pão com ovo se achando Big Mac”
escrita no Twitter por minha irmã, achei criativo e
bem-humorado. Mas não tem jeito: quando você respira a fé 24
horas por dia (e, que fique claro, isso não falo como uma
qualidade que pode soar soberba, mas sim como uma mera
constatação), até pequenas coisas como essas me levam a refletir
sobre a Igreja, Cristo e o nosso universo cristão.
Esta é uma
reflexão sobre celebridades, fama e sua relação com a fé.
O ser humano
sempre foi atraído por celebridades. Veja o star system
americano, uma estratégia criada décadas atrás pelos estúdios de
cinema que procura criar celebridades em Hollywood apenas para
que filmes dêem mais lucro. Em resumo, o star system busca
tornar atores e atrizes famosos para levar você, do público, a
se apaixonar por eles e querer sempre ver seus filmes. Afinal,
confesse, você vai ao cinema em 99% das vezes pelo título do
filme ou porque seus astros prediletos atuam nele?
E funciona! Você
não vai ver Diamantes de sangue, você vai é assistir ao “último
filme do Leonardo Di Caprio”. É assim que age a dinâmica das
celebridades: a máquina de marketing de Hollywood, da TV Globo
ou o que seja leva você a se afeiçoar pelos atores A, B ou C
para que a cada novo filme, novela ou seriado você esteja ali,
sentadinho, pagando seu ingresso, aumentando o ibope e, claro,
enriquecendo estúdios de cinema ou redes de TV. É simplesmente
por isso que existem celebridades nos nossos dias: pois elas
geram poder e dinheiro. Muuuuuito dinheiro!
E entre os cristãos?
Isso tudo apenas
comprova que o ser humano sempre foi atraído por celebridades. E
você acha que entre os cristãos é diferente? Também somos seres
humanos. Então não, não é. Basta olhar em volta. Nós, cristãos,
criamos e amamos celebridades pelas exatas mesmas razões que o
mundo. Repare que desde a época de Cristo era assim. Jesus mesmo
virou uma celebridade – não por vontade própria, claro. Mas
perceba: quando ele multiplica pães e peixes e alimenta milhares
de pessoas, muitos passam a segui-lo não por suas palavras de
vida eterna, mas pelos benefícios materiais que perceberam que
ele poderia lhes proporcionar. Cara, um homem que pega cinco
pães e dois peixes e alimenta de graça milhares de pessoas! Quem
não quer seguir uma celebridade dessas?! Mas aí o tempo passa e
quando Jesus é pregado numa Cruz restam apenas 120 no cenáculo.
Pois naquele momento o ibope de Jesus estava em baixa e ele não
tinha, aos olhos humanos, mais nada a oferecer, já que morto não
gera poder, prestígio, dinheiro ou outros bens materiais. Só
permanece quem realmente busca o Reino de Deus e não pessoas que
lhes proporcionem benefícios materiais ou arrepios de emoção.
Passaram os
séculos e chegamos aos nossos dias. Então o meio cristão começa
a inventar celebridades, pelos mesmos motivos mundanos de
sempre: atrair gente.E com isso gerar dinheiro – usando as boas
e velhas estratégias: encher igrejas, vender CDs e DVDs, eleger
políticos e outras práticas similares. O problema é que uma
enormidade dessas celebridades é puro pão com ovo: entopem mas
não têm substância. O resultado é que temos
pastores-celebridades ensinando absurdos bíblicos nos púlpitos e
multidões que devoram aquele pão com ovo achando que é Big Mac
quando na verdade as palavras proferidas não carregam em si nada
além de algo que engorda e aumenta o colesterol espiritual. E,
óbvio, podem causar uma tremenda infecção e até uma septicemia
espiritual – que pode levar à morte.
É assim com
pregadores-celebridades que ensinam prosperidade. É assim com
pregadores-celebridades que atraem os jovens com discursos e
estéticas bonitinhas mas começam a pregar que o cristão não
precisa ter uma mudança radical de vida para seguir Cristo (a
mais nova heresia do mercado gospel, ensinada por pastores que
dizem que você não precisa ter uma mudança de vida radical após
receber o chamado de Cristo. Aliás, cabe aqui um parêntese: se
você ouvir falar de ética transacional ascendente, FUJA!). É
assim com pregadores-celebridades que falam sobre graça mas
vivem atacando os outros e chamando pastores sérios de
“bundões”. É assim com pregadores-celebridades que usam sua
pregação eloquente para se eleger ou eleger seus irmãos e
parentes para cargos políticos no governo. É assim com
pregadores-celebridades que usam a linguagem, a estética e ate a
música dos jovens para atraí-los e torná-los seus dizimistas.
É muito pão com
ovo se achando Big Mac. Mas no Reino de Deus? Comida espiritual
irrelevante.
Pão com ovo na música
No mundo da
música cristã, então, é pão com ovo pra tudo que é lado. Em nome
de um “ministério de louvor”, muitos cantores tentam emplacar
suas carreiras com músicas francamente horripilantes, com letras
muitas vezes antibíblicas e propostas teológicas de vitória que
fariam a galinha ter vergonha de ter posto aquele ovo. Harmonias
paupérrimas, melodias assustadoras, letras clichês e, o que é
pior, músicas que só têm por objetivo movimentar o mercado
fonográfico gospel, mas cuja finalidade enquanto real louvor a
Deus é só… pão com ovo.
