|
SEP – SEMINÁRIO EVANGÉLICO DE PATOS
CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA
PREDESTINAÇÃO
VISÃO CALVINISTA E VISÃO ARMINIANA
DISCIPLINA – TEOLOGIA SISTEMÁTICA I
Sem. Edson Poujeaux Gonçalves
Professor: Pr. Valteildo
PATOS – PB -
MAIO DE 2005
PREDESTINAÇÃO
VISÃO CALVINISTA E VISÃO ARMINIANA
PREDESTINAÇÃO
VISÃO CALVINISTA E
VISÃO ARMINIANA
2 - INTRODUÇÃO
2.1 – O
Dimensionamento da Problemática Levantada:
Quais os
pontos da doutrina Calvinista sobre a Predestinação? Quais os pontos do
Arminianismo sobre a Predestinação? Quais as diferenças entre uma linha
doutrinária e outra?
2.2. – Objetivos da
Pesquisa:
Nosso objetivo é apresentar RESPOSTAS às perguntas acima formuladas.
2.3. - Justificativas
-
Dentro do tema geral “PREDESTINAÇÃO”, pretendemos aqui encontrar respostas às
perguntas acima, como forma de aprofundarmos o conhecimento e entendimento sobre
o tema, tão necessário nessa etapa de nossa formação acadêmica no Seminário
Evangélico de Patos - SEP.
2.4. - Métodos e
Procedimentos Utilizados Para Coleta de Dados:
Utilizamos,
para a coleta de dados, material colhido em vários sites da Internet, conforme
consta na seção “Referências Bibliográficas”.
3. – APRESENTAÇÃO E
ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS
3.1. –
Desenvolvimento do tema
3.1.1. – Quem
foi João Calvino?
Calvino nasceu na pequena cidade de Noyon, na França, em 10 de junho de 1509,
quando Lutero já havia ditado suas primeiras conferências na Universidade de
Wittenberg. Seu pai pertencia à classe média da cidade e trabalhava
principalmente como secretário do bispo e procurador da biblioteca da catedral.
Fazendo uso de tais conexões, procurou para seu filho os benefícios
eclesiásticos com os quais custeasse seus estudos.
Com esses recursos, Calvino foi estudar em Paris, onde conheceu tanto o
humanismo como a reação conservadora que se lhe opunha. A discussão teológica
que tinha lugar nos seus dias levou-o a conhecer as doutrinas de Wyclif, Huss e
Lutero. Porém, segundo ele mesmo disse: "estava obstinadamente atado às
superstições do papado".
Em 1529 completou seus estudos em
Paris, ao obter o grau de Mestre em Artes, e decidiu dedicar-se à
jurisprudência. Com esse propósito, continuou seus estudos em Orleans e em
Bourges, sob a orientação dos dois mais célebres juristas daquela época: Pierre
de I'Estoile e Andrea Alciati. O primeiro seguia os métodos tradicionais no
estudo e na interpretação das leis, enquanto o segundo era um humanista elegante
e talvez algo vaidoso. Quando houve um debate entre ambos, Calvino interveio em
favor do primeiro. Isto é importante porque indica que, ainda nesses tempos em
que começava a desejar cultivar um espírito humanista, ele não sentia simpatias
pela elegância vã de que freqüentemente se viam possuídos alguns dos mais
famosos humanistas.
Não se sabe o motivo certo que levou Calvino a abandonar a fé romana, nem a data
exata em que isso ocorreu. Diferentemente de Lutero, Calvino nos diz muito pouco
sobre o estado interior de sua alma. Porém o mais provável parece ser que, no
meio do círculo de humanistas que freqüentava e através de seus estudos das
Escrituras e da Antigüidade cristã, Calvino chegou à convicção de que teria de
abandonar a comunhão romana e seguir o caminho dos protestantes.
Em 1534, se apresentou em sua cidade natal e renunciou aos benefícios
eclesiásticos que seu pai havia conseguido e que eram a sua principal fonte de
sustento econômico. Se ele já estava decidido neste momento, a abandonar a
igreja romana, ou se esse ato foi simplesmente um passo a mais na sua
peregrinação espiritual, nos é impossível saber. O fato é que em outubro de 1534
Francisco I, até então relativamente tolerante com os protestantes, mudou sua
política e, em janeiro seguinte, Calvino se exilava na cidade protestante de
Basiléia.
Calvino sentia-se chamado a dedicar-se ao estudo e às obras literárias. Seu
propósito não era de modo algum chegar a ser um dos líderes da Reforma, mas sim
encontrar um lugar tranqüilo onde pudesse estudar as Escrituras e escrever sobre
a nova fé. Pouco antes de chegar a Basiléia, havia escrito um breve tratado
sobre o estado das almas dos mortos antes da ressurreição. Segundo ele encarava
sua própria vocação, sua tarefa consistiria em escrever outros tratados como
esse, que serviriam para aclarar a fé da igreja numa época de tanta confusão.
