:. CALVINISMO x ARMINIANISMO

 

SEP – SEMINÁRIO EVANGÉLICO DE PATOS

CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA

 

PREDESTINAÇÃO

VISÃO CALVINISTA E VISÃO ARMINIANA 

 

DISCIPLINA – TEOLOGIA SISTEMÁTICA I

Sem. Edson Poujeaux Gonçalves

Professor: Pr. Valteildo

PATOS – PB - MAIO DE 2005

 

PREDESTINAÇÃO

VISÃO CALVINISTA E VISÃO ARMINIANA 

 

PREDESTINAÇÃO

VISÃO CALVINISTA E VISÃO ARMINIANA

 

2 - INTRODUÇÃO

 

2.1 – O Dimensionamento da Problemática Levantada: Quais  os pontos da doutrina Calvinista sobre a Predestinação? Quais os pontos do Arminianismo sobre a Predestinação? Quais as diferenças entre uma linha doutrinária e outra?

 

2.2. – Objetivos da Pesquisa: Nosso objetivo é apresentar RESPOSTAS às perguntas acima formuladas.

 

2.3. - Justificativas - Dentro do tema geral “PREDESTINAÇÃO”, pretendemos aqui encontrar respostas às perguntas acima, como forma de aprofundarmos o conhecimento e entendimento sobre o tema, tão necessário nessa etapa de  nossa formação acadêmica no Seminário Evangélico de Patos - SEP.

 

2.4. - Métodos e Procedimentos Utilizados Para Coleta de Dados:

         Utilizamos, para a coleta de dados, material colhido em vários sites da Internet, conforme consta na seção “Referências Bibliográficas”.


 

3. – APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS OBTIDOS

3.1. – Desenvolvimento do tema

3.1.1. – Quem foi João Calvino?

            Calvino nasceu na pequena cidade de Noyon, na França, em 10 de junho de 1509, quando Lutero já havia ditado suas primeiras conferências na Universidade de Wittenberg. Seu pai pertencia à classe média da cidade e trabalhava principalmente como secretário do bispo e procurador da biblioteca da catedral. Fazendo uso de tais conexões, procurou para seu filho os benefícios eclesiásticos com os quais custeasse seus estudos.

            Com esses recursos, Calvino foi estudar em Paris, onde conheceu tanto o humanismo como a reação conservadora que se lhe opunha. A discussão teológica que tinha lugar nos seus dias levou-o a conhecer as doutrinas de Wyclif, Huss e Lutero. Porém, segundo ele mesmo disse: "estava obstinadamente atado às superstições do papado".

            Em 1529 completou seus estudos em Paris, ao obter o grau de Mestre em Artes, e decidiu dedicar-se à jurisprudência. Com esse propósito, continuou seus estudos em Orleans e em Bourges, sob a orientação dos dois mais célebres juristas daquela época: Pierre de I'Estoile e Andrea Alciati. O primeiro seguia os métodos tradicionais no estudo e na interpretação das leis, enquanto o segundo era um humanista elegante e talvez algo vaidoso. Quando houve um debate entre ambos, Calvino interveio em favor do primeiro. Isto é importante porque indica que, ainda nesses tempos em que começava a desejar cultivar um espírito humanista, ele não sentia simpatias pela elegância vã de que freqüentemente se viam possuídos alguns dos mais famosos humanistas.

            Não se sabe o motivo certo que levou Calvino a abandonar a fé romana, nem a data exata em que isso ocorreu. Diferentemente de Lutero, Calvino nos diz muito pouco sobre o estado interior de sua alma. Porém o mais provável parece ser que, no meio do círculo de humanistas que freqüentava e através de seus estudos das Escrituras e da Antigüidade cristã, Calvino chegou à convicção de que teria de abandonar a comunhão romana e seguir o caminho dos protestantes.

            Em 1534, se apresentou em sua cidade natal e renunciou aos benefícios eclesiásticos que seu pai havia conseguido e que eram a sua principal fonte de sustento econômico. Se ele já estava decidido neste momento, a abandonar a igreja romana, ou se esse ato foi simplesmente um passo a mais na sua peregrinação espiritual, nos é impossível saber. O fato é que em outubro de 1534 Francisco I, até então relativamente tolerante com os protestantes, mudou sua política e, em janeiro seguinte, Calvino se exilava na cidade protestante de Basiléia.

            Calvino sentia-se chamado a dedicar-se ao estudo e às obras literárias. Seu propósito não era de modo algum chegar a ser um dos líderes da Reforma, mas sim encontrar um lugar tranqüilo onde pudesse estudar as Escrituras e escrever sobre a nova fé. Pouco antes de chegar a Basiléia, havia escrito um breve tratado sobre o estado das almas dos mortos antes da ressurreição. Segundo ele encarava sua própria vocação, sua tarefa consistiria em escrever outros tratados como esse, que serviriam para aclarar a fé da igreja numa época de tanta confusão.

