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SEP – SEMINÁRIO EVANGÉLICO DE PATOS
CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA
O MUNDO RELIGIOSO NO NOVO TESTAMENTO
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RELIGIÕES DE
MISTÉRIO
-
CULTO AO
IMPERADOR
AS FILOSOFIAS
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EPICURISMO
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ESTOICISMO
-
GNOSTICISMO
ALUNO: EDSON POUJEAUX GONÇALVES
DISCIPLINA: SÍNTESE DO NOVO TESTAMENTO
PROFESSORA: Miss. JÚLIA
AGOSTO DE 2003
AS RELIGIÕES DE MISTÉRIO
Na época concernente ao Novo Testamento, os cultos tradicionais aos deuses
olímpicos já não eram considerados capazes de satisfazer as necessidades
espirituais da pessoa comum, e então elas apelavam àquelas religiões que
ofereciam a salvação e uma vida de bem-aventurança após a morte. Foi nesse
contexto histórico que surgiram as religiões chamadas “de mistério”, entre os
romanos, gregos e judeus, em especial.
Assim, a imortalidade sonhada poderia ser obtida
mediante a iniciação numa experiência secreta que visava salvar a alma depois da
morte.
As mulheres, como eram
costumeiramente impedidas de terem uma participação mais efetiva nos ritos
religiosos de então, mostravam-se mais sensíveis à promessa de um futuro mais
feliz, em função do reconhecimento e participação que recebiam nas religiões de
mistério.
A essência dos mistérios residia no
seu sigilo. Uma pessoa poderia incorrer em pena de morte se revelasse os
mistérios religiosos.
Dentro dos “mistérios”, havia graus
sucessivos de iniciação, nos quais a verdade podia ser percebida numa série
progressiva, cujo objetivo era a participação na vida divina.
Dentre as religiões ditas de
mistério, destacava-se Elêusis, cujo culto foi oficialmente adotado por Atenas.
Centralizava-se em Deméter, a Mãe-Terra, e sua filha Perséfona, que foi raptada
para o mundo dos mortos pelo deus deste, Hades. Ali, Perséfona tornou-se esposa
de Hades e rainha dos mortos. Acreditavam que ela, a cada ano, voltava por nove
meses à sua mãe (terra) que então fazia crescer o trigo e devolvia a terra a sua
fertilidade. Deméter ordenou a Elêusis que estabelecesse os ritos dela, aos
quais qualquer pessoa que falasse grego poderia ser admitida, sem acepção de
mulheres e escravos.
Outro culto, associado ao Egito,
narrava como Ísis, aflita, procurava seu marido, Osíris, que tinha sido morto e
esquartejado pelo malvado Sete. O culto celebrava a descoberta dos membros
espalhados do deus e a sua restauração à vida.
Um outro culto que desfrutava
popularidade frenética junto às mulheres era o de Dionísio, com seu estado
alterado de consciência e a fuga que proporcionava da vida no lar.
O culto a Mitras, destinado
exclusivamente aos homens, era especialmente abraçado pelos soldados romanos.
Também o culto a Cibele, a grande mãe dos deuses, atraía os homens que, no
frenesi dos seus ritos, às vezes se castravam, fazendo com que a deusa fosse
servida por sacerdotes eunucos. O cantor Orfeu, que conseguia descer ao mundo
dos mortos e voltar a terra, recebeu o crédito por ter instituído vários
mistérios.
Os autores cristãos e pagãos
denunciavam igualmente alguns dos elementos grosseiros e bárbaros, associados
com os mistérios, tais como sacrifícios humanos, artimanhas adúlteras,
assassinatos, enterros, cenas de estupro e violência que, depois do advento do
cristianismo, foram espiritualizados e transformados em alegorias de uma
natureza mais sublime.
As religiões de mistério, em
comparação com o cristianismo, baseavam-se em mitos de deuses cujas experiências
eram repetidas anualmente, ao passo que o cristianismo baseia-se em uma pessoa
histórica. Os mistérios, em sua maioria, eram destituídos de uma revelação
escrita e constantemente sujeitos a mudanças.
Mesmo assim, o cristianismo deve alguma coisa à religião dos mistérios. Paulo,
em 1 Co 2.7, declarou que falava a sabedoria de Deus em mistério. Exemplos de
conceitos dos mistérios aplicados à verdade cristã podem ser encontrados em Cl
1.26-2.8; Rm 16.25-26; 1 Co 15.42-39; Fp 3.12,15. 2 Pe 1.16 contrasta as
práticas da iniciação com aquelas que eram usadas na revelação cristã. Aqui,
como ocorre em outros textos, à linguagem técnica é emprestada aos mistérios.
Há numerosas indicações de que muitos
membros da Congregação de Corinto eram recém-convertidos que vieram dos cultos
dos mistérios, e que ainda estavam apegados aos costumes antigos tais como
embriaguez cerimonial, fornicação, participação nas festas dos ídolos, o clamor
barulhento na adoração e os gritos rituais das mulheres.