Portanto, seu principal projeto era um breve resumo da fé cristã do ponto de
vista protestante. Até então, quase toda literatura protestante, chegava pela
urgência da polêmica, e assim tratava somente dos pontos em discussão, e havia
dito pouca coisa sobre outras doutrinas fundamentais do cristianismo, como por
exemplo a Trindade, a Encarnação, etc. O que Calvino se propunha então era
cobrir esse vazio com um breve manual ao qual deu o título de "Institutas da
Religião Cristã".
A
primeira edição surgiu em Basiléia, no ano de 1536. Era um livro de 516 páginas,
porém de formato pequeno, de modo que cabia facilmente nos amplos bolsos que se
usavam antigamente, e podia, destarte, circular dissimuladamente pela França.
Constava de apenas seis capítulos. Os primeiros quatro tratavam sobre a lei, o
Credo, o Pai Nosso e os sacramentos. Os últimos dois, de tom mais polêmico,
resumiam a posição protestante com respeito aos "falsos sacramentos" romanos e a
liberdade cristã.
O
êxito desta obra foi imediato e surpreendente. Em nove meses se esgotou a
edição, que, por estar em latim, era acessível a leitores de diversas
nacionalidades.
A
partir de então, Calvino continuou preparando edições sucessivas das Institutas
que foi crescendo segundo iam passando os anos. As diversas polêmicas da época,
as opiniões de vários grupos que Calvino considerava errados e as necessidades
práticas da igreja, foram contribuindo para o crescimento da obra, de tal
maneira que para seguirmos o curso do desenvolvimento teológico de Calvino e das
polêmicas em que se envolveu, bastaria comparar as edições sucessivas das
Institutas, o que não é possível fazer aqui.
Foram editadas cerca de nove vezes, sendo que as últimas edições datam de 1559 e
1560. Este texto definitivo dista muito de ser o pequeno manual de doutrina que
Calvino tinha tido em mente publicar quando da primeira edição, pois os seis
capítulos de 1536 se haviam transformado em quatro livros com um total de
oitenta capítulos. O primeiro livro trata sobre Deus e sua revelação, assim como
da criação e da natureza do ser humano, porém sem incluir a queda e a salvação.
O segundo livro trata sobre Deus como redentor e o modo em que se nos dá a
conhecer primeiramente no Antigo Testamento, e depois em Jesus Cristo. O
terceiro livro trata sobre como, pelo Espírito, podemos participar da graça de
Jesus Cristo e dos frutos que Ele produz. Por último, o quarto livro trata dos
"meios externos" para essa participação, isto é, fala-nos sobre a igreja e os
sacramentos. Por toda obra se manifesta um conhecimento profundo, não só das
Escrituras, mas também de antigos escritores cristãos, particularmente
Agostinho, e as controvérsias teológicas do século XVI. Sem dúvida alguma, esta
foi a obra-prima de teologia sistemática protestante em todo esse século.
Mas , na realidade, Calvino não tinha a menor intenção de se dedicar ativamente
à obra de reformador. Pois mesmo sentindo grande admiração por aqueles que assim
fizeram, seu maior desejo era o de poder se dedicar ao estudo e a literatura
reformada, não se vendo como pastor ou mesmo capacitado para tal obra.
Seu objetivo era de se estabelecer em Estrasburgo, onde a causa reformadora
havia triunfado, e onde havia uma grande atividade teológica e literária que lhe
parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos.
Mas, quando para lá se dirigia, teve de desviar seu caminho e passar por
Genebra, em virtude de uma guerra. A situação em Genebra diferia em muito da de
Estrasburgo, pois era muito confusa, tendo em vista a recém-chegada fé reformada
levada por Guilherme Farel e um grupo de missionários advindo de Berna, que
necessitava muito de ajuda para conduzir a vida religiosa na cidade.
Calvino chegou a Genebra com a intenção de passar ali, não mais que um dia, e
prosseguir caminho para Estrasburgo. Porém, alguém avisou a Farel da presença de
Calvino, o autor das Institutas, que logo foi procurado e com quem obteve uma
entrevista marcante.
Farel, que "ardia com um maravilhoso zelo pelo avanço do evangelho", apresentou
a Calvino várias razões pelas quais precisava de sua presença em Genebra.
Calvino escutou atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que
ele, porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projetado certos
estudos e que não lhe parecia possível terminá-los na situação em que Farel
descrevia. Quando por fim Farel tinha esgotado todos os seus argumentos, sem
conseguir convencer ao jovem teólogo apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra
o teólogo com voz estridente: "Deus amaldiçoe teu descanso e a tranqüilidade
que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te
negas a prestar socorro e ajuda".
