JÓ
E SEUS AMIGOS
C.H.MACKINTOSH



JÓ E SEUS AMIGOS
C.H.MACKINTOSH
O
livro de Jó ocupa um lugar muito particular na
Palavra de Deus. Ele tem um caráter totalmente
próprio, e ensina lições que não vamos achar em
nenhuma outra parte do inspirado Volume. Não é o
nosso propósito abordar a questão da
autenticidade deste precioso livro nem aportar
as provas da sua divina inspiração. Estas coisas
temos por certas; e não temos a menor dúvida em
quanto à sua veracidade, por quanto deixamos
tais provas em mãos mais capazes. Recebemos o
livro de Jó como parte das Sagradas Escrituras
e, por tanto, para proveito e bênção do povo de
Deus. Não precisamos de provas para nós, nem
pretendemos oferecer nenhuma delas aos nossos
leitores.
E cabe agregar ainda que não
temos intenções de entrar em investigações a respeito da autoria deste livro,
tema que, por muito interessante que seja, cremos se trate de um assunto
puramente secundário. Recebemos o livro como procedente de Deus, e isto nos
basta. Cremo de todo coração que é um escrito inspirado, e sentimos que não nos
incumbe discutir a questão referente a onde, quando e por quem foi escrito.
Resumindo, nos propomos, com a
ajuda do Senhor, oferecer ao leitor alguns pensamentos simples e práticos sobre
este livro, o qual cremos que requer de um estudo mais profundo para poder ser
melhor compreendido. Queira o Espírito eterno —o Autor do livro— explicá-lo e
aplicá-lo a nossas almas!

Sobre o Autor:

Charles Henry Mackintosh, cujos iniciais “C.H.M.” são bem conhecidos por muitos
cristãos no mundo inteiro, nasceu em Outubro de 1820, em Glenmalure Barracks, no
condado de Wicklow, Irlanda. O seu pai era Capitão e servira no “Highlanders’
Regiment” na Irlanda. A sua mãe era a filha de Lady Weldon e procedia de uma
antiga família natural da Irlanda.
Com a idade de 18 anos, ele experimentou um
despertamento espiritual mediante cartas escritas pela sua irmã após a conversão
dela. Recebeu a paz de Deus por meio da leitura do artigo de John Nelson Darby,
“As operações do Espírito Santo”. Tornou-se especialmente importante para ele o
facto da base da paz com Deus não ser a obra de Cristo em nós, mas para nós.
Enquanto jovem cristão, aceitou emprego num negócio em Limerick. Lia muito a
Palavra de Deus e ocupava-se assiduamente com diversos estudos.
No ano de 1844, abriu uma escola particular em Westport
e, dedicou-se com grande empenho ao trabalho educativo.
A sua postura espiritual era caracterizada pelo desejo
de dar a Cristo o primeiro lugar na sua vida, sem limitação alguma, e de
considerar a obra d'Ele como a coisa principal. Quando, porém, notou em 1853 que
o trabalho na escola o ocupava de tal forma que ameaçava tornar-se no seu
interesse principal, desistiu dessa ocupação.
Na sequência desta decisão, foi a Dublin onde entrou em
contacto com John Gifford Bellet e outros irmãos.
Começou, então, a anunciar a Palavra de Deus
publicamente tanto a crentes como a incrédulos.
Nessa época já começara a escrever os seus pensamentos
sobre os cinco livros de Moisés — o Pentateuco. Nos anos seguintes, surgiriam os
estudos sobre todos os cinco livros do Pentateuco. Estes livros, caracterizados
por um espírito assaz evangelístico, passaram a ser publicados em altas tiragens
nos anos que se seguiram.
O seu amigo Andrew Miller escreveu um prefácio para
esses volumes, onde diz com toda a razão: “A total perversão do ser humano por
meio do pecado e a perfeita salvação de Deus em Cristo são apresentadas
pormenorizada, clara e precisamente”.
Como interpretador C. H. Mackintosh possuía um estilo
de fácil compreensão. Sabia expressar os seus pensamentos poderosamente. Algumas
das suas interpretações talvez, à primeira vista, tenham parecido estranhas a
muitos salvos, porém foram de grande ajuda a muitos leitores até hoje, por causa
da sua fidelidade à Palavra de Deus e confiança em Cristo.
Além do seu ministério de escritor, também anunciou e
defendeu por muitos anos o Evangelho e a verdade cristã, e Deus reconheceu
claramente o seu serviço.
Quando a Irlanda experimentou um grande movimento de
despertamento nos anos 1859 a 1860, ele também esteve muito envolvido e ativo.
Os primeiros volumes anuais da sua revista “Things New
and Old” (“Coisas Novas e Velhas”) contêm muitos testemunhos dessa atividade.
C. H. Mackintosh iniciou essa revista mensal em 1858 em conjunto com o seu amigo
Andrew Miller. Durante décadas foi uma fonte de ensino e edificação para os
crentes. Alguns dos artigos contidas nela foram traduzidos e publicados no
“Botschafter des Heils in Christo” (“Mensageiro da Salvação em Cristo” —
revista Alemã).
No ano de 1880, C. H. Mackintosh passou a sua
atividade de editor da revista “Things New and Old” a Charles Stanley, que foi
colaborador até ao ano de 1890.
C. H. Mackintosh foi um grande homem de fé sempre
pronto a testemunhar que Deus o levou a passar muitas vezes por provas, porém
nunca o deixando passar necessidade, enquanto O serviu no Evangelho sem qualquer
ordenado de trabalho secular.
É difícil valorizar as consequências dos seus escritos.
Cartas de todos os lugares do mundo chegaram até ele, expressando gratidão e
reconhecimento pelas suas explicações sobre o Pentateuco.
Dwight L. Moody e C. H. Spurgeon confessaram que deviam
muitas coisas aos escritos de C. H. Mackintosh.
Moody escreveu: “C. H. Mackintosh teve a maior
influência sobre mim”.
Assim como “As notas sobre o Pentateuco”, também os
seis volumes “Miscellaneous Writings” (“Escritos Miscelânicos”), foram sempre
reeditados. É um facto interessante na vida de C. H. Mackintosh, que o seu
primeiro artigo intitulava-se “A Paz de Deus” e que poucos meses antes do seu
falecimento enviou um manuscrito ao seu editor com o título “O Deus da Paz”.
Os últimos quatro anos da sua vida, passou em
Cheltenham, de onde continuou o seu ministério escrito. Ele teve que parar com o
seu serviço de pregação oral devido à idade.
Em 2 de Novembro de 1896 partiu em paz para estar com o
Seu Senhor. Quatro dias depois, foi sepultado ao lado da sua querida esposa.
Muitos foram ao seu funeral. O Dr. Walter T. P. Wolston,
de Edinburgh, pregou, baseado em Gênesis 25:8-10 e Hebreus 8:10, sobre o
sepultamento de Abraão. No fim os reunidos cantaram o belo hino da autoria de
John Nelson Darby:
“O bright and blessed scenes,
Where sin can never come;
Whose sight our longing spirits weans
From earth where yet we roam.”
A tradução é:
“Ó abençoadas
paisagens deslumbrantes,
Em que o pecado nunca pode entrar;
Cuja visão desprende os nossos espíritos anelantes
Desta terra, em que ainda estamos a andar."

Fonte:http://www.iqc.pt/biografias/charles-henry-mackintosh-1820-1896.html
