CAMPO DE ABACAXIS
Jaime Kemp

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A história do campo de
abacaxis aconteceu na Nova Guiné. Ela durou sete anos.
É uma ilustração profunda
de um princípio bíblico básico aplicado.
Ao ouvir este relato
original, você descobrirá que ele é um exemplo clássico do tipo de lutas que
cada um de nós enfrenta, até que aprenda a aplicar o princípio de renúncia aos
direitos pessoais.
Conta o Pr. Jaime Kemp:
Minha família e eu
trabalhamos com pessoas bem no meio da selva.
Um dia, resolvi levar para
aquela região alguns
abacaxis.
O povo já tinha ouvido falar
de abacaxis. Alguns já os haviam provado, mas não tinham meios de consegui-los.
Busquei, então, mais de cem
mudas de uma outra missão. Contratei um homem da aldeia e ele plantou todas as
mudas.
Eu o paguei pelo serviço
prestado (com sal e diversas outras coisas de que necessitava) e durante dias
ele trabalhou. Precisei ter muita paciência até que as pequenas mudas de abacaxi
se tornassem arbustos grandes e produzissem as frutas.
Demorou uns três anos.
Lá, no meio da selva, você
às vezes tem saudade de comer frutas. Não é fácil conseguir frutas e verduras
frescas.
Finalmente, no terceiro ano,
pudemos ver surgir abacaxis que davam "água na boca", e só estávamos esperando o
Natal chegar, porque é nesta época que eles ficam maduros.
No dia de Natal, minha
esposa e eu saímos ansiosos para ver se algum abacaxi já estava pronto para ser
tirado do pé, mas tivemos uma surpresa desagradável após a outra. Não
conseguimos colher nem um só abacaxi. Os nativos haviam roubado todos! Eles os
roubavam antes de ficarem maduros. É costume de eles roubar as frutas antes que
amadureçam e assim o dono não as possa colher.
E aqui estou eu, um
missionário, ficando com raiva dessas pessoas. Missionários não devem ficar com
raiva, vocês todos sabem disso, mas eu fiquei e disse a
eles:
-Rapazes, eu esperei três
anos por esses abacaxis. Não consegui colher um único deles. Agora outros estão
amadurecendo e, se desaparecer mais um só destes abacaxis, fecharei a minha
clínica.
Minha esposa dirigia a
clínica. Ela dava gratuitamente todos os remédios àquela gente. Eles não pagavam
nada!
Nós estávamos nos
desgastando tentando ajudá-los, cuidando de seus doentes e salvando as vidas de
suas crianças.
Os abacaxis ficaram maduros
e, um por um, foram todos roubados! Então achei que deveria me defender deles.
Eu simplesmente não podia
deixar que fizessem comigo o que queriam...
Mas a verdadeira razão não
era essa.
Eu era uma pessoa muito
egoísta que queria comer abacaxis. Fechei a clínica.
As crianças começaram a
adoecer porque a vida era bastante difícil naquela região.
Vinham até nós pessoas com
gripe, tossindo, pedindo remédio e nós dizíamos:
- Não! “Lembrem-se que vocês
roubaram nossos abacaxis”.
- Não fui eu! - eles
respondiam - foram os outros que fizeram
isso.
E continuavam tossindo e
pedindo.
Não conseguimos manter mais
a nossa posição; reabrimos a clínica. Abrimos a clínica e eles continuaram
roubando nossos abacaxis. Fiquei novamente louco raiva e resolvi fechar o
armazém.
No armazém eles compravam
fósforos, sal, anzóis, etc. Antes eles não tinham essas coisas, por isso não
iriam morrer sem elas, pensei.
Comuniquei minha decisão:
- Vou fechar o armazém,
vocês roubaram mais abacaxis.
Fechamos o armazém e eles
começaram a resmungar:
- Vamos nos mudar daqui
porque não temos mais sal. Se não há mais armazém, não há vantagem para ficarmos
aqui com esse homem. Podemos voltar para nossas casas na selva - e se mudaram
para a selva.
E ali estava eu, sentado,
comendo abacaxis, mas sem pessoas na aldeia, sem ministério, sem condições de
aprender a língua para traduzir a Bíblia para eles.
Falei com minha esposa:
- Podemos comer abacaxis nos
Estados Unidos, se é só o que temos para fazer aqui.