Diante de tal imprecação, nos conta Calvino: "essas palavras me espantaram e
me quebrantaram e desisti da viagem que tinha empreendido". E assim começou
a carreira de João Calvino como reformador de Genebra.
Mesmo que de início Calvino aceitasse simplesmente permanecer na cidade, e
colaborar com Farel, logo sua habilidade teológica, seu conhecimento da
jurisprudência e seu zelo reformador fizeram dele o personagem central da vida
religiosa da cidade, enquanto que Farel gostosamente se tornava um seu
colaborador.
Porém, nem todos estavam dispostos a seguir o caminho da reforma que Calvino e
Farel haviam traçado. E quando começaram a exigir que se seguissem
verdadeiramente os princípios protestantes, muitos dos burgueses que haviam
apoiado a ruptura com Roma começaram a oferecer-lhes resistência, ao mesmo tempo
que faziam chegar a outras cidades protestantes da Suíça rumores sobre supostos
erros dos reformadores genebrinos. O conflito se travou finalmente em torno do
assunto do direito da excomunhão. Calvino insistia em que, para que a vida
religiosa se conformasse verdadeiramente aos princípios reformadores, era
necessário excomungar os pecadores impenitentes. Diante do que pareceu um rigor
excessivo, o governo da cidade se negou a seguir os conselhos de Calvino.
Posteriormente, o conflito foi tal que Calvino foi desterrado. O fiel Farel, que
poderia permanecer na cidade escolheu antes o exílio que se tornar um
instrumento dos burgueses, que queriam uma religião com toda sorte de liberdade
e poucas obrigações.
Calvino viu nisso tudo uma porta que o céu lhe abria para continuar sua vida de
estudos e retiro, que havia projetado, e se dirigiu a Estrasburgo. Porém nessa
cidade o chefe do movimento reformador, Martinho Bucero, também não o deixou em
paz. Havia ali um forte contingente de franceses, exilados por motivos
religiosos, carentes de direção pastoral, e Bucero fez com que Calvino se
encarregasse deles. Foi aí então que o nosso teólogo produziu uma liturgia
francesa e traduziu vários salmos e outros hinos, para que fossem cantados pelos
franceses exilados. Além disso produziu a Segunda edição das Institutas, e se
casou com a viúva Idelette de Bure, com quem foi feliz até que a morte o levou
em 1564.
Os três anos que Calvino passou em Estrasburgo foram provavelmente os mais
felizes e tranqüilos de sua vida. Porém apesar disso, lhe doía sempre não ter
podido continuar a obra reformadora em Genebra, por cuja igreja sentia um grande
amor e responsabilidade. Portanto, quando as circunstâncias mudaram na cidade
suíça e o governo o convidou a regressar, Calvino não vacilou e uma vez mais
ficou com a responsabilidade da obra reformadora em Genebra.
Foi em meados de 1541 que Calvino regressou a Genebra. Uma de suas primeiras
ações foi redigir as “Ordenanças Eclesiásticas”, que foram aprovadas
poucos meses depois pelo governo da cidade, se bem que com algumas emendas.
Segundo se estabelecia nelas, o governo da igreja ficava principalmente nas mãos
do Consistório, que era formado pelo pastores e por doze leigos que recebiam o
nome de "anciãos". Visto que os pastores eram cinco, os leigos eram a maioria no
Consistório. Porém, apesar disso, o impacto pessoal de Calvino era tal que quase
sempre esse corpo seguia suas orientações e seus desejos.
Em 1559 Calvino viu cumprir-se um de seus sonhos, ao ser fundada a Academia de
Genebra, sob a direção de Teodoro de Beza, que depois sucedeu Calvino como chefe
religioso da cidade. Naquela academia se formou a juventude genebrina segundo os
princípios calvinistas, Porém seu principal impacto se deve a que nela cursaram
estudos superiores pessoas procedentes de vários outros países, que depois
levaram o calvinismo a eles.
3.1.2. – Quem
foi Jacob Arminius?
Seu nome verdadeiro era Jacob Harmensen, Hermansz, ou ainda Harmenszoon
(1560-1609), holandês, teólogo e ministro da Igreja Reformada Holandesa que se
opôs ao dogma da predestinação e desenvolveu sua própria doutrina conhecida
depois como arminianismo.
Seu pai faleceu quando Arminius era criança; dois benfeitores custearam seus
estudos sucessivamente na escola primária e depois nas universidades de Leiden
(1576-1582), Basel e Geneva (1582-1586). Foi ordenado em Amsterdã em 1588, onde
se casou. Em 1603 Arminius foi convidado para uma cadeira de teologia em Laiden,
que ele manteve até sua morte.
Pôs-se contra seu colega Franciscus Gomarus, o qual pregava que “aqueles
eleitos para a salvação já estavam escolhidos por Deus antes da queda de Adão”.
Essa predestinação, - dogma professado pelo Calvinismo mais radical -,
não deixava espaço para a misericórdia de Deus, nem para a vontade humana
para alcançar a salvação.
Então, Arminius passou a afirmar uma eleição condicional, na qual a oferta
divina da salvação poderia ser ou não afetada pela vontade livre do homem.
Após sua morte, alguns de seus seguidores deram apoio a suas teses assinando a
"Remonstrance", um documento teológico, assinado em 1610, por 45 ministros e
submetido aos Estados Gerais.
O
ponto crucial do arminianismo é que a dignidade humana requer uma total
liberdade de vontade.
O
arminianismo “remonstrante” foi debatido em 1618-1619, no sínodo de Dordrecht,
uma assembléia da Igreja Reformada Holandesa, no qual todos os delegados eram
seguidores de Gomarus.
Ali, o arminianismo foi desacreditado e condenado pelo sínodo, os arminianos
presentes foram expulsos, e muitos outros sofreram perseguição.
Em 1629, no entanto, os trabalhos de Arminius (Opera theologica) foram
publicados pela primeira vez em Leiden, e por volta de 1630 a Irmandade
Remonstrante conseguiu tolerância. Foi finalmente reconhecida oficialmente na
Holanda em 1795.
4.
CALVINISMO x
ARMINIANISMO
4.1. - O CALVINISMO - O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico da
Reforma protestante, exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). Seu
sistema de interpretação bíblica pode ser resumido em cinco pontos, conhecidos
como "os 5 pontos do Calvinismo" (TULIP em inglês):
1 - Total Depravity (Depravação total) - Todos os homens
nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em
questões espirituais;
2 - Unconditional Election (Eleição incondicional) -
Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de
pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé
prevista neles;
3 - Limited Atonement (Expiação limitada) - Jesus Cristo
morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;
4 - Irresistible Grace - (Graça Irresistível) - A Graça
de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba
convencendo e infundindo a fé salvadora neles;
5 - Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos) -
Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá
a salvação.
4.2. O
ARMINIANISMO - O Arminianismo é o sistema de Teologia formulado por Jacobus
Arminius (1560-1609), teólogo da Igreja holandesa, que resolveu refutar o
sistema de Calvino.
Armínio apresentou seu sistema em 5 pontos:
1 - Capacidade humana, Livre-arbítrio - Todos os homens
embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que
Deus oferece;
2 - Eleição condicional - Deus elegeu os homens que ele
previu que teriam fé em Cristo;
3 - Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos os
homens e não somente pelos eleitos;
4 - Graça resistível - Os homens podem resistir à Graça
de Deus para não serem salvos;
5 - Decair da Graça - Homens salvos podem perder a
salvação caso não perseverem na fé até o fim.
Como vimos anteriormente, o sistema teológico de Armínio foi derrotado no Sínodo
de Dort em 1619, na Holanda, por ser considerado antibíblico.
Mas, por incrível que possa parecer, hoje o Arminianismo é o sistema teológico
adotado pela maior parte das igrejas evangélicas. Até as seitas e o Catolicismo
Romano também rejeitam o Calvinismo.
4.3. -
Abaixo, para melhor compreensão, uma tabela comparativa entre os dois sistemas
teológicos:
|
ARMINIANISMO X CALVINISMO
|
|
Categoria |
Arminianismo |
Calvinismo |
|
|
1. Livre-Arbítrio ou Capacidade Humana |
1. Incapacidade Total
ou
Depravação Total |
|
Depravação Total |
Embora a queda de Adão
tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num
estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se
e crer, por livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O
pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer,
porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.
(Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10) |
O homem natural não pode
sequer apreciar as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego,
surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado,
insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo-lhe
a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural
continuará morto eternamente.
(Sl
51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13) |
|
|
2. Eleição Condicional |
2. Eleição Incondicional |
|
Eleição Incondicional |
Deus escolheu as pessoas
para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência.
Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos.
A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem
escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em
Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não
quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
(Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20;
22:17) |
Deus elegeu alguns para
a salvação em Cristo, reprovando os demais. Aos eleitos Deus manifesta a
Sua misericórdia e aos reprovados a Sua justiça. Deus não tem a
obrigação de salvar ninguém, nem homens nem anjos decaídos. Resolveu
soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e
torná-los filhos adotivos quando eram filhos das trevas. Teve
misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os
demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é
efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de Deus ao
homem, não do homem a Deus.
(Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16;
11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4) |
|
|
3. Redenção Universal ou Expiação Geral |
3. Redenção Particular ou Expiação Limitada |
|
Expiação Limitada |
O sacrifício de Cristo
torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não
assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos os que
crêem, serão salvos.
(Jo 3:16; 12:32;
17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2) |
Segundo Agostinho, a
graça de Deus é "suficiente para todos, eficiente para os eleitos".
Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo.
Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem
entrar, e efetivamente entram.
(Jo
17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5) |
|
|
4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito Santo |
4. A Vocação Eficaz do Espírito
ou
Graça Irresistível |
|
Graça
Irresistível |
Deus faz tudo o que pode
para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos
apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não
pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem
irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.
(Lc 18:23;
19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19) |
Embora os homens possam
resistir à graça de Deus, ela é, todavia, infalível: acaba convencendo o
pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e
santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um
rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se
com ele, livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se
perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação.
Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão,
outros demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos,
porém, agem livremente.
(Jr. 3:3; 5:24;
24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb
12:2) |
|
|
5. Decair da Graça |
5. Perseverança dos Santos |
|
Perseverança dos Santos |
Embora o pecador tenha
exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na
santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é
que será salvo.
(Lc 21:36; Gl
5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2Pe 2:20-22) |
Alguns preferem dizer
"perseverança do Salvador". Nada há no homem que o habilite a perseverar
na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera
pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do
crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e ressuscitou: Cristo lhe
aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé
em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação
é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é
impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá
até pecar e morrer fisicamente (1Co 5:1-5). Os apóstatas nunca nasceram
de novo, jamais se converteram.
(Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3;
Hb 7:25) |
|
|
Rejeitado pelo Sínodo de Dort
Este foi o sistema de pensamento contido na "Remonstrância" (embora
originalmente os cinco pontos não estivessem dispostos nessa ordem).
Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à Igreja na Holanda em
1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619 sob a justificativa
de que era antibíblico. |
Reafirmado pelo Sínodo de Dort
Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como
sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras Sagradas. Naquela
ocasião, o sistema foi formulado em "cinco pontos" (em resposta aos
cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem sido
conhecido como "os cinco pontos do calvinismo". |
Para facilitar o desenvolvimento do assunto, quero basear-me em sete
declarações, com base na Palavra de Deus, elaborados na forma de enunciados:
Primeiro enunciado:
Deus oferece salvação indistintamente a todas as pessoas. Duas passagens
bíblicas são fundamentais neste sentido. A primeira é de Tito 2.11-14, que
começa assim: "Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos
os homens...". Com esta passagem, corrobora 1 Timóteo 2.3-6, que diz que Deus
deseja que todos os homens sejam salvos.
O raciocínio para analisar este enunciado é o seguinte: Quantas pessoas Deus
quer salvar?
A quantas pessoas Deus trouxe salvação?
A resposta é que Deus trouxe salvação a todos os homens. Se for a todos, não
pode ser a um grupo de privilegiados.
Segundo enunciado:
A salvação oferecida pela fé, indica livre escolha. Vamos recorrer a três textos
bíblicos fundamentais para esta idéia.
O primeiro está em João 3.16,18, que todos aqueles que estão familiarizados com
a Bíblia, conhecem. Ele diz que a Salvação é dada a todo aquele que crê. O que
não crê, escolhe a condenação. Na primeira epístola a Timóteo, 1.15,
encontramos a declaração de que Cristo veio salvar os pecadores. Ora, se em Rom.
3.23, a Bíblia diz que todos pecaram, logo a salvação é para todos os que se
julgarem pecadores, como Paulo o faz, dizendo-se o principal deles. A célebre
passagem de Efésios 2.7-9 reafirma esta fundamentação, dizendo que somos salvos
pela graça, mediante a fé.
O raciocínio lógico aqui é: Quantos não perecerão? Resposta: todos aqueles que
crerem.
Quantos pecadores Cristo veio salvar? Todos aqueles que se julgarem como tais,
como Paulo.
E, finalmente: a salvação pela graça, mediante a fé, pode indicar escolha
arbitrária de Deus, pois em João 3.16 se declara que Ele amou o mundo. A graça
que atinge o mundo todo poderia deixar alguém sem oportunidade? Parece que não.
Terceiro enunciado
O perdão de pecados oferecido ao mundo em geral elimina uma seleção. Comecemos
pela primeira epístola de João, o apóstolo do amor, capítulo 2, versos 1 e 2.
Aqui ele trata do pecado do crente, num primeiro estágio e do pecado do mundo em
geral, num segundo estágio. E ele afirma, inspirado pelo Espírito Santo, que
Jesus Cristo é a propiciação pelos pecados de todo o mundo.
