CALAR É O MELHOR REMÉDIO

É
muito importante a capacidade de se comunicar de modo claro e eficiente.
Contudo, saber calar também é algo valioso e ainda mais difícil.
As palavras têm um grande poder e, uma vez ditas, não podem ser recolhidas. São
como flechas que, tendo sido atiradas, não podem ser contidas pelo flecheiro.
Notamos, portanto, a importância do controle sobre as palavras, de modo que
sejam liberadas com prudência e “economia”, pois “na multidão de palavras não
falta transgressão; mas o que refreia os seus lábios é prudente” (Pv.10.19).
Existem circunstâncias em que o melhor a fazer é manter o silêncio.
“Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a salvação do Senhor”
(Lm.3.26).
Quando estamos sob forte tribulação ou logo após um fracasso, temos a tendência
de falar bobagens, inclusive murmurando contra Deus, como fizeram os israelitas
diante das intempéries e privações do deserto (Nm.11.1-10; 14.2). No meio das
dificuldades, louvemos ao Senhor e não murmuremos. “Para que a minha alma te
cante louvores, e não se cale. Senhor, Deus meu, eu te louvarei para sempre”
(Salmo 30.12). “Em tudo dai graças porque esta é a vontade de Deus em Cristo
Jesus para convosco” (I Tss.5.18). Se não conseguimos louvar, calemo-nos.
Quando vemos o erro, o pecado ou insucesso de outra pessoa, nossa língua parece
procurar os ouvidos de alguém para contar a notícia. Se não pudermos falar algo
para ajudar nosso próximo, é melhor que nos calemos. Às vezes o caso exige
denúncia ou conselho, mas normalmente a questão não é essa e acabamos cometendo
a maledicência e a difamação. Temos um tribunal dentro de nós: a consciência, e
queremos aplicá-la sobre os outros, como se tivéssemos o direito de julgá-los e
condená-los:
Tg.4.11-12 - “11 Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do
irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei,
não és observador da lei, mas juiz.12 Um só é Legislador e Juiz, aquele que
pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo? “
Dessa forma, atraímos condenação sobre nós mesmos:
Tg.5.9 - “ Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes
julgados. Eis que o juiz está às portas”.
Quando vemos operações sobrenaturais, uso de dons espirituais ou mesmo práticas
litúrgicas no meio cristão que porventura sejam diferentes das nossas, não
devemos ser apressados na crítica ou condenação. Não somos obrigados a gostar
nem concordar com tudo, mas a pressa em nos pronunciarmos a respeito pode levar
ao pecado. Na maioria das vezes, é melhor calar:
Quando orarmos, não sejamos exagerados em nossas frases, pois podemos estar
mentindo, principalmente no que diz respeito aos votos. É melhor evitá-los do
que prometermos aquilo que não podemos cumprir. Tal atitude pode trazer a
punição divina sobre nós.
“ Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos... Não te
precipites com a tua boca, nem o teu coração se apresse a pronunciar palavra
alguma na presença de Deus... portanto, sejam poucas as tuas palavras. Porque,
da multidão de trabalhos vêm os sonhos, e da multidão de palavras, a voz do
tolo... Melhor é que não votes do que votares e não pagares. Não consintas que a
tua boca faça pecar a tua carne, nem digas na presença do anjo que foi erro; por
que razão se iraria Deus contra a tua voz, e destruiria a obra das tuas mãos?”
(Ec.5.1-7).
“O Senhor está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra”
(Hab.2.20).
“Irai-vos e não pequeis; consultai com o vosso coração em vosso leito, e
calai-vos” (Salmo 4.4).
“A morte e a vida estão no poder da língua. Aquele que a ama comerá do seu
fruto” (Pv.18.21)
“Por tuas palavras serás justificado e por tuas palavras serás condenado”
(Mt.12-37).
“A palavra dita a seu tempo, quão boa é!” (Pv.15.23)
“Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo”
(Pv.25.11)
“Vês um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o tolo do
que para ele” (Pv.29.20).
“Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear
também todo o corpo” (Tg.3.2).
“O
que guarda a sua boca preserva a sua vida; mas o que muito abre os seus lábios
traz sobre si a ruína” (Pv.13.3).
"O que guarda a sua boca e a sua língua, guarda das angústias a sua alma"
(Pv.21.23).
“Até o tolo, estando calado, é tido por sábio; e o que cerra os seus lábios, por
entendido”
(Pv.17.28).
Se falarmos, que seja para a edificação:
Ef.4.29 - “29 Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente
a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça
aos que ouvem”.
Sempre que possível, nossas palavras devem ser positivas.
O domínio próprio é parte do fruto do Espírito. Assim, que ele nos ensine a
calar ou falar quando for preciso. Que não pequemos pela omissão nem pela
precipitação. Que o Senhor nos dê sabedoria para administrar o poder dos nossos
lábios, de modo que ele seja usado somente para a glória de Deus.
“Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar e tardio
para se irar”.
(Tg.1.19)