Querido irmão,
querida irmã, cuidado com o que você ingere em se tratando de
teologia, doutrina ou artes gospel. Eu já passei três dias no
CTI de um hospital por ter tragado comida estragada. E acredite:
é bem doloroso. Não deixe sua alma ser infeccionada por pães com
ovo que parecem comidas suculentas mas não passam de pão mofado
e ovo galado. Se você ouvir um pregador da moda ensinando coisas
que até soam interessantes, poéticas, modernosas e
simpatiquinhas mas que você nunca ouviu antes, procure conversar
com seus pastores ou irmãos mais experientes em quem você confie
antes de abraçar esses pensamentos apócrifos. Afirmações como
“Deus não está no controle das tragédias”, “doe dinheiro para o
meu ministério e a unção financeira será derramada sobre sua
vida”, “se você é um empresário pode se converter mas não
precisa parar de dar propina a fiscal do dia para a noite, isso
ocorre progressivamente”, “basta você tomar posse da vitória
pela fé e será teu” simplesmente não são bíblicas E, logo, são
demoníacas. Não coma o manjar oferecido aos demônios achando que
é maná dos céus só porque um pastor ou um cantor famoso te
oferece aquilo.
Se você me
permite ser muito objetivo, serei: há muitas celebridades
evangélicas vendendo comida oferecida aos ídolos por aí. E como
são famosos, há multidões engolindo. E, é triste admitir, vão
sofrer muito por isso. Não seja uma dos tais. Atenha-se ao
cristianismo ortodoxo, corra com todas suas forças de
novidadezinhas.
Se você ouvir
novidades que você nunca ouviu antes sendo pregadas em púlpitos,
no twitter, no face book, em blogs, no Youtube ou seja lá onde
for…querido, querida: não dê ouvidos. Não importa se foram ditas
por pastores famosos, por pregadores que estão na TV ou têm
blogs e vídeos bonitinhos e comentados no Youtube. FUJA! Pelo
amor que você tem a sua alma, entenda que o simples fato de um
pastor ter milhares de seguidores no twitter não faz dele um
homem de Deus. Pode parecer Big Mac, mas muitas vezes é pão com
ovo da pior espécie. Ou o fato de um pastor pregar de jeans e
levar bandas de rock para tocar em suas igrejas não o faz mais
cristão do que um que prega de terno e gravata e canta hinos
antigos. E vice-versa. Importa se aquilo que ele prega é bíblico
ou não. Estética é só estética. Fama é só fama.
Do mesmo modo, é
absolutamente irrelevante se um cantor, uma cantora ou um grupo
gospel da moda sejam famosos. Fama nunca levou nem vai levar
ninguém pro Céu. Fama não faz de um músico que canta canções
cristãs mais ou menos ungido ou usado por Deus. Ele é apenas
famoso. Apenas. Nada mais. Fama não lhe atribui absolutamente
nenhuma qualidade espiritual que o não famoso não tenha. Examine
a letra das músicas que cantam. Veja se a filosofia que
transmitem entre uma música e outra é canônica ou não. Muitas
vezes o artista pão com ovo deixa transparecer como é seu
compromisso com Deus quando, ao “ministrar” entre as canções,
diz barbaridades hediondas como, por exemplo, “Senhor, quero ter
um romance contigo”. FUJA desses – mesmo que suas músicas sejam
lindas de morrer. Lembre-se que Dalila e Bate-Seba eram lindas e
Sansão e Davi pagaram um preço muito alto por terem se deixado
levar mais pela beleza do que pela Palavra de Deus.
Indo aos "finalmentes"
Geralmente o simples fato de um pão com ovo já querer ser Big
Mac, ou seja, o fato de alguém querer muito ser famoso, já
denuncia sua condição espiritual. Jesus falou sobre João
Batista: “Eu lhes digo que entre os que nasceram de mulher não
há ninguém maior do que João” (Lc 7.28a). E no entanto João era
tão espiritual que disse “É necessário que ele [Jesus] cresça e
que eu diminua.” (Jo 3.30). Esse é o espírito que deve estar em
nossos corações. A busca da fama não é bíblica nem cristã. O
cristão de verdade aponta para Cristo em tudo o que faz. O
desejo pela fama é carnal e, francamente, diabólico.
Quem dá ao povo o que o povo deseja só para ser seguido
vilipendia a essência da nossa fé. Tem pastores distribuindo
pães e peixes à vontade, para que no dia seguinte suas igrejas
estejam cheias ou para que sejam convidados para a conferência
X, Y ou Z. Ou músicos cujos corações estão no espelho e não na
cruz – só para que seus shows lotem, seus CDs se esgotem, sua
conta bancária engorde e seus egos sejam inflados ao máximo só
merecem uma coisa: que você FUJA deles.
Querido,
querida, busque os anônimos. Busque aqueles que não querem
aparecer. Se você olhar em volta vai perceber que os pregadores
mais bíblicos e de coração mais puro fogem da fama a todo custo.
Dê unfollow nos pregadores da moda do twitter ou do facebook só
porque estão na moda ou falam frasezinhas bonitinhas e busque
aqueles que de fato transmitem a essência do Evangelho. Esqueça
os vídeos de pastores charmosinhos do Youtube e leia os
clássicos, procure livros em vez de programas de TV gospel.
Ignore os músicos que lotam igrejas – procure os que, sem mega
estruturas, louvam ao Senhor em lágrimas com um banquinho e um
violão. Pare. Pense. Mude os padrões que te levam a eleger esse
ou aquele como o Big Mac da hora.
E quer saber de
uma coisa? Você não vai encontrar as palavras de vida eterna em
pães com ovo. Muito menos em Big Macs. Vai encontrar é num bom
prato de feijão com arroz, bife e salada. Então FUJA do que é só
celebridade e fama e procure o que realmente alimenta. E,
repare: propaganda de Big Mac você vê em todo lugar. Mas de
feijão com arroz, bife e salada… ninguém faz. Só que é ali que
está o alimento de verdade pra tua alma.
Extraído do
blog
Apenas

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