Em Romanos 3.21-26, onde Paulo vai dizer que "todos pecaram", ele começa, no
entanto, dizendo (v. 22) que a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo é para
todos os que crêem, porque não há distinção, pois todos pecaram, e destituídos
estão da glória de Deus.
Ora, o raciocínio do escritor inspirado pelo Espírito Santo é que, se todos
pecaram e se todos estão destituídos da glória de Deus, todos precisam de
oportunidade de salvação, que é a justiça de Deus pela fé em Jesus cristo (Rom.
3.21-23).
Outra vez, formulamos nosso raciocínio: segundo o texto da carta de João,
quantos podem ter seus pecados perdoados?
Reposta: todo o mundo. E de acordo com o 2º texto, em
que todos pecaram, quantos podem ser justificados gratuitamente? Será que há
limitação?
Quarto enunciado:
Segundo a Bíblia, os homens serão julgados pelas suas obras. Comecemos com João
5.28,29. Aqui o apóstolo do amor cita Jesus, que diz que vem a hora em que os
que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que tiverem feito o bem sairão
para a ressurreição da vida e os que tiveram praticado o mal, para a
ressurreição do juízo. Em Mateus 16.27, Jesus diz que o filho do homem há de vir
na glória de seu Pai, com os seus anjos e então retribuirá a cada um segundo as
suas obras. Em Atos 10.34,35 temos uma interessante declaração do apóstolo
Pedro, falando cheio do Espírito Santo, em que assim se expressa: "... na
verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável
aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo".
Com a mesma idéia corrobora a epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 2, versos
de 6 a 11, em que o apóstolo começa dizendo que Deus retribuirá a cada um
segundo as suas obras.
O raciocínio aqui é: Se é pelo que fizeram de bom e o que fizeram de mau, então
não é por uma seleção soberana de Deus. E é interessante notar que "obra" nos
textos indicados pode perfeitamente significar "crer e viver segundo os frutos
do Espírito" (João 3.16-21; Salmo 5.16 e ss).
Quinto enunciado:
Deus não faz acepção de pessoas. O extraordinário encontro de Pedro com a
família de Cornélio, registrado em Atos 10, já nos mostra, no verso 35, que Deus
não faz acepção de pessoas. Em Efésios 6.9, falando do relacionamento entre
servos e senhores, repete o mesmo princípio. E em Romanos 2.11, falando de
judeus e gregos, Paulo, outra vez evoca o mesmo princípio.
Ora, o raciocínio aqui é muito simples: Se Deus não faz acepção de pessoas,
porque escolheria uns para salvação e outros para a perdição? Os predestinistas
explicam que este é um ato da soberania de Deus e que não podemos questionar.
Sim, o fato não deveria ser questionado, se não houvesse tais princípios tão
claros. E sabemos que a Bíblia não pode se contradizer, muito menos Deus.
Sexto enunciado:
Deus é absolutamente justo. "Não fará justiça o juiz de toda a terra?" (Gen.
18.25b). É assim que Abraão argumenta com Deus, no caso de Sodoma e Gomorra. E
Deus respondeu que faria justiça.
Ser justo é dar a cada um o que lhe é devido. Na verdade, uma vez que o ser
humano era livre e caiu por iniciativa própria, Deus não lhe devia nada. Mas a
Bíblia diz que Deus amou o mundo. E por isso lhe deu o Seu filho unigênito e
amado. Assim, porque todos pecaram, o ideal de justiça de Deus exige que Ele
ofereça salvação a todos as pessoas. E é isto mesmo que está na argumentação do
apóstolo Paulo, em Romanos 3.21-17, passagens que já examinamos anteriormente
neste trabalho.
O raciocínio aqui não pode ser outro: Se todos pecaram e se Cristo morreu para
salvar o pecador, como pode a justiça de Deus escolher uns, e outros não? Aí não
haverá justiça.
Sétimo enunciado:
A predestinação está condicionada à presciência de Deus. As dificuldades em
entender a predestinação podem ser sanadas com a argumentação da presciência de
Deus. E há algumas passagens bíblicas muito claras sobre o assunto.
Inicialmente, há duas passagens de muito valor. São elas:
1 Pedro 2.9-10; 2 Ped. 1.10-12. Elas falam de eleição, que é a mesma coisa. Mas
as passagens mais fortes são: Rom. 8.29, Ef. 1.4-13, 1 Ped. 1.1-2. A passagem de
Romanos mostra claramente que a eleição ou predestinação é feita na base de um
conhecimento prévio: "os que dantes conheceu". Isto quer dizer: presciência de
Deus. Esta passagem serve para ajudar a interpretar o capítulo seguinte, o 9 de
Romanos, que parece favorecer a predestinação. Aliás, não se deve perder de
vista o fato de que Paulo ali está falando dos judeus.