Um dos nativos passou por
ali, e eu lhe pedi para avisar que, na segunda-feira, abriria novamente o
armazém. Pensei e pensei em como resolver o caso dos abacaxis...
- Meu Deus! Deve haver um
jeito. O que posso fazer?
Chegou o tempo de minha
licença e eu aproveitei para ir a um Curso Intensivo para Jovens. Lá ouvi que
deveríamos entregar tudo a Deus.
A Bíblia diz que, se você
der você terá; se quiser guardar para si, perderá tudo.
- Dê todas as suas coisas a
Deus e Ele zelará para que você tenha o suficiente.
Este é um princípio
básico.
Pensei o seguinte: amigo,
você não tem nada a perder. Vou entregar o caso dos abacaxis a Deus...
Eu sabia que não seria fácil
fazer esse sacrifício! Sacrificar significa entregar gratuitamente algo de que
você gosta muito, mas eu decidi dar a plantação de abacaxis a Deus e ver o que
Ele faria. Assim, saí para plantação, à noite, e orei:
- Pai, o Senhor está vendo
estes pés de abacaxis? Eu lutei muito para colher alguns. Discuti com os
nativos, exigi meus direitos. Fiz tudo errado, estou compreendendo agora.
Reconheço o meu erro, e quero entregar tudo ao Senhor.
De agora em diante, se o
Senhor quiser me deixar comer algum abacaxi, eu aceito; caso contrário, tudo
bem, não tem problema.
Assim, eu dei os abacaxis a
Deus e os nativos continuaram roubando as frutas como de costume. Pensei com
meus botões:
- Deus não pôde
controlá-los.
Então, um dia, eles vieram
falar comigo:
- Tu-uan (que significa
estrangeiro) o senhor se tornou cristão, não é verdade?
Eu estava pronto para dizer:
- Escute aqui, eu sou cristão há vinte anos! - mas, em vez disso, eu perguntei:
- Por que vocês estão
perguntando isso?
- Porque o senhor não fica
mais com raiva quando roubamos seus abacaxis, eles responderam.
Isso me abriu os olhos. Eu
finalmente estava vivendo o que estivera pregando a eles.
Eu lhes tinha dito que
amassem uns aos outros, que fossem gentis, mas sempre exigia os meus direitos e
eles sabiam disso.
Depois de algum tempo alguém
perguntou: Por que o senhor não fica mais com raiva?
- “Eu passei a plantação
adiante”, respondi, ela não pertence mais a mim, por isso vocês não estão mais
roubando os meus abacaxis e eu não tenho motivos para ficar com raiva.
Um deles, arriscando,
perguntou: - “Para quem o senhor deu a plantação?”Então eu disse:
- “Dei a plantação para
Deus”.
- Para Deus? - exclamaram
todos. Ele não tem abacaxis onde mora!?
- Eu não sei se ele tem ou
não abacaxis onde mora, respondi. Eu simplesmente lhe dei os meus abacaxis.
Eles voltaram para a aldeia
e disseram para todos:
- Vocês sabem de quem
estamos roubando os abacaxis? Tu-uam os deu a Deus .
Começaram a pensar sobre o
assunto e combinaram entre eles:
- Se os abacaxis são de
Deus, agora não devemos mais roubá-los.
Eles tinham medo de Deus e
os abacaxis novamente começaram a amadurecer.
Os nativos vieram para me
avisar:
- Tu-uan, seus abacaxis
estão maduros.
- Não são meus, eles
pertencem a Deus - respondi.
- É melhor o senhor comer,
pois senão eles vão apodrecer.
Então colhi alguns, e deixei
também uns para os nativos. Quando me sentei à mesa com minha família para
comê-los, eu orei: - Senhor, estamos comendo Seus abacaxis, muito obrigado por
me dar alguns. Durante todos os anos em que estive com os nativos, eles
estiveram me observando e prestando atenção às minhas palavras.
Eles viam que as duas coisas
não combinavam. E, quando eu comecei a mudar, eles também mudaram. Em pouco
tempo, muitos se tornaram cristãos.
O princípio da entrega a
Deus estava funcionando realmente. Eu quase não acreditei...
“E mais tarde, passei a
entregar outras coisas para Deus”.
*****
O SENHOR te abençoe e te
guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti;
o SENHOR sobre ti levante o
rosto e te dê a paz.


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