Podia ter sido um brilhante espetáculo aéreo. Podia ter sido uma
estupenda exibição de perícia e habilidade. Podia ter sido uma festa de
máquinas, homens, bandeiras e gente entusiasmada. Mas, caro amigo, não foi
nada disso, porque tudo terminou numa tragédia.
Aconteceu numa festa aérea no
dia 28 de
Agosto
de 1988, na Alemanha Federal, quando aviadores de Itália, Alemanha e dos EUA
faziam uma exibição. Em pleno voo, um dos aviões caíu e criou o caos nos
espectadores, deixando 69 mortos e 350 feridos. Após dois meses de estudo, a
comissão investigadora fez o seu relatório, e aqui citamos: "Tudo se deveu à
falha humana de um só piloto".
Caro amigo, mais uma vez temos "a falha humana".
Muitas vezes temos de lamentar desastres e tragédias devido a uma só, e às
vezes pequena coisa, a "falha humana". Raras vezes falham as máquinas num
embate de automóveis, na queda de um avião, no afundamento de um barco, ou num
choque de trens. Na maioria dos casos, a falha é do homem. Por vezes deve-se
a fatores que se ligam com o estado físico do piloto, do maquinista ou do
condutor do veiculo...
Vejo, por uma reportagem recente, que ciêntistas alemães inventaram um
par de óculos para maquinistas de combóios que farão parar automaticamente o
combóio se ele adormecer. Os óculos contém um raio eletrônico de luz que é
interrompido regularmente pelo pestanejar. Se o maquinista adormece ou deixa
de pestanejar, os óculos accionam um pequeno alarme e o combóio pára. Eis a
última novidade, caro amigo, óculos que não são para ver, mas óculos de alarme
para evitar desastres...

Ora, os óculos em si são uma grande invenção e é de acreditar, por
exemplo, que existem muitos maquinistas e pilotos que não podiam exercer a
sua profissão se não pudessem recorrer ao uso de óculos para aperfeiçoar a sua
visão. Pois a nossa vista é um grande benefício. E, para muitos de nós
perder a vista seria perder uma das coisas mais preciosas que possuimos.
Todavia, nem toda a gente pensa assim. Temos, por exemplo, o caso de uma
senhora que vivia em Cuba:
Era o dia mais importante na vida de Maria Gomes. Era o dia em que ela
iria tirar as ligaduras. O dia em que os seus olhos receberiam a luz, depois
de 20 anos de cegueira. O dia em que, pela primeira vez em tantos anos, ela
pegaria num espelho e contemplaria o seu rosto. Tinha viajado de Cuba a
Miami para ser operada às cataratas numa clínica moderna. A operação tinha
sido um êxito. E, finalmente, tinha chegado o grande momento almejado quando
iria ver. Os seus olhos agora estavam límpidos, claros, sãos. Mas, quando
Maria, de 79 anos de idade, viu o seu rosto no espelho, não gostou nada do
que viu. "Estou velha, feia e enrugada. Teria sido melhor ficar cega" disse
ela...

Meu irmão! Que reação inesperada, essa de Maria Gomes. Esteve cega
durante 20 anos. E durante esses 20 anos viveu em Cuba e sofreu muito. E as
provações, os sofrimentos e os problemas daqueles anos todos tinham deixado a
sua marca no seu rosto. Quando, por fim, as ligaduras foram tiradas, e ela,
de novo, pôde ver perfeitamente, a imagem que o espelho lhe devolveu foi uma
imagem de dor, de angustia, de desencanto e de medo. O dom estupendo da vista
para ela foi um motivo de tristeza e de sofrimento, porque ela se viu tal e
qual como era!
Ora, amado leitor, esta experiência dolorosa de Maria Gomes faz-nos pensar na experiência de muitas outras pessoas. Pessoas que, durante anos,
não tiveram a oportunidade de se contemplarem e de se verem a si mesmas
exatamente como são. Lembro-me, por exemplo, de um homem, um pescador por
sinal, que um dia estava sentado no seu barco a preparar as suas redes quando
um indivíduo lhe apareceu e lhe pediu licença para utilizar o seu barco.
Queria usar o barco como uma espécie de tribuna para falar às muitas pessoas
que ali se encontravam. Esse homem era Jesus Cristo, e o pescador era aquele
que, mais tarde, ficaria nas páginas daBíblia como o apóstolo Pedro.
Naquele dia aconteceu algo maravilhoso naquele barco … Como resultado
daquele encontro com Jesus Cristo, Pedro, talvez pela primeira vez na sua
vida, viu-se a si próprio, tal e qual era. Empolgado pela presença de Jesus,
caíu aos Seus pés e clamou: "Afasta-te de mim, Senhor, que eu sou um
pecador". Tal como a Maria Gomes, Pedro viu-se a si mesmo como Deus o viu, e
não gostou do que viu...
Amado
leitor: assim será, para muitos seres humanos, aquele dia quando,
frente ao Juiz Eterno, lhes serão tiradas as cataratas mentais e espirituais
que cegam os olhos das suas almas e se vêem tal qual são. Por agora vivemos
com um véu espesso sobre os olhos da nossa alma. Não damos conta de quão
injustos somos, de quão falsos, de quão imperfeitos. Do nosso orgulho e
vaidade, e do espírito de autojustificação que nos cegam. Mas, prezado amigo,
quando chegarmos ao último dia da nossa existência aqui, que por sinal, será
também o primeiro dia de uma eternidade interminável, veremos todas as
impurezas, todas as imperfeições, todas as manchas do nosso caráter, todas as
cicatrizes da nossa alma...
Que fazer, eu lhe pergunto? Esperar aquele dia que, sem falta, chegará
e resignar-nos ao nosso destino, pois como pecadores, seremos com certeza
condenados? Ou haverá qualquer esperança?
Sim, amado irmão, amada irmã, haverá esperança, mas só se aceitarmos a
imagem que o espelho da Palavra de Deus nos mostra de sermos pecadores
arruinados merecendo o castigo de um Deus justo. Eis a esperança, querido
ouvinte! Encontra-se no livro de Provérbios, na Bíblia, e citamos: "O que
encobre as suas transgressões, jamais prosperará; mas o que as confessa e
deixa, alcançará misericórdia".
O mesmo Jesus que transformou a vida de Pedro, o pescador pode transformar
a nossa vida. Ponhamos, hoje, enquanto há tempo, toda a nossa vida nas mãos
de Cristo. Ele pode lavar-nos, limpar-nos e purificar-nos inteiramente pelo
poder do Seu sangue, com a força do Seu Espírito e o poder da Sua Palavra.
Diga SIM pra Jesus!