            Portanto, seu principal projeto era um breve resumo da fé cristã do ponto de vista protestante. Até então, quase toda literatura protestante, chegava pela urgência da polêmica, e assim tratava somente dos pontos em discussão, e havia dito pouca coisa sobre outras doutrinas fundamentais do cristianismo, como por exemplo a Trindade, a Encarnação, etc. O que Calvino se propunha então era cobrir esse vazio com um breve manual ao qual deu o título de "Institutas da Religião Cristã".

            A primeira edição surgiu em Basiléia, no ano de 1536. Era um livro de 516 páginas, porém de formato pequeno, de modo que cabia facilmente nos amplos bolsos que se usavam antigamente, e podia, destarte, circular dissimuladamente pela França. Constava de apenas seis capítulos. Os primeiros quatro tratavam sobre a lei, o Credo, o Pai Nosso e os sacramentos. Os últimos dois, de tom mais polêmico, resumiam a posição protestante com respeito aos "falsos sacramentos" romanos e a liberdade cristã.

            O êxito desta obra foi imediato e surpreendente. Em nove meses se esgotou a edição, que, por estar em latim, era acessível a leitores de diversas nacionalidades.

            A partir de então, Calvino continuou preparando edições sucessivas das Institutas que foi crescendo segundo iam passando os anos. As diversas polêmicas da época, as opiniões de vários grupos que Calvino considerava errados e as necessidades práticas da igreja, foram contribuindo para o crescimento da obra, de tal maneira que para seguirmos o curso do desenvolvimento teológico de Calvino e das polêmicas em que se envolveu, bastaria comparar as edições sucessivas das Institutas, o que não é possível fazer aqui.

            Foram editadas cerca de nove vezes, sendo que as últimas edições datam de 1559 e 1560. Este texto definitivo dista muito de ser o pequeno manual de doutrina que Calvino tinha tido em mente publicar quando da primeira edição, pois os seis capítulos de 1536 se haviam transformado em quatro livros com um total de oitenta capítulos. O primeiro livro trata sobre Deus e sua revelação, assim como da criação e da natureza do ser humano, porém sem incluir a queda e a salvação. O segundo livro trata sobre Deus como redentor e o modo em que se nos dá a conhecer primeiramente no Antigo Testamento, e depois em Jesus Cristo. O terceiro livro trata sobre como, pelo Espírito, podemos participar da graça de Jesus Cristo e dos frutos que Ele produz. Por último, o quarto livro trata dos "meios externos" para essa participação, isto é, fala-nos sobre a igreja e os sacramentos. Por toda obra se manifesta um conhecimento profundo, não só das Escrituras, mas também de antigos escritores cristãos, particularmente Agostinho, e as controvérsias teológicas do século XVI. Sem dúvida alguma, esta foi a obra-prima de teologia sistemática protestante em todo esse século.

            Mas , na realidade, Calvino não tinha a menor intenção de se dedicar ativamente à obra de reformador. Pois mesmo sentindo grande admiração por aqueles que assim fizeram, seu maior desejo era o de poder se dedicar ao estudo e a literatura reformada, não se vendo como pastor ou mesmo capacitado para tal obra.

            Seu objetivo era de se estabelecer em Estrasburgo, onde a causa reformadora havia triunfado, e onde havia uma grande atividade teológica e literária que lhe parecia oferecer um ambiente propício para seus trabalhos.

            Mas, quando para lá se dirigia, teve de desviar seu caminho e passar por Genebra, em virtude de uma guerra. A situação em Genebra diferia em muito da de Estrasburgo, pois era muito confusa, tendo em vista a recém-chegada fé reformada levada por Guilherme Farel e um grupo de missionários advindo de Berna, que necessitava muito de ajuda para conduzir a vida religiosa na cidade.

            Calvino chegou a Genebra com a intenção de passar ali, não mais que um dia, e prosseguir caminho para Estrasburgo. Porém, alguém avisou a Farel da presença de Calvino, o autor das Institutas, que logo foi procurado e com quem obteve uma entrevista marcante.

            Farel, que "ardia com um maravilhoso zelo pelo avanço do evangelho", apresentou a Calvino várias razões pelas quais precisava de sua presença em Genebra. Calvino escutou atentamente seu interlocutor, uns quinze anos mais velho que ele, porém se negou a aceitar seu rogo, dizendo-lhe que tinha projetado certos estudos e que não lhe parecia possível terminá-los na situação em que Farel descrevia. Quando por fim Farel tinha esgotado todos os seus argumentos, sem conseguir convencer ao jovem teólogo apelou ao Senhor de ambos e insurgiu contra o teólogo com voz estridente: "Deus amaldiçoe teu descanso e a tranqüilidade que buscas para estudar, se diante de uma necessidade tão grande te retiras e te negas a prestar socorro e ajuda".

            Diante de tal imprecação, nos conta Calvino: "essas palavras me espantaram e me quebrantaram e desisti da viagem que tinha empreendido". E assim começou a carreira de João Calvino como reformador de Genebra.

            Mesmo que de início Calvino aceitasse simplesmente permanecer na cidade, e colaborar com Farel, logo sua habilidade teológica, seu conhecimento da jurisprudência e seu zelo reformador fizeram dele o personagem central da vida religiosa da cidade, enquanto que Farel gostosamente se tornava um seu colaborador.