A propósito de Rom. 8.29, o Dr. Russel Norman Champlin, em seu comentário: "O
Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo", obra muito usada pelos
pregadores brasileiros, exagera, data vênia, em dizer que o "conhecimento
prévio" aqui significa: "conhecimento amoroso ou preocupação familiaridade com
os entes amados, isto é, aqueles que seriam amados por Deus" (Vol. 3,p. 72b). De
fato, o termo grego aqui é bem forte, mas não nos dá elementos para tanto.
Quando comenta 1 Ped. 1.2, que fala claramente de presciência, o autor acima
citado usa a mesma idéia exagerada. Não duvidamos que está idéia também esteja
implícita nos textos em exame, mas não podemos fugir à realidade de que, quem
conhece uma pessoa, sabe mais sobre ela, além de simplesmente amá-la. É muito
razoável entendermos que Deus nos conheceu, ficou sabendo que haveríamos de crer
em Cristo para a salvação, e na base de tudo isso, Ele nos amou e nos preordenou
ou predestinou.Portanto, esta passagem de 1 Ped. 1.2, é muito esclarecedora.
Afinal, presciência é presciência.
Diante, portanto, de alguns textos difíceis, como Rom. 9, temos que deixar o
ensino geral das Escrituras prevalecer. E o que prevalece é que Deus tem, sim,
um povo escolhido, mas que foi marcado pelo poder que Ele, Deus, tem de ver quem
vai crer e quem vai rejeitar. A esses, Deus marca e denomina escolhidos Seus.
Daí são eleitos desde a fundação do mundo porque vão crer, e, como Paulo diz em
2 Tim. 2.19, "Deus conhece os que são seus".
Um exemplo que pode nos ajudar. Hoje, com a ficção científica, apareceram alguns
filmes sobre viajantes do tempo. Um deles põe uma dupla de rapazes inteligentes,
que vivem no fim do século vinte, viajando pelo tempo. Em certo episódio, a
dupla é jogada no ano de 1945. Como eles estudaram história e sabem o que
aconteceu na segunda guerra mundial, poderão adiantar aos que estão vivendo
naquele tempo, tudo quanto lhes vai acontecer. Para o povo daquele tempo, os
dois forasteiros são profetas, porque sabem tudo quanto vai acontecer. Ocorre,
no entanto, que eles foram jogados ali de uma data futura e tinham, por isso
mesmo, conhecimento da história. Ora, se a imaginação do homem pode elaborar um
procedimento desses, que é apenas ficção, imaginem como Deus pode saber de tudo
o que está na história de cada um de nós, tanto no passado, como no presente e
no futuro, como se tudo fosse um eterno presente.
É nesse sentido que somos predestinados e eleitos. Não por uma escolha
arbitrária, mas porque Deus chamou a todos, mas nem todos quiseram aceitar a Sua
chamada. E se não for assim, teremos que admitir que todo o chamamento da Bíblia
a todo o pecador é mera representação teatral porque, no final de tudo, Deus
escolherá uns e rejeitará outros.
Aliás, na seqüência de Romanos 9, e dentro do mesmo tema, Paulo, depois de
dizer, no capítulo 10.13, que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será
salvo", complementa: "Mas nem todos obedecem o evangelho; pois Isaías diz:
Senhor, quem creu na nossa pregação?" (10.16).
Por que não obedecem? Porque não querem.
5 - CONCLUSÃO
5.1. -
Afinal, o que é Livre Arbítrio? Poderíamos concluir que Livre arbítrio é um
princípio escriturístico que declara que o homem é livre para tomar decisões,
para decidir a questão do seu destino.
E
o que seria Predestinação? Predestinação pode ser definida no sentido geral e no
sentido bíblico.
No consenso do povo é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos
segui-lo sem o direito da escolha. Em outras palavras – somos autômatos,
desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus.
Calvino, ampliando idéias já antes defendidas por Agostinho, afirmou que desde a
Antigüidade Deus estabeleceu dois decretos: Um selecionando um grupo para a
salvação ou vida eterna e um outro decreto selecionando aqueles que serão
destruídos. O próprio Calvino qualificou-o como terrível decreto de Deus.
Estaria este ensino em harmonia com as doutrinas bíblicas? Creio que de modo
nenhum. Porque a dupla predestinação ensina que “se não fomos arbitrariamente
escolhidos para a salvação, não há esperança, mesmo que almejemos ardentemente
esta graça”.
