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SÊ PERFEITO

Andrew Murray

 

SÊ PERFEITO

Andrew Murray

      Se alguém tomar nas mãos este pequeno volume com a idéia de encontrar uma teoria de perfeição exposta ou defendida, ficará desapontado. O meu objetivo tem sido muito diferente ao escrevê-lo. O que tenho desejado é repassar a Palavra de Deus em companhia de meus leitores, observando as principais passagens em que ocorre a palavra “perfeito,” e em cada caso buscando descobrir no contexto qual a im­pressão que se desejava transmitir. É somente quando nos rendemos de modo simples, e em oração, per­mitindo que as palavras das Escrituras assumam to­do o seu vigor, que seguimos pelo caminho certo, combinando os diferentes aspectos da verdade para formar um todo harmonioso.
Entre os pensamentos que me têm impressiona­do, especialmente nessas meditações, e que confio obterão o assentimento de meus leitores, os principais são os seguintes:
1. Há uma perfeição que as Escrituras ensinam ser possível e atingível
Pode haver, e de fato há, grande diversidade de opinião sobre como esse ter­mo deva ser definido. Mas só pode haver uma opinião quanto ao fato que Deus espera que Seus filhos sejam perfeitos em Sua presença; que Ele prometa perfeição como Sua própria obra; e que as Escritu­ras se referem a certos homens que foram perfeitos perante o Senhor, tendo servido a Ele de coração perfeito. As Escrituras falam de uma perfeição que é ao mesmo tempo nosso dever e nossa esperança.
2. Para saber o que seja essa perfeição, temos de começar aceitando a ordem do Senhor, obedecendo-a de todo o coração.
Nossa tendência natural segue a direção justamente oposta. Queremos discutir e definir o que seja perfeição, compreendendo como essa ordem pode ser conciliada com nossa profunda convicção de que nenhum homem pode ser perfeito, a fim de providenciar as medidas necessárias para enfrentar todos os perigos que, estamos certos, serão encontrados nessa busca.
3. A perfeição não é uma exigência arbitrária; devido a natureza das coisas, Deus não pode pedir menos.
E isso é verdade quer pensemos sobre Ele, quer sobre nós mesmos. Se pensarmos naquele que, sendo Deus, criou o universo para Si mesmo e para Sua glória, que é o único capaz de enchê-lo de Sua felicidade e amor, vemos quão impossível é para Deus permitir que qual­quer outra coisa compartilhe consigo do coração humano. Deus deve ser tudo e possuir tudo. Na qualidade de Legislador e Juiz, Ele não se contenta com nada menos que a perfeição absoluta. Na qualidade de Redentor e Pai, igualmente Lhe convém reclamar nada menos que uma perfeição real. Deus precisa possuir tudo.
4. A perfeição, como o mais alto alvo do que Deus, em Seu grande poder, faria por nós, é algo tão divino, espiritual e celeste que somente a alma que se entrega ternamente à orientação do Espírito Santo pode esperar conhecer sua bem-aventurança.
Deus implantou em cada coração humano um profundo desejo de perfeição.
Esse desejo se mani­festa na admiração que todos os homens têm pela excelência nos diferentes objetos ou empreendimen­tos aos quais dão valor. No crente que se entrega completamente a Deus, esse desejo se apega às maravilhosas promessas de Deus, e inspira uma oração como a de McCheyne: “Senhor, torna-me tão santo como um pecador perdoado pode sê-lo.”
Na esperança de que essas meditações despretensiosas ajudem alguns dos filhos de Deus a pros­seguir até a perfeição, entrego as mesmas e a mim mesmo ao bendito ensino e guarda do Pai. (Andrew Murray) 

  

Sobre o Autor:

     Andrew Murray nasceu na África do Sul, em 9 de maio de 1828, e morreu em 1917. Seu pai era pastor vinculado à Igreja Presbiteriana da Escócia, que, por sua vez, mantinha estreita relação com a Igreja Reformada da Holanda, o que foi impor­tante para impressionar Murray com o fervoroso es­pírito cristão holandês. Andrew experimentou o novo nascimento aos 16 anos, na Holanda. Após isso, dedi­cou muito tempo, muitas madrugadas, a orar por um avivamento em seu país e a ler sobre experiências desse tipo ocorridas em outros países.

Foi para a Inglaterra com 10 anos e quando re­tornou para a África do Sul como pastor e evange­lista, levou consigo um reavivamento que abalou o país. Seu ministério enfatizava especialmente a ne­cessidade de os cristãos habitarem em Cristo. Isso foi despertado especialmente quando, ao voltar para a África, deparou-se com a grande extensão geográ­fica em que deveria ministrar. Aí começou a sentir necessidade de uma vida cristã mais profunda. Murray aprendeu suas mais preciosas lições espirituais por meio da Escola do Sofrimento, principalmente após uma séria enfermidade. Sua filha testificou que, após essa doença, seu pai manifestava "constante ternu­ra, serena benevolência e pensamento altruísta". Essa foi uma expressão de sua fé simples em Cristo e a Ele rendida.

Seu ministério, pela influência recebida do pai, foi caracterizado por profunda e ardente espirituali­dade e por ação social. Em 1877, viajou pela primeira vez aos Estados Unidos e participou de muitas con­ferências de santidade nos EUA e na Europa. Sua teologia era conservadora, e se opunha francamente ao liberalismo. Em seus livros, enfatizou a consagra­ção integral e absoluta a Deus, a oração e a santidade.

Durante os últimos 28 anos de sua vida, foi considerado o pai do Movimento Keswick da África do Sul. Muito dos aspectos místicos de sua obra deve-se à influência de William Law. Murray, assim como Law, Madame Guyon, Jessie Penn-Lewis e T. Austin-Sparks, experimentou o Senhor de forma muito profunda ese tornou um dos mais proeminentes no movimento da vida interior

Foi acometido de uma infecção na garganta em 1879, a qual o deixou sem voz por quase dois anos. Foi curado dela na casa de uma família cristã em Lon­dres. Como resultado dessa experiência, veio a crer que os dons miraculosos do Espírito Santo não se limitavam à igreja primitiva. Para ele, uma das caracte­rísticas da vida vitoriosa era uma profunda e silencio­sa percepção de Deus e uma intensa devoção a ele.

Por crer no que Deus pode fazer por meio da obra de literatura, Murray escreveu mais de 250 li­vros e inúmeros artigos. Sua obra tocou e toca a Igre­ja no mundo inteiro por meio de escritos profundos, incluindo The Spirit of Christ (O Espírito de Cristo), The Holiest of All (O Mais Santo de Todos), With Christ in the School ofPrayer (Com Cristo na Escola de Oração), Abide in Christ (Habite em Cristo), Raising Your Childrenfor Christ (Criando Seus Filhos para Cris­to) e Humility (Humildade), os quais são considerados clássicos da literatura cristã. Entre tantos que foram ajudados por ele, podemos mencionar Watchman Nee, cujas obras O Homem Espiritual e O Poder Latente da Alma trazem marcas do pensamento de Murray.

     

 

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