Concluindo, foi esse sincretismo do
cristianismo com as religiões de mistério que, segundo Hipólito e outros,
produziu as heresias conhecidas como o gnosticismo, conforme veremos mais
abaixo.
O CULTO AO IMPERADOR
Os romanos ridicularizavam a religião judaica e
procuravam impor o culto ao imperador, coisa que para os judeus era a pior das
humilhações. Por isso os judeus não apreciavam o domínio Romano.
O culto ao imperador consistia, como o próprio
nome está dizendo, reconhecer a deidade na figura do imperador, o qual se
autoproclamava “divino”, sendo, portanto, merecedor de todo o culto e adoração,
mediante decreto que poderia levar à pena de morte àquele que se recusasse
cultuar ao rei como se fora este um deus.
Os judeus, conforme as profecias constantes das
Sagradas Escrituras, esperavam ansiosamente o momento de sua libertação, que
seria acompanhada da guerra entre o bem e o mal, e que terminaria com a vinda do
Messias, o qual libertaria o povo judeu do jugo romano.
Foi naquele clima tenso que nasceu Jesus de
Nazaré. Ele tornou-se um importante pregador de idéias renovadoras para o
judaísmo. Todavia, Jesus, na época, não conseguiu obter muitos adeptos, pois, ao
mesmo tempo em que não encarnou a figura do líder militar que desejavam, não o
reconheceram como o “Messias” prometido.
AS FILOSOFIAS
1.
Epicurismo
Epicuro, o criador do “Epicurismo”, nasceu em
Samos (341 a.C. - 270 a.C.). Em 306, adquiriu uma casa em Atenas, cercada por um
lindo jardim, o famoso Jardim de Epicuro, onde lecionou até morrer.
Sua teoria
da natureza retomou o materialismo de Demócrito: os átomos caem no vácuo e se
combinam para formar todos os corpos. Sem negar a existência dos deuses - eles
vivem em intermundos sem se preocupar com a Terra -, ensina que os fenômenos
naturais não devem ser explicados pela providência divina. O perfeito
conhecimento da natureza das coisas deverá livrar os homens dos dois maiores
males que os afligem: o medo dos deuses e o medo da morte, que podem impedir o
homem de ser feliz.
Ensina ainda que conhecemos as coisas porque
delas se desprende algo como uma imagem material delas mesmas, que impressiona
nosso espírito; assim, todas as nossas sensações são verdadeiras, porque emanam
da própria coisa conhecida. Para ele, já conhecemos, por antecipação, todas as
coisas, têm delas uma idéia e é por isso que podemos reconhecer os objetos.
A moral epicurista é essencialmente materialista,
reconhecendo um único valor na vida humana: o prazer, que deriva do equilíbrio
entre as partes do corpo.
Assim, o sábio deve distinguir seus prazeres,
submetendo-os ao critério da necessidade: prazeres necessários (são naturais,
como comer, beber e dormir), não necessários (também naturais, como alimentos e
bebidas raras, prazer sexual) podem ser aceitos sem que sejamos seus escravos, e
prazeres nem naturais nem necessários (como glória, riqueza e ambição) dos quais
o homem sábio deverá se afastar.
O epicurista deverá cultivar a ataraxia, isto é,
o usufruir tranqüilo de uma vida harmônica com a natureza; sua maior alegria
deverá ser a amizade filosófica e ele deverá ficar afastado da política e da
sociedade.
A concepção do mundo que vem deste modo
equilibrado de ver as coisas, embora não original nem muito lógico, o do
conhecimento que só confia nos sentidos, levou o nome de Epicuro através da
Idade Média e até o século XVII, predecessora, tanto do conhecimento atômico da
natureza, quanto da metafísica materialista.
Outros epicuristas - Metrodoro, na Grécia, e em
Roma, Zenão de Sidon e Filodemo e os poetas Lucrécio e Horácio.
2.
Estoicismo
O fundador do Estoicismo foi Zenão de Cício (336
a.C.- 264 a.C.); seus discípulos foram chamados de estóicos, por causa do lugar
onde se reuniam, Stoa Poikile, (stoa = pórtico). Suas obras, com
exceção de alguns fragmentos se perderam.
Podemos distinguir três períodos no estoicismo: o
primeiro, com representantes da época clássica grega; o segundo, que teve o
grande mérito de introduzir o estoicismo em Roma e o terceiro, que se
desenvolveu em Roma sob o Império.
1) O primeiro período (estoicismo
antigo) desenvolveu-se no séc. III a.C., com Zenão, de Cício, Cleanto, Crisipo e
outros. Dos dois períodos, foi nesse em que se desenvolveu o sistema estóico
mais completo, preocupando-se seus representantes com a lógica, a física, a
metafísica e a moral.
2) