Aurélio Agostinho (do latim, Aurelius
Augustinus), Agostinho de Hipona, São
Agostinho ou Santo Agostinho (Tagaste, 13 de
Novembro de 354 — Hipona, 28 de Agosto de 430)
foi um bispo católico, teólogo e filósofo,
considerado pelos católicos santo e Doutor da
Igreja.
Agostinho cresceu no norte da África colonizado
por Roma, educado em Cartago. Foi professor de
retórica em Milão em 383. Seguiu o Maniqueísmo
nos seus dias de estudante e se converteu ao
cristianismo pela pregação de Ambrósio de Milão.
Foi batizado na Páscoa de 387 e retornou ao
norte da África, estabelecendo em Tagaste uma
fundação monástica junto com alguns amigos. Em
391 foi ordenado sacerdote em Hipona. Tornou-se
um pregador famoso (há mais de 350 sermões dele
preservados, e crê-se que são autênticos) e
notado pelo seu combate à heresia do
Maniqueísmo. Defendeu também o uso de força
contra os Donatistas, perguntando "Por que (...)
a Igreja não deveria usar de força para compelir
seus filhos perdidos a retornar, se os filhos
perdidos compelem outros à sua própria
destruição?" (A Correção dos Donatistas,
22-24)
Em 396 foi nomeado bispo assistente de Hipona
(com o direito de sucessão em caso de morte do
bispo corrente), e permaneceu como bispo de
Hipona até sua morte em 430. Deixou seu
mosteiro, mas manteve vida monástica em sua
residência episcopal. Deixou a Regula
para seu mosteiro que o levou a ser designado o
"santo Patrono do Clero Regular", que é uma
paróquia de clérigos que vivem sob uma regra
monástica.
Agostinho morreu em 430, durante o cerco de
Hipona pelos Vândalos. Diz-se que ele encorajou
seus cidadãos a resistirem aos ataques,
principalmente porque os Vândalos haviam aderido
ao arianismo, que Agostinho considerava uma
heresia.
Agostinho e os
Judeus
Agostinho escreveu no Livro 18, Capítulo 46, da
Cidade de Deus, "Os Judeus que O
assassinaram, e não criam ele, porque coube a
Ele morrer e viver novamente, foram ainda mais
miseravelmente assolados pelos romanos, e
completamente expulsos de seu reino, onde
estrangeiros já tinham dominado sobre eles, e
foram dispersos pelas terras (tanto que não há
lugar onde eles não estejam), e são assim, por
suas próprias Escrituras, um testemunho para nós
de que não forjamos as profecias a respeito de
Cristo." Escreveu também uma das
principais obras que apóia a crença na Trindade.
Agostinho considerou a dispersão importante
porque ele acreditava que isto era um
cumprimento de certas profecias, provando assim
que Jesus era o Messias. Isto se deve ao fato de
Agostinho crer que os judeus que foram
dispersados eram inimigos da Igreja Cristã. Ele
também cita parte da mesma profecia que diz "Não
os mates, para que meu povo não se esqueça;
espalha-os pelo teu poder". Algumas pessoas
usaram as palavras de Agostinho para atacar os
judeus, enquanto outros as usaram para atacar
cristãos. Veja cristianismo e anti-semitismo.
Influência como
teólogo e pensador
Na história do pensamento ocidental, sendo muito
influenciado pelo platonismo e neoplatonismo,
particularmente por Plotino, Agostinho foi
importante para o batismo do pensamento
grego e sua entrada na tradição cristã, e
posteriormente na tradição intelectual européia.
Também importantes foram seus adiantados
escritos influenciadores sobre a vontade humana,
um tópico central na ética, e que se tornaram um
foco para filósofos posteriores, como
Schopenhauer e Nietzsche, mas ainda encontrando
eco na obra de Camus e Hannah Arendt (ambos os
filósofos escreveram teses sobre Agostinho).
É largamente devido à influência de Agostinho
que o cristianismo ocidental concorda com a
doutrina do pecado original, e a Igreja Católica
sustenta que batismo e ordenações feitos fora
dela podem ser válidos (a Igreja Católica Romana
reconhece ordenações feitas na Igreja Ortodoxa
Oriental e Ocidental, mas não nas igrejas
protestantes, e reconhece batismos de quase
todas as igrejas cristãs). Os teólogos católicos
geralmente concordam com a crença de Agostinho
de que Deus existe fora do tempo e no "presente
eterno"; o tempo só existe dentro do universo
criado.
