Este livro foi publicado por John Stott na
Inglaterra pela Inter-Varsity Press, em 1972.
Com o seguinte título, Your Mind Matters,
algo como “sua mente tem importância”. Já no
título ele apresenta sua tese principal. A
importância da mente racional na fé cristã.O primeiro
capítulo, Cristianismo de Mente Vazia, Stott
desafia a tendência antiintelectual de muitos
crentes. Baseados na filosofia secular do
pragmatismo de muitos crentes abandonam a
doutrina em busca da prática. Stott critica
esses crentes afirmando que toda boa doutrina
é sempre acompanhada de um ensino prático. Ele
cita três grupos que fazem isto: os católicos
(e acrescento, muitos evangélicos) que
ritualizam sua relação com Deus, mecanizando
sua relação com Deus. O segundo grupo, os
cristãos radicais que concentram suas energias
na ação social e na preocupação ecumênica. Se
bem que este grupo seja (ainda) pequeno no
evangelicalismo brasileiro, é uma postura
bastante comum entre os crentes britânicos.
Sua luta social esconde uma ignorância e
desprezo pela doutrina. O terceiro grupo
alistado por Stott, são os crentes
pentecostais. (esses nós temos de sobra!). a
busca incessante dos pentecostais por
experiências com Deus, os leva, geralmente, a
colocar o subjetivismo e o emocionalismo acima
da doutrina bíblica.
Para Stott “ são
válvulas de escape para fugir à
responsabilidade, dada por Deus, do uso
cristão de nossas mentes”.
O segundo
capítulo, Por que usar nossas mentes?. John
Stott apresenta sua defesa contra a postura
vazia dos ignorantes. Parte do mandato
evangelístico que Cristo nos deixou. O
evangelho deve ser proclamado utilizando a
razão humana. A motivação para isto, Stott
encontra na Criação. O ser humano foi criado
por Deus, um ser racional. Mesmo que esta
racionalidade tenha sido maculada pela Queda,
ainda assim, Deus se manifestou ao ser humano
em categorias racionais.
Segundo suas
palavras: “É certo que alguns chegaram à
conclusão oposta. Já que o homem é finito e
decaído, argumentam, já que não pode descobrir
a Deus através de sua mente, tendo Deus que se
revelar por Si, então a mente não é
importante. Mas não! A doutrina cristã da
revelação, ao invés de fazer da mente algo
desnecessário, na verdade a torna
indispensável e a coloca no seu devido lugar.
Deus se revelou por intermédio de palavras
às mentes humanas [1]. Sua revelação
racional a criaturas racionais. Nosso dever é
receber sua mensagem, submetermo-nos a ela,
esforçando-nos por compreendê-la e
relacionarmo-la com o mundo que vivemos.”
O terceiro
capítulo, a mente na vida cristã, o pastor
John Stott apresenta “os modos segundo os
quais Deus deseja que usemos nossas mentes”.
Ele alista seis áreas da vida cristã.
Ele fala do culto
cristão, lugar onde a mente do crente deve
estar ativa e empenhada em produzir frutos. A
fé é alistada logo em seguida. E Stott define
a fé como “uma confiança racional, uma
confiança que, em profunda reflexão e certeza,
conta com o fato que Deus é digno de todo
crédito”. A fé é uma ato de pensar.
Depois, ele alista
a terceira área da vida cristã. A busca da
santidade. Interessante a definição de Stott
para santo. Ser aquilo que Deus deseja que
sejamos. E não basta apenas saber o que
deveríamos ser, entretanto, temos que ir mais
além. Resolvendo em nossas mentes, a
alcançá-lo.
A quarta
característica, as escolhas que temos fazer
como cristãos. Stott fala sobre a
responsabilidade do crente conhecer a vontade
de Deus. então, ela apresenta uma distinção
que é bem típica de sua teologia. Existe uma
vontade de Deus geral e outra
particular. No comentário de Efésios,
também publicado pela ABU editora, ele expande
mais este pensamento. Deus nos escolheu para
sermos conforme à imagem de Jesus (Rm 8:29),
esta é a vontade geral. No caso da
particular, Deus nos orienta a fazer
as escolhas certas. Para cada situação
específica. E como a Bíblia não é um livro de
receitas, mas um livro de princípios, o crente
deve usar a sua mente para discernir o melhor
caminho para sua vida.
O quinto exemplo
apresentado tem haver com a evangelização.
Stott lembra-nos que a apresentação do
evangelho deve ter um conteúdo sólido. A
mensagem cristã não deve ser baseada no
emocionalismo, mas deve ser profunda. Stott se
baseia em Paulo para afirmar que nossa
mensagem alcança o intelecto do homem. Em
seguida ele nos apresenta a tese de que a
conversão, é uma conversão a uma verdade.
Uma proposição intelectual.
O sexto e último
exemplo são os ministérios e seus dons.
Parece-me que para muitos crentes hoje em dia,
falar em dons espirituais nada tem haver com o
uso da mente. Mas, Stott acredita que sim. Os
dons espirituais não excluem o uso da nossa
mente. O ministério cristão é essencialmente
de ensino, e este ensino que fundamenta a
nossa fé vem como capacitação espiritual e
sobrenatural.
O último capítulo,
4, intitulado Aplicando o Nosso Conhecimento,
é a conclusão deste (grande) pequeno livro.
Stott apresenta um resumo do que ele vinha
falando até então e nos desafia a aplicar o
que aprendemos com ele nesta (curta, porém
profunda) caminhada. Este conhecimento deve
nos conduzir a certas atitudes. Stott
apresenta 4.
O conhecimento
deve conduzir-nos a adoração, à fé, à
santidade e ao amor. E ele conclui dizendo:
“O conhecimento é
indispensável à vida e ao serviço cristãos. Se
não usamos a mente que Deus nos deu,
condenamo-nos à superficialidade espiritual,
impedindo-nos de alcançar muitas riquezas da
graça de Deus. Ao mesmo tempo, o conhecimento
nos é dado para ser usado, para nos levar a
cultuar melhor a Deus, nos conduzir a uma fé
maior, a uma santidade mais profunda, a um
melhor serviço. Não é de menos conhecimento
que precisamos, mas sim de mais conhecimento,
desde que o apliquemos em nossa vida”.
(resenhado
por Isaias Lobão P. Jr.)