            Porém, nem todos estavam dispostos a seguir o caminho da reforma que Calvino e Farel haviam traçado. E quando começaram a exigir que se seguissem verdadeiramente os princípios protestantes, muitos dos burgueses que haviam apoiado a ruptura com Roma começaram a oferecer-lhes resistência, ao mesmo tempo que faziam chegar a outras cidades protestantes da Suíça rumores sobre supostos erros dos reformadores genebrinos. O conflito se travou finalmente em torno do assunto do direito da excomunhão. Calvino insistia em que, para que a vida religiosa se conformasse verdadeiramente aos princípios reformadores, era necessário excomungar os pecadores impenitentes. Diante do que pareceu um rigor excessivo, o governo da cidade se negou a seguir os conselhos de Calvino. Posteriormente, o conflito foi tal que Calvino foi desterrado. O fiel Farel, que poderia permanecer na cidade escolheu antes o exílio que se tornar um instrumento dos burgueses, que queriam uma religião com toda sorte de liberdade e poucas obrigações.

            Calvino viu nisso tudo uma porta que o céu lhe abria para continuar sua vida de estudos e retiro, que havia projetado, e se dirigiu a Estrasburgo. Porém nessa cidade o chefe do movimento reformador, Martinho Bucero, também não o deixou em paz. Havia ali um forte contingente de franceses, exilados por motivos religiosos, carentes de direção pastoral, e Bucero fez com que Calvino se encarregasse deles. Foi aí então que o nosso teólogo produziu uma liturgia francesa e traduziu vários salmos e outros hinos, para que fossem cantados pelos franceses exilados. Além disso produziu a Segunda edição das Institutas, e se casou com a viúva Idelette de Bure, com quem foi feliz até que a morte o levou em 1564.

            Os três anos que Calvino passou em Estrasburgo foram provavelmente os mais felizes e tranqüilos de sua vida. Porém apesar disso, lhe doía sempre não ter podido continuar a obra reformadora em Genebra, por cuja igreja sentia um grande amor e responsabilidade. Portanto, quando as circunstâncias mudaram na cidade suíça e o governo o convidou a regressar, Calvino não vacilou e uma vez mais ficou com a responsabilidade da obra reformadora em Genebra.

            Foi em meados de 1541 que Calvino regressou a Genebra. Uma de suas primeiras ações foi redigir as “Ordenanças Eclesiásticas”, que foram aprovadas poucos meses depois pelo governo da cidade, se bem que com algumas emendas. Segundo se estabelecia nelas, o governo da igreja ficava principalmente nas mãos do Consistório, que era formado pelo pastores e por doze leigos que recebiam o nome de "anciãos". Visto que os pastores eram cinco, os leigos eram a maioria no Consistório. Porém, apesar disso, o impacto pessoal de Calvino era tal que quase sempre esse corpo seguia suas orientações e seus desejos.

            Em 1559 Calvino viu cumprir-se um de seus sonhos, ao ser fundada a Academia de Genebra, sob a direção de Teodoro de Beza, que depois sucedeu Calvino como chefe religioso da cidade. Naquela academia se formou a juventude genebrina segundo os princípios calvinistas, Porém seu principal impacto se deve a que nela cursaram estudos superiores pessoas procedentes de vários outros países, que depois levaram o calvinismo a eles.

 

3.1.2. – Quem foi Jacob Arminius?

 

            Seu nome verdadeiro era Jacob Harmensen, Hermansz, ou ainda Harmenszoon (1560-1609), holandês, teólogo e ministro da Igreja Reformada Holandesa que se opôs ao dogma da predestinação e desenvolveu sua própria doutrina conhecida depois como arminianismo.

            Seu pai faleceu quando Arminius era criança; dois benfeitores custearam seus estudos sucessivamente na escola primária e depois nas universidades de Leiden (1576-1582), Basel e Geneva (1582-1586). Foi ordenado em Amsterdã em 1588, onde se casou. Em 1603 Arminius foi convidado para uma cadeira de teologia em Laiden, que ele manteve até sua morte.

            Pôs-se contra seu colega Franciscus Gomarus, o qual pregava que “aqueles eleitos para a salvação já estavam escolhidos por Deus antes da queda de Adão”.         Essa predestinação, - dogma professado pelo Calvinismo mais radical -, não deixava espaço para a misericórdia de Deus, nem para a vontade humana para alcançar a salvação.

            Então, Arminius passou a afirmar uma eleição condicional, na qual a oferta divina da salvação poderia ser ou não afetada pela vontade livre do homem.

            Após sua morte, alguns de seus seguidores deram apoio a suas teses assinando a "Remonstrance", um documento teológico, assinado em 1610, por 45 ministros e submetido aos Estados Gerais.

            O ponto crucial do arminianismo é que a dignidade humana requer uma total liberdade de vontade.

            O arminianismo “remonstrante” foi debatido em 1618-1619, no sínodo de Dordrecht, uma assembléia da Igreja Reformada Holandesa, no qual todos os delegados eram seguidores de Gomarus.