O pensamento de Agostinho foi também basilar em
orientar a visão do homem medieval sobre a
relação entre a fé cristã e o estudo da
natureza. Ele reconhecia a importância do
conhecimento, mas entendia que a fé em Cristo
vinha a restaurar a condição decaída da razão
humana, sendo portanto mais importante.
Agostinho afirmava que a interpretação das
escrituras deveria ser feita de acordo com os
conhecimentos disponíveis, em cada época, sobre
o mundo natural. Escritos como sua interpretação
do livro bíblico do gênesis como o que
chamaríamos hoje de um "texto alegórico", vão
influenciar fortemente a Igreja medieval, que
terá uma visão mais interpretativa e menos
literal dos textos sagrados.
Tomás de Aquino tomou muito de Agostinho para
criar sua própria síntese do pensamento grego e
cristão. Dois teólogos posteriores que admitiram
influência especial de Agostinho foram João
Calvino e Cornelius Jansen. O Calvinismo se
desenvolveu como parte da teologia da Reforma,
enquanto que o Jansenismo foi um movimento
dentro da Igreja Católica; alguns jansenistas
entraram em divisão e formaram sua própria
igreja.
Agostinho foi canonizado por reconhecimento
popular e reconhecido como um doutor da Igreja.
Escritos
-
Da
Doutrina Cristã, 397-426
-
Confissões, 397-398
-
A
Cidade de Deus, iniciado c. de 413,
terminado 426.
-
Da
Trindade, 400-416
-
Enquirídio
-
Retratações
-
De
Magistro
-
Conhecendo a si mesmo
Cartas
-
Da
Catequese dos não instruídos
-
Da
Fé e do Credo
-
Fé
concernente às coisas que não se vêem
-
Do
benefício da crença
-
Do
Credo: Um sermão para catecúmenos
-
Da
continência
-
Da
bondade do casamento
-
Da
Santa Virgindade
-
Da
bondade da viuvez
-
Da
mentira
-
Para Consêncio: Contra a mentira
-
Do
trabalho dos monges
-
Da
paciência
-
Do
cuidado de ser tido pelos mortos
-
Da
Moral da Igreja Católica
-
Da
Moral dos Maniqueístas
-
Das duas almas, contra os Maniqueístas
-
Atos ou disputa contra Fortunato, o
Maniqueísta
-
Contra a Epístola de Maniqueu chamada
Fundamental
-
Resposta a Fausto o Maniqueísta
-
Concernente à Natureza de Deus, contra os
Maniqueístas
-
Do
Batismo, contra os Donatistas
-
Resposta às cartas de Petiliano, bispo de
Cirta
-
A
correção dos Donatistas
-
Méritos e remissão do pecado e batismo de
crianças
-
Do
Espírito e da carta
-
Da
Natureza e Graça
-
Da
perfeição e retidão do homem
-
Dos procedimentos de Pelágio
-
Da
graça de Cristo, e do pecado original
-
Do
casamento e concupiscência
-
Da
alma e sua origem
-
Contra duas cartas dos Pelagianos
-
Da
graça e livre arbítrio
-
Da
repreensão e graça
-
A
predestinação dos santos/Dom de perseverança
-
O
Sermão do Monte de Nosso Senhor
-
A
harmonia dos Evangelhos
-
Sermões sobre lições selecionadas do Novo
Testamento
-
Tratados sobre o Evangelho de João
-
Sermões sobre a Primeira Epístola de João
-
Solilóquios
-
As
enarrações, ou exposições, dos Salmos
Agostinho foi um autor prolífico em muitos gêneros --
tratados teológicos, sermões, comentários da
escritura, e autobiografia. Suas Confissões
são geralmente consideradas como a primeira
autobiografia; Agostinho descreve sua vida desde
sua concepção até sua então (com cerca de
cinqüenta anos) relação com Deus, e termina com
um longo excurso sobre o livro de Gênesis, no
qual ele demonstra como interpretar a escritura.
A consciência psicológica e auto-revelação da
obra ainda impressionam leitores.
No fim de sua vida (426-428?) Agostinho
revisitou seus trabalhos anteriores em ordem
cronológica e sugeriu que teria falado de forma
diferente numa obra intitulada Retrações,
que nos daria uma imagem considerável do
desenvolvimento de um escritor e seus
pensamentos finais, além de se arrepender de ter
utilizado demais de filósofos pagãos.