AS EMOÇÕES E A FÉ

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A espiritualidade
não pode depender dos sentidos ou dos sentimentos.
Onde está o
fundamento da nossa relação com Deus? O desânimo nos faz desistir da obra do
Senhor? Adoramos apenas quando estamos alegres? Precisamos sentir um arrepio
para saber que Deus está presente?
Os sentidos físicos
são fundamentais para a comunicação do homem com o mundo material. Por meio
deles, o corpo transmite impressões à alma, produzindo emoções e sentimentos.
Entretanto, tais faculdades físicas e psicológicas não são eficazes em relação
ao mundo espiritual, tendo apenas uma participação secundária e eventual. Como
disse Paulo, embora Deus não esteja longe de cada um de nós, não podemos
localizá-lo por meio do tato (At.17.27). Também não somos capazes de ver o seu
rosto.
É verdade que os
sentidos são úteis porque através deles recebemos a palavra de Deus. “A fé vem
pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.” (Rm10.17). Uma vez gerada em nós, a
fé passa a ser o fator dominante na nossa relação com o Senhor. O mais
importante não é o que vemos ou o que sentimos, mas o que cremos com base na
palavra de Deus. Está escrito: “O justo viverá pela fé” (Hab.2.4).
Nossa vida não pode
ser conduzida exclusivamente pelos sentidos físicos, pois eles estão sujeitos ao
engano. O mal está por toda parte e, muitas vezes, se apresenta com boa
aparência (II Cor.11.13-14). É o lobo com pele de cordeiro (Mt.7.15). Podemos
comparar essa realidade àquele episódio, quando Jacó se cobriu com a pele de um
animal para se fazer passar por seu irmão Esaú. Os sentidos físicos de Isaque
foram enganados, principalmente porque um deles, a visão, já não funcionava
(Gn.27).
No episódio da
tentação, Eva ouviu a voz do Inimigo; ficou deslumbrada ao ver o fruto proibido
e acabou tocando nele e comendo-o. Seus sentidos foram atraídos e dominados pelo
mal (Gn.3).
Outro exemplo
pode ser observado em I Samuel 16. O profeta ficou admirado com a aparência dos
irmãos de Davi e, por pouco, não ungiu a pessoa errada.
Concluímos que os
sentidos físicos podem ser iludidos, levando a alma ao engano de emoções
manipuladas. Constatamos isso, por exemplo, no poder dos filmes e novelas que
provocam o riso, o choro, a simpatia e a ira diante de situações irreais.
Temos a tendência de
viver dependendo daquilo que sentimos ou vemos. Quando estamos diante de algo
com aparência grandiosa, ficamos impressionados e isso pode afetar indevidamente
nossa espiritualidade. Por isso é que as imagens de ídolos e as grandes
catedrais são tão importantes em algumas religiões. Em alguns casos, as chamadas
artes sacras são usadas na tentativa de se preencher o vazio de uma doutrina
mentirosa. Qualquer estátua que se fabrique, tendo qualidade artística, será
facilmente aceita como objeto de culto, ainda que não represente uma pessoa
real. Os discursos eloqüentes também podem exercer uma influência muito forte,
mesmo que a sua mensagem seja uma heresia. A visão e a audição despertam nossas
emoções e isso pode ser confundido com experiência espiritual.
A fé na palavra de
Deus é a base sólida de uma espiritualidade sadia.
Fé não é sentimento.
É certeza, convicção. Por meio da dela, nosso espírito tem acesso a Deus e ao
mundo espiritual.
Observemos a firmeza
da fé nas palavras do apóstolo: “Sabemos que todas as coisas concorrem para o
bem daqueles que amam a Deus...” (Rm.8.28). Paulo não disse: sentimos ou vemos,
mas sabemos. É algo claro, concreto e inabalável. Se Deus disse algo, nós
sabemos que isso é realidade. Não dependemos de sentir ou ver alguma coisa.
Quando Jó estava
mergulhado em sua tribulação, ele disse: “Eu sei que o meu Redentor vive e que
por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19.25). Se Jó fosse depender de seus
sentidos e sentimentos, estaria perdido.
Jesus disse: “Onde
estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”
(Mt.18.20). Sua palavra é o que nos basta. Se sentimos a sua presença, ele está
entre nós. Se não sentimos, ele está também. Devemos crer porque ele prometeu.
Como disse Paulo: “Andamos por fé e não por vista” (II Cor.5.7). Esse é um dos
aspectos do “andar no espírito”, outra expressão paulina (Gál.5.16).
Mesmo que a
realidade exterior tente me convencer do contrário, eu devo permanecer firme
pela fé. As circunstâncias podem ser adversas, mas a palavra de Deus permanece
imutável. Se estivermos firmados nela, também seremos inabaláveis.
Outras palavras
chegarão aos nossos ouvidos. Nossos sentidos serão assediados por muitas
influências, mas nossa vida espiritual deverá estar fundamentada na fé que
depositamos sobre a palavra de Deus.
Com tudo isso,
não estamos desvalorizando as emoções humanas, mas apenas colocando-as nos seus
devidos lugares. Vivendo pela fé, o Espírito Santo age em nosso espírito, que
muitas vezes alcança nossa alma produzindo emoções. Um dos aspectos do fruto do
espírito é a alegria (Gal.5.22). Esta não depende de estímulos externos, mas
vem de dentro para fora, até mesmo em meio às tribulações.
Os sentimentos
não podem ser ignorados, mas não podemos ser controlados por eles. Assim como os
sentidos físicos, as emoções são importantes na experiência espiritual, mas não
são determinantes. Quem vive movido por sentimentos será uma pessoa instável e
sempre desconfiada em relação às coisas de Deus.
Nossa filiação
divina, o perdão dos nossos pecados, a certeza de vida eterna e a posse dos
nossos direitos espirituais não dependem daquilo que sentimos, mas da palavra de
Deus, que é fiel e não pode mentir. Devemos encarar tudo isso como fatos
espirituais consumados.
Nosso compromisso
e fidelidade ao Senhor também não podem depender de sentimentos. Não seremos
movidos pelo entusiasmo nem detidos pelo desânimo. Estamos determinados a
continuar nosso trabalho até o fim. Emoções negativas podem ser ameaçadoras, mas
iremos apresentá-las ao Senhor em oração para que ele as controle pelo seu
Espírito.
Vivendo pela fé
seremos firmes!

“Os que confiam no
Senhor são como os montes de Sião, que não se abalam, mas permanecem para
sempre” (Salmo 125.1).