            Ali, o arminianismo foi desacreditado e condenado pelo sínodo, os arminianos presentes foram expulsos, e muitos outros sofreram perseguição.

            Em 1629, no entanto, os trabalhos de Arminius (Opera theologica) foram publicados pela primeira vez em Leiden, e por volta de 1630 a Irmandade Remonstrante conseguiu tolerância. Foi finalmente reconhecida oficialmente na Holanda em 1795.

 

4. CALVINISMO x ARMINIANISMO


4.1. -   O CALVINISMO - O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico da Reforma protestante, exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). Seu sistema de interpretação bíblica pode ser resumido em cinco pontos, conhecidos como "os 5 pontos do Calvinismo" (TULIP em inglês):

                        1 - Total Depravity (Depravação total) - Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais;

                        2 - Unconditional Election (Eleição incondicional) - Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles;

                        3 - Limited Atonement (Expiação limitada) - Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;

                        4 - Irresistible Grace - (Graça Irresistível) - A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles;

                        5 - Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos) - Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.

 

4.2. O ARMINIANISMO - O Arminianismo é o sistema de Teologia formulado por Jacobus Arminius (1560-1609), teólogo da Igreja holandesa, que resolveu refutar o sistema de Calvino.

            Armínio apresentou seu sistema em 5 pontos:

                        1 - Capacidade humana, Livre-arbítrio - Todos os homens embora sejam pecadores, ainda são livres para aceitar ou recusar a salvação que Deus oferece;

                        2 - Eleição condicional - Deus elegeu os homens que ele previu que teriam fé em Cristo;

                        3 - Expiação ilimitada - Cristo morreu por todos os homens e não somente pelos eleitos;

                        4 - Graça resistível - Os homens podem resistir à Graça de Deus para não serem salvos;

                        5 - Decair da Graça - Homens salvos podem perder a salvação caso não perseverem na fé até o fim.

            Como vimos anteriormente, o sistema teológico de Armínio foi derrotado no Sínodo de Dort em 1619, na Holanda, por ser considerado antibíblico.

            Mas, por incrível que possa parecer, hoje o Arminianismo é o sistema teológico adotado pela maior parte das igrejas evangélicas. Até as seitas e o Catolicismo Romano também rejeitam o Calvinismo.

4.3. - Abaixo, para melhor compreensão, uma tabela comparativa entre os dois sistemas teológicos:

ARMINIANISMO X CALVINISMO

Categoria

Arminianismo

Calvinismo

 

1. Livre-Arbítrio ou Capacidade Humana

1. Incapacidade Total
ou Depravação Total

Depravação Total

Embora a queda de Adão tenha afetado seriamente a natureza humana, as pessoas não ficaram num estado de total incapacidade espiritual. Todo pecador pode arrepender-se e crer, por livre-arbítrio, cujo uso determinará seu destino eterno. O pecador precisa da ajuda do Espírito, e só é regenerado depois de crer, porque o exercício da fé é a participação humana no novo nascimento.

(Is 55:7; Mt 25:41-46; Mc 9:47-48; Rm 14:10-12; 2Co 5:10)

O homem natural não pode sequer apreciar as coisas de Deus. Menos ainda salvar-se. Ele é cego, surdo, mudo, impotente, leproso espiritual, morto em seu pecado, insensível à graça comum. Se Deus não tomar a iniciativa, infundindo-lhe a fé salvadora, e fazendo-o ressuscitar espiritualmente, o homem natural continuará morto eternamente. (Sl 51:5; Jr 13:23; Rm 3:10-12; 7:18; 1Co 2:14; Ef 1:3-12; Cl 2:11-13)

 

2. Eleição Condicional

2. Eleição Incondicional

Eleição Incondicional

Deus escolheu as pessoas para a salvação, antes da fundação do mundo, baseado em Sua presciência. Ele previu quem aceitaria livremente a salvação e predestinou os salvos. A salvação ocorre quando o pecador escolhe a Cristo; não é Deus quem escolhe o pecador. O pecador deve exercer sua própria fé, para crer em Cristo e ser salvo. Os que se perdem, perdem-se por livre escolha: não quiseram crer em Cristo, rejeitaram a graça auxiliadora de Deus.
(Dt 30:19; Jo 5:40; 8:24; Ef 1:5-6, 12; 2:10; Tg 1:14; 1Pe 1:2; Ap 3:20; 22:17)

Deus elegeu alguns para a salvação em Cristo, reprovando os demais. Aos eleitos Deus manifesta a Sua misericórdia e aos reprovados a Sua justiça. Deus não tem a obrigação de salvar ninguém, nem homens nem anjos decaídos. Resolveu soberanamente salvar alguns homens (reprovando todos os demais) e torná-los filhos adotivos quando eram filhos das trevas. Teve misericórdia de algumas criaturas, e deixou as demais (inclusive os demônios) entregues às suas próprias paixões pecaminosas. A salvação é efetuada totalmente por Deus. A fé, como a salvação, é dom de Deus ao homem, não do homem a Deus.

(Ml 1:2-3; Jo 6:65; 13:18; 15:6; 17:9; At 13:48; Rm 8:29, 30-33; 9:16; 11:5-7; Ef 1:4-5; 2:8-10; 2Ts 2:13; 1Pe 2:8-9; Jd 1:4)

 

3. Redenção Universal ou Expiação Geral

3. Redenção Particular ou Expiação Limitada

Expiação Limitada

O sacrifício de Cristo torna possível a toda e qualquer pessoa salvar-se pela fé, mas não assegura a salvação de ninguém. Só os que crêem nEle, e todos os que crêem, serão salvos.

(Jo 3:16; 12:32; 17:21; 1Jo 2:2; 1Co 15:22; 1Tm 2:3-4; Hb 2:9; 2Pe 3:9; 1Jo 2:2)

Segundo Agostinho, a graça de Deus é "suficiente para todos, eficiente para os eleitos". Cristo foi sacrificado para redimir Seu povo, não para tentar redimi-lo. Ele abriu a porta da salvação para todos, porém, só os eleitos querem entrar, e efetivamente entram.
(Jo 17:6,9,10; At 20:28; Ef 5:15; Tt 3:5)

 

4. Pode-se Efetivamente Resistir ao Espírito Santo

4. A Vocação Eficaz do Espírito
ou Graça Irresistível

Graça Irresistível

Deus faz tudo o que pode para salvar os pecadores. Estes, porém, sendo livres, podem resistir aos apelos da graça. Se o pecador não reagir positivamente, o Espírito não pode conceder vida. Portanto, a graça de Deus não é infalível nem irresistível. O homem pode frustrar a vontade de Deus para sua salvação.

(Lc 18:23; 19:41-42; Ef 4:30; 1Ts 5:19)

Embora os homens possam resistir à graça de Deus, ela é, todavia, infalível: acaba convencendo o pecador de seu estado depravado, convertendo-o, dando-lhe nova vida, e santificando-o. O Espírito Santo realiza isto sem coação. É como um rapaz apaixonado que ganha o amor de sua eleita e ela acaba casando-se com ele, livremente. Deus age e o crente reage, livremente. Quem se perde tem consciência de que está livremente rejeitando a salvação. Alguns escarnecem de Deus, outros se enfurecem, outros adiam a decisão, outros demonstram total indiferença para as coisas sagradas. Todos, porém, agem livremente.

(Jr. 3:3; 5:24; 24:7; Ez 11:19; 20; 36:26-27; 1Co 4:7; 2Co 5:17; Ef 1:19-20; Cl 2:13; Hb 12:2)

 

5. Decair da Graça

5. Perseverança dos Santos

Perseverança dos Santos

Embora o pecador tenha exercido fé, crido em Cristo e nascido de novo para crescer na santificação, ele poderá cair da graça. Só quem perseverar até o fim é que será salvo.

(Lc 21:36; Gl 5:4; Hb 6:6; 10:26-27; 2Pe 2:20-22)

Alguns preferem dizer "perseverança do Salvador". Nada há no homem que o habilite a perseverar na obediência e fidelidade ao Senhor. O Espírito é quem persevera pacientemente, exercendo misericórdia e disciplina, na condução do crente. Quando ímpio, estava morto em pecado, e ressuscitou: Cristo lhe aplicou Seu sangue remidor, e a graça salvífica de Deus infundiu-lhe fé em para crer em Cristo e obedecer a Deus. Se todo o processo de salvação é obra de Deus, o homem não pode perdê-la! Segundo a Bíblia, é impossível que o crente regenerado venha a perder sua salvação. Poderá até pecar e morrer fisicamente (1Co 5:1-5). Os apóstatas nunca nasceram de novo, jamais se converteram.

(Is 54:10; Jo 6:51; Rm 5:8-10; 8:28-32, 34-39; 11:29; Fp 1:6; 2Ts 3:3; Hb 7:25)

 

Rejeitado pelo Sínodo de Dort

Este foi o sistema de pensamento contido na "Remonstrância" (embora originalmente os cinco pontos não estivessem dispostos nessa ordem). Esse sistema foi apresentado pelo arminianos à Igreja na Holanda em 1610, mas foi rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619 sob a justificativa de que era antibíblico.

Reafirmado pelo Sínodo de Dort

Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras Sagradas. Naquela ocasião, o sistema foi formulado em "cinco pontos" (em resposta aos cinco pontos apresentados pelos arminianos) e desde então tem sido conhecido como "os cinco pontos do calvinismo".

 


 

Para facilitar o desenvolvimento do assunto, quero basear-me em sete declarações, com base na Palavra de Deus, elaborados na forma de enunciados:

Primeiro enunciado:

Deus oferece salvação indistintamente a todas as pessoas. Duas passagens bíblicas são fundamentais neste sentido. A primeira é de Tito 2.11-14, que começa assim: "Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens...". Com esta passagem, corrobora 1 Timóteo 2.3-6, que diz que Deus deseja que todos os homens sejam salvos.

O raciocínio para analisar este enunciado é o seguinte: Quantas pessoas Deus quer salvar?

A quantas pessoas Deus trouxe salvação?

A resposta é que Deus trouxe salvação a todos os homens.  Se for a todos, não pode ser a um grupo de privilegiados.

Segundo enunciado:

A salvação oferecida pela fé, indica livre escolha. Vamos recorrer a três textos bíblicos fundamentais para esta idéia.

O primeiro está em João 3.16,18, que todos aqueles que estão familiarizados com a Bíblia, conhecem. Ele diz que a Salvação é dada a todo aquele que crê. O que não crê, escolhe a condenação. Na primeira epístola a Timóteo, 1.15,
encontramos a declaração de que Cristo veio salvar os pecadores. Ora, se em Rom. 3.23, a Bíblia diz que todos pecaram, logo a salvação é para todos os que se julgarem pecadores, como Paulo o faz, dizendo-se o principal deles. A célebre passagem de Efésios 2.7-9 reafirma esta fundamentação, dizendo que somos salvos pela graça, mediante a fé.

O raciocínio lógico aqui é: Quantos não perecerão? Resposta: todos aqueles que crerem.

Quantos pecadores Cristo veio salvar? Todos aqueles que se julgarem como tais, como Paulo.

E, finalmente: a salvação pela graça, mediante a fé, pode indicar escolha arbitrária de Deus, pois em João 3.16 se declara que Ele amou o mundo. A graça que atinge o mundo todo poderia deixar alguém sem oportunidade? Parece que não.

Terceiro enunciado

O perdão de pecados oferecido ao mundo em geral elimina uma seleção. Comecemos pela primeira epístola de João, o apóstolo do amor, capítulo 2, versos 1 e 2. Aqui ele trata do pecado do crente, num primeiro estágio e do pecado do mundo em geral, num segundo estágio. E ele afirma, inspirado pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é a propiciação pelos pecados de todo o mundo.

Em Romanos 3.21-26, onde Paulo vai dizer que "todos pecaram", ele começa, no entanto, dizendo (v. 22) que a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo é para todos os que crêem, porque não há distinção, pois todos pecaram, e destituídos estão da glória de Deus.

Ora, o raciocínio do escritor inspirado pelo Espírito Santo é que, se todos pecaram e se todos estão destituídos da glória de Deus, todos precisam de oportunidade de salvação, que é a justiça de Deus pela fé em Jesus cristo (Rom. 3.21-23).

Outra vez, formulamos nosso raciocínio: segundo o texto da carta de João, quantos podem ter seus pecados perdoados?

            Reposta: todo o mundo. E de acordo com o 2º texto, em que todos pecaram, quantos podem ser justificados gratuitamente? Será que há limitação?

Quarto enunciado:

Segundo a Bíblia, os homens serão julgados pelas suas obras. Comecemos com João 5.28,29. Aqui o apóstolo do amor cita Jesus, que diz que vem a hora em que os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que tiverem feito o bem sairão para a ressurreição da vida e os que tiveram praticado o mal, para a ressurreição do juízo. Em Mateus 16.27, Jesus diz que o filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos e então retribuirá a cada um segundo as suas obras. Em Atos 10.34,35 temos uma interessante declaração do apóstolo Pedro, falando cheio do Espírito Santo, em que assim se expressa: "... na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas; mas que lhe é aceitável aquele que, em qualquer nação, o teme e pratica o que é justo".

Com a mesma idéia corrobora a epístola de Paulo aos Romanos, capítulo 2, versos de 6 a 11, em que o apóstolo começa dizendo que Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras.

O raciocínio aqui é: Se é pelo que fizeram de bom e o que fizeram de mau, então não é por uma seleção soberana de Deus. E é interessante notar que "obra" nos textos indicados pode perfeitamente significar "crer e viver segundo os frutos do Espírito" (João 3.16-21; Salmo 5.16 e ss).

Quinto enunciado:

Deus não faz acepção de pessoas. O extraordinário encontro de Pedro com a família de Cornélio, registrado em Atos 10, já nos mostra, no verso 35, que Deus não faz acepção de pessoas. Em Efésios 6.9, falando do relacionamento entre servos e senhores, repete o mesmo princípio. E em Romanos 2.11, falando de judeus e gregos, Paulo, outra vez evoca o mesmo princípio.

Ora, o raciocínio aqui é muito simples: Se Deus não faz acepção de pessoas, porque escolheria uns para salvação e outros para a perdição? Os predestinistas explicam que este é um ato da soberania de Deus e que não podemos questionar. Sim, o fato não deveria ser questionado, se não houvesse tais princípios tão claros. E sabemos que a Bíblia não pode se contradizer, muito menos Deus.

Sexto enunciado:

Deus é absolutamente justo. "Não fará justiça o juiz de toda a terra?" (Gen. 18.25b). É assim que Abraão argumenta com Deus, no caso de Sodoma e Gomorra. E Deus respondeu que faria justiça.

Ser justo é dar a cada um o que lhe é devido. Na verdade, uma vez que o ser humano era livre e caiu por iniciativa própria, Deus não lhe devia nada. Mas a Bíblia diz que Deus amou o mundo. E por isso lhe deu o Seu filho unigênito e amado. Assim, porque todos pecaram, o ideal de justiça de Deus exige que Ele ofereça salvação a todos as pessoas. E é isto mesmo que está na argumentação do apóstolo Paulo, em Romanos 3.21-17, passagens que já examinamos anteriormente neste trabalho.