Hermeneuticamente falando, entendo que a Bíblia não diz isto. Predestinação
bíblica é o decreto de Deus, que possibilita a salvação a todos os que aceitarem
a Cristo. Particularmente, eu creio que a salvação é acessível a todo e qualquer
membro da raça humana, pois João 3: 16 nos esclarece que "Deus amou o mundo
de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê
não pereça, mas tenha a vida eterna”. (grifei).
Exulto com o apóstolo Paulo porque "antes da fundação do mundo" (Ef. 1:4)
Deus resolveu suprir a necessidade do homem, se ele pecasse.
Ef.1:3-14 -
“Bendito o Deus e Pai de
nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção
espiritual nas regiões celestiais em Cristo, 4 assim como nos escolheu nele
antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante
ele; e em amor 5 nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por
meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6 para louvor da
glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7 no qual
temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da
sua graça, 8 que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e
prudência,9 desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu
beneplácito que propusera em Cristo, 10 de fazer convergir nele, na dispensação
da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; 11
nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o
propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade,
12 a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos
em Cristo; 13 em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade,
o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o
Santo Espírito da promessa; 14 o qual é o penhor da nossa
herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória”. (grifei)
Esse "eterno propósito" abrangia a encarnação de Deus em Cristo, a vida sem
pecado e a morte expiatória de Cristo, Sua ressurreição dentre os mortos e o Seu
ministério sacerdotal no Céu, o qual culminará nos grandiosos aspectos do
julgamento.
5.2. -
Entretanto, como vimos acima, tanto o Calvinismo quanto o Arminianismo apóiam-se
em textos bíblicos para justificarem suas posições. (vide tabela comparativa
acima) .
O
Calvinismo afirma a total depravação do homem após a queda, isto é, a sua
escravidão e morte no pecado, estando portanto totalmente dependente da
ação graciosa de Deus para vir a ter vida espiritual e, assim, alcançar a
salvação.
Por sua vez, o Arminianismo afirma que o pecador continua a ter em si a
liberdade de optar entre permanecer no pecado ou voltar-se para Deus. Nega,
portanto, que as conseqüências da queda tenham sido a total escravidão da
vontade e a morte espiritual do homem no que toca às coisas de Deus.
Quando os teólogos e comentadores da Escritura advogam uma via intermédia entre
o Calvinismo e o Arminianismo, entendo que eles estão a cair ou fazer cair os
leitores num equívoco ou, então, num grande logro.
Afinal, o modo como encaram a liberdade humana e a ação de Deus e do homem no
processo de salvação coloca-os decididamente no campo Arminiano, embora de forma
moderada.
5.3 -
Ser predestinista não altera a condição daqueles que
são crentes. A única coisa que poderia acontecer seria um desestímulo na
evangelização.
Segundo os enunciados que elaboramos, com base em textos bíblicos claros, não há
razão para confusão nesta área. No entanto, respeitamos o direito que cada
pessoa tem de ter suas doutrinas, e esperamos que, por causa de doutrina,
ninguém perca a oportunidade de salvação.
Não podemos nos esquecer, no entanto, que Deus dotou o ser humano de livre
arbítrio. E notamos, em toda a Bíblia, que Deus faz questão de respeitar este
princípio. Entender que Deus, por Sua soberania, simplesmente escolhe uns para
salvação e outros para a perdição, é querer ver ferido o princípio do livre
arbítrio.
Para mim, a grande maravilha deste assunto, é que Deus me viu antes e me marcou
e me preordenou para a vida eterna. Por isso, Ele me ama e derrama sobre mim
suas maravilhosas misericórdias. E esse processo é irreversível. Ninguém jamais
perde esta bênção da salvação.
O nosso grande desafio, portanto, é chamar o mundo todo para a Salvação em
Cristo, porque "... a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os
homens" (Tito 2.11). E o mundo só não alcançará a salvação se não quiser
responder ao chamamento do amor de Deus (João 3.16,18).
Portanto, diante da clareza do ensino geral da Bíblia, preferimos ficar com o
entendimento de que somos predestinados e eleitos segundo a presciência de Deus.
Como diz 1 Pedro 1.1-2 – “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que
são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia,
eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a
obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam
multiplicadas”.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
01 –
Bíblia On Line em Português. Sociedade Bíblica do Brasil, Versão 1.11. São
Paulo, 2002.
02 -
www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini
- acessado em 22.05.2005
03 - Carlos, Ranieri. Apostila de
História Eclesiástica III. SEP. Patos, 2005.
04 -
CHAMPLIN,
Norman Russel. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São
Paulo: Milenium Distribuidora Cultural, vol. III, pp 72b.
05 -
www.catedraldapalavra.hpg.com.br/38.doc - acessado 22.05.2005
VOLTAR AO ÍNDICE DE MATERIAL
PARA SEMINARISTAS |