Ainda reténs a tua integridade?
Nestes dias que se vão caracterizando pela
impiedade e por um arrebatado culto às trevas; nestes dias de amor frio e fervor
moribundo, como ministros de Cristo somos instados a responder à esta pergunta:
"ainda reténs a tua integridade?", Jó 2.9. Dessa resposta, está a depender não
somente o êxito de nosso ministério, mas principalmente o nosso destino eterno.
Diante do desafio, Jó não se permitiu vacilar;
deixou bem claro que a sua integridade era inegociável. Embora coberto de
úlceras e já coberto de angústias, não traficou a sua integridade como homem de
Deus. O patriarca não hesitou diante do desafio. E quanto a nós? Como nos
haveremos diante desta tão inquietante e já urgentíssima pergunta?
A sua vida pessoal é íntegra? O seu ministério é
íntegro? É íntegra a sua mensagem? E a sua postura como homem de Deus? É
politicamente correta? Ou reconhecidamente íntegra?
De nada adiantar-nos-á aliviar uma resposta
socialmente aceitável. O momento é critico! Não contempla rodeios nem
hipocrisias. Exige decisão. Há somente duas respostas cabíveis: sim ou não. O
que passar disto é dissimulação e consumada iniqüidade.
Vida íntegra
Não podemos dissociar a vida pessoal da
ministerial. O êxito desta, muito depende da postura daquela. Se a primeira não
for eloqüente em virtudes, a Segunda não convencerá com as palavras. Se a
tribuna do íntimo não tiver argumentos, o publico ficará sem respostas.
Desgraçadamente, muitos são os púlpitos que já
não passam de meras plataformas. Pois o mensageiro, ao separar o ministério de
sua vida particular, não quis atentar a esta incorrigível realidade: ambos são
tópicos do mesmo sermão; formam um só discurso. Nossa vida privada não é apenas
o exórdio da mensagem; é também a sua conclusão. É a peroração que convence. É o
apelo respondido.
Se o pregador não vive bem com a esposa, se não a
respeita, se alimenta contatos equívocos com outras mulheres, como poderá
conduzir uma cerimônia de casamento? Como poderá dirigir bodas de prata e de
ouro das ovelhas se as suas não passam de um mero papel quando deveriam Ter
consistência do diamante? Estaríamos nós na mesma condição dos sacerdotes a quem
Malaquias censurou? Brada o profeta: "O senhor foi testemunha entre ti e a
mulher da tua mocidade, com a qual tu fostes desleal, sendo ela tua companheira
e a mulher do teu concerto", Ml 2.14.
Se o pregador não ordena os filhos, como poderá
aconselhar os adolescentes e os jovens? Seus filhos, pastor, já não vêem a
igreja do reino de Deus; vêem-na como se fora uma mera capitania hereditária.
Por isso, os abusos! Eles lançam mão da tesoura sagrada; você nada diz. Oprimem
os santos; você não os disciplina. Agem imprudentemente; você não os censura.
Logo estarão oferecendo fogo estranho no altar, e você não estará presente para
evitar que sejam consumidos pela ira divina.
Se o mensageiro burla o tesouro, e em tudo busca
duvidosas vantagens, como poderá ensinar o dízimo? As ovelhas sempre dão a Deus
o que é de Deus, mas você nega tanto o que é de Deus quanto o que é de César. Já
não se contenta com a porção cotidiana. Se os filhos de Eli roubavam os fiéis
com o garfo, desfalca você a igreja de Cristo com o tridente do usurpador ( 1Sm
2.13).
Se o arauto de Deus vive de ostentação, como
poderá discorrer sobre a manjedoura? A igreja precisa de pastores, não de reis
que, desprezam a singeleza dos lírios, já não se conformam com o próprio campo.
Quando censurado, o que você diz? Alega que, como filho de Deus, precisa viver
como príncipe. Veja todavia como estão as suas ovelhas! E as viúvas que você não
quis socorrer? Os órfãos que se recusou a amparar? A dor que jamais aliviou?
Enquanto você vive como príncipe, suas ovelhas gemem como vassalas de sua
descabida ostentação.
Se o atalaia menospreza as honras do ministério
cristão, como poderá enaltecer a cidadania celeste? O senhor o chamou, pastor,
para o ministério da palavra, mas você tem obsessão pelo ministério público.
Quer uma cadeira no parlamento, e reputa por nada a cátedra doutrinal que, em
sua igreja, está sempre vazia. Deixe a política aos políticos; zele pelo bem
comum das ovelhas que o senhor lhe entregou.
Se o pregador, enfim, não prega com a vida
terrena, como poderá pregar a vida eterna? O senhor JESUS viveu o que pregava,
entregando por nós a própria vida. É por isso que, mesmo calado, incomodava. E,
você? Ainda que brade, já não convence. É nuvem sem água; troveja, mas não chove
testemunho.
Ministério íntegro
Se a sua vida não é íntegra, como poderá ser
íntegro o seu ministério? Você não se contentou em ser obreiro; quis logo o
titulo de ministro. Esqueceu-se porém de algo básico: a essência do ministério
cristão é o serviço sacrificial e amoroso que se deve prestar a Deus.
E, já ministro, o que fez?
Ao invés de negociar os talentos, fez negociata
das coisas santas. Adulou para subir, mas continuava a descer no conceito
daquele que tudo vê e tudo sonda. Burlou as normas; desrespeitou o ministério e
ignorou as convenções. E, já à frente da igreja descobriu-se sem o cajado do
pastor. Administra os bens da igreja, mas jamais pastoreou o rebanho de Cristo.
Não é pastor; é mercenário.
Se a sua vida e ministério não são íntegros,
como esperar que a sua mensagem o seja? Você já não assume o púlpito como homem
de Deus; agora você é homem do povo. Já não lhe interessa o que a igreja
necessita receber. Você só fala o que o grupo majoritário e poderoso quer ouvir.
Do púlpito você decreta a prosperidade, e
nunca se viu tanta miséria espiritual em seu redil. De tanta confissão positiva,
você já nem parece guia espiritual: é mais guru que pastor. Antes fosse apenas
guru; sua condenação seria menor. Menospreza o pecado, dizendo já estarem todas
as ovelhas predestinadas à vida eterna. Ilude-as com uma falsa esperança;
engana-as com uma tecnologia que não é nem próspera nem positiva, mas duas vezes
maldita.
Não satisfeito em enganar o rebanho, ainda
franqueia o púlpito aos lobos e chacais. Depois, reparte com eles o despojo. Com
a sua palavra fácil e azeitada, você tira tudo das ovelhas (Sl 55.21). mas
chegará o dia em que, para o seu desespero, não haverá nem a lã nem o leite;
haverá apenas a necessidade serôdia.
O seu púlpito não é proclamação; é uma peça de
marketing. Lembra-se dos não regenerados que você promoveu? Dos impenitentes a
que estendeu a destra da comunhão? Dos poderosos que adulou? Dos corruptos que
acolheu como se fosse do senhor ungidos? O seu marketing foi infalível; o
inferno está mais popular que nunca. O seu rebanho já não sabe a diferença entre
o santo e o profano.
E a sua mensagem alternativa? Não tem a agonia
do Getsêmani, nem a paixão no calvário. Mas também não possui a glória da
ressurreição nem a esperança do arrebatamento.
Sua mensagem alternativa deixou o rebanho que
Deus lhe confiou sem qualquer opção.
No púlpito você lembra de tudo, menos da
integridade da mensagem. Que tal colocar-se na porta do templo e sofrer as
afrontas todas de Jeremias? Ou ser incompreendido como Amós? Ou ainda oferecer a
vida por libação como o apóstolo Paulo? Nenhum destes pregou uma mensagem
alternativa; a única alternativa da palavra de Deus é a obediência.
Qual a sua postura como homem de Deus? É
politicamente correta? A do anjo da igreja de Éfeso também, mas ele não tinha
mais o primeiro amor. Também o anjo de Laudicéia tinha uma postura politicamente
correta, o senhor porém estava prestes a vomitá-lo. A postura de Iscariotes era
de igual modo correta, contudo ele não titubeou em vender o mestre. No momento
em que Pilatos buscava ser politicamente correto, soltou um homicida, e entregou
um inocente à morte.
Nossa postura, como de homens de Deus, não
deve limitar-se ao politicamente correto; tem de ser reconhecidamente justa e
íntegra. Por isso, mais do que nunca, temos de responder a essa pergunta: "Ainda
reténs a tua integridade"?
Autor:
Desconhecido