O raciocínio aqui não pode ser outro: Se todos pecaram e se Cristo morreu para salvar o pecador, como pode a justiça de Deus escolher uns, e outros não? Aí não haverá justiça.

Sétimo enunciado:

A predestinação está condicionada à presciência de Deus. As dificuldades em entender a predestinação podem ser sanadas com a argumentação da presciência de Deus. E há algumas passagens bíblicas muito claras sobre o assunto.

Inicialmente, há duas passagens de muito valor. São elas:
1 Pedro 2.9-10; 2 Ped. 1.10-12. Elas falam de eleição, que é a mesma coisa. Mas as passagens mais fortes são: Rom. 8.29, Ef. 1.4-13, 1 Ped. 1.1-2. A passagem de Romanos mostra claramente que a eleição ou predestinação é feita na base de um conhecimento prévio: "os que dantes conheceu". Isto quer dizer: presciência de Deus. Esta passagem serve para ajudar a interpretar o capítulo seguinte, o 9 de Romanos, que parece favorecer a predestinação. Aliás, não se deve perder de vista o fato de que Paulo ali está falando dos judeus.

A propósito de Rom. 8.29, o Dr. Russel Norman Champlin, em seu comentário: "O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo", obra muito usada pelos pregadores brasileiros, exagera, data vênia, em dizer que o "conhecimento prévio" aqui significa: "conhecimento amoroso ou preocupação familiaridade com os entes amados, isto é, aqueles que seriam amados por Deus" (Vol. 3,p. 72b). De fato, o termo grego aqui é bem forte, mas não nos dá elementos para tanto.

Quando comenta 1 Ped. 1.2, que fala claramente de presciência, o autor acima citado usa a mesma idéia exagerada. Não duvidamos que está idéia também esteja implícita nos textos em exame, mas não podemos fugir à realidade de que, quem conhece uma pessoa, sabe mais sobre ela, além de simplesmente amá-la. É muito razoável entendermos que Deus nos conheceu, ficou sabendo que haveríamos de crer em Cristo para a salvação, e na base de tudo isso, Ele nos amou e nos preordenou ou predestinou.Portanto, esta passagem de 1 Ped. 1.2, é muito esclarecedora. Afinal, presciência é presciência.

Diante, portanto, de alguns textos difíceis, como Rom. 9, temos que deixar o ensino geral das Escrituras prevalecer. E o que prevalece é que Deus tem, sim, um povo escolhido, mas que foi marcado pelo poder que Ele, Deus, tem de ver quem vai crer e quem vai rejeitar. A esses, Deus marca e denomina escolhidos Seus. Daí são eleitos desde a fundação do mundo porque vão crer, e, como Paulo diz em 2 Tim. 2.19, "Deus conhece os que são seus".

Um exemplo que pode nos ajudar. Hoje, com a ficção científica, apareceram alguns filmes sobre viajantes do tempo. Um deles põe uma dupla de rapazes inteligentes, que vivem no fim do século vinte, viajando pelo tempo. Em certo episódio, a dupla é jogada no ano de 1945. Como eles estudaram história e sabem o que aconteceu na segunda guerra mundial, poderão adiantar aos que estão vivendo naquele tempo, tudo quanto lhes vai acontecer. Para o povo daquele tempo, os dois forasteiros são profetas, porque sabem tudo quanto vai acontecer. Ocorre, no entanto, que eles foram jogados ali de uma data futura e tinham, por isso mesmo, conhecimento da história. Ora, se a imaginação do homem pode elaborar um procedimento desses, que é apenas ficção, imaginem como Deus pode saber de tudo o que está na história de cada um de nós, tanto no passado, como no presente e no futuro, como se tudo fosse um eterno presente.

É nesse sentido que somos predestinados e eleitos. Não por uma escolha arbitrária, mas porque Deus chamou a todos, mas nem todos quiseram aceitar a Sua chamada. E se não for assim, teremos que admitir que todo o chamamento da Bíblia a todo o pecador é mera representação teatral porque, no final de tudo, Deus escolherá uns e rejeitará outros.

Aliás, na seqüência de Romanos 9, e dentro do mesmo tema, Paulo, depois de dizer, no capítulo 10.13, que "todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo", complementa: "Mas nem todos obedecem o evangelho; pois Isaías diz: Senhor, quem creu na nossa pregação?" (10.16).

Por que não obedecem? Porque não querem.

5 - CONCLUSÃO

 

5.1. - Afinal, o que é Livre Arbítrio? Poderíamos concluir que Livre arbítrio é um princípio escriturístico que declara que o homem é livre para tomar decisões, para decidir a questão do seu destino.

            E o que seria Predestinação? Predestinação pode ser definida no sentido geral e no sentido bíblico.

            No consenso do povo é crer que Deus traçou um plano para a nossa vida e devemos segui-lo sem o direito da escolha. Em outras palavras – somos autômatos, desempenhando um papel previamente estabelecido por Deus.

            Calvino, ampliando idéias já antes defendidas por Agostinho, afirmou que desde a Antigüidade Deus estabeleceu dois decretos: Um selecionando um grupo para a salvação ou vida eterna e um outro decreto selecionando aqueles que serão destruídos. O próprio Calvino qualificou-o como terrível decreto de Deus.

            Estaria este ensino em harmonia com as doutrinas bíblicas? Creio que de modo nenhum. Porque a dupla predestinação ensina que “se não fomos arbitrariamente escolhidos para a salvação, não há esperança, mesmo que almejemos ardentemente esta graça”.

            Hermeneuticamente falando, entendo que a Bíblia não diz isto. Predestinação bíblica é o decreto de Deus, que possibilita a salvação a todos os que aceitarem a Cristo. Particularmente, eu creio que a salvação é acessível a todo e qualquer membro da raça humana, pois João 3: 16 nos esclarece que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. (grifei).

            Exulto com o apóstolo Paulo porque "antes da fundação do mundo" (Ef. 1:4) Deus resolveu suprir a necessidade do homem, se ele pecasse.

          Ef.1:3-14 - “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, 4  assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor 5  nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, 6  para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado, 7  no qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, 8  que Deus derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e prudência,9  desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, 10  de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; 11  nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade, 12  a fim de sermos para louvor da sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo; 13  em quem também vós, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa; 14  o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória”. (grifei)

 

            Esse "eterno propósito" abrangia a encarnação de Deus em Cristo, a vida sem pecado e a morte expiatória de Cristo, Sua ressurreição dentre os mortos e o Seu ministério sacerdotal no Céu, o qual culminará nos grandiosos aspectos do julgamento.

 

5.2. -   Entretanto, como vimos acima, tanto o Calvinismo quanto o Arminianismo apóiam-se em textos bíblicos para justificarem suas posições. (vide tabela comparativa acima) .

            O Calvinismo afirma a total depravação do homem após a queda, isto é, a sua escravidão e morte no pecado, estando portanto totalmente dependente da ação graciosa de Deus para vir a ter vida espiritual e, assim, alcançar a salvação.

            Por sua vez, o Arminianismo afirma que o pecador continua a ter em si a liberdade de optar entre permanecer no pecado ou voltar-se para Deus. Nega, portanto, que as conseqüências da queda tenham sido a total escravidão da vontade e a morte espiritual do homem no que toca às coisas de Deus.

            Quando os teólogos e comentadores da Escritura advogam uma via intermédia entre o Calvinismo e o Arminianismo, entendo que eles estão a cair ou fazer cair os leitores num equívoco ou, então, num grande logro.

            Afinal, o modo como encaram a liberdade humana e a ação de Deus e do homem no processo de salvação coloca-os decididamente no campo Arminiano, embora de forma moderada.

5.3 - Ser predestinista não altera a condição daqueles que são crentes. A única coisa que poderia acontecer seria um desestímulo na evangelização.

Segundo os enunciados que elaboramos, com base em textos bíblicos claros, não há razão para confusão nesta área. No entanto, respeitamos o direito que cada pessoa tem de ter suas doutrinas, e esperamos que, por causa de doutrina, ninguém perca a oportunidade de salvação.

Não podemos nos esquecer, no entanto, que Deus dotou o ser humano de livre arbítrio. E notamos, em toda a Bíblia, que Deus faz questão de respeitar este princípio. Entender que Deus, por Sua soberania, simplesmente escolhe uns para salvação e outros para a perdição, é querer ver ferido o princípio do livre arbítrio.

Para mim, a grande maravilha deste assunto, é que Deus me viu antes e me marcou e me preordenou para a vida eterna. Por isso, Ele me ama e derrama sobre mim suas maravilhosas misericórdias. E esse processo é irreversível. Ninguém jamais perde esta bênção da salvação.

O nosso grande desafio, portanto, é chamar o mundo todo para a Salvação em Cristo, porque "... a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens" (Tito 2.11). E o mundo só não alcançará a salvação se não quiser responder ao chamamento do amor de Deus (João 3.16,18).

Portanto, diante da clareza do ensino geral da Bíblia, preferimos ficar com o entendimento de que somos predestinados e eleitos segundo a presciência de Deus. Como diz 1 Pedro 1.1-2 – “Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, eleitos, segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo, graça e paz vos sejam multiplicadas”.

 

 

           

 


 

                        REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

01 – Bíblia On Line em Português. Sociedade Bíblica do Brasil, Versão 1.11. São Paulo, 2002.

 

02 - www.angelfire.com/sc3/ricardobergamini - acessado em 22.05.2005

 

03 - Carlos, Ranieri. Apostila de História Eclesiástica III. SEP. Patos, 2005.

 

04 - CHAMPLIN, Norman Russel. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo. São Paulo: Milenium Distribuidora Cultural, vol. III, pp 72b.

 

05 - www.catedraldapalavra.hpg.com.br/38.doc - acessado 22.05.2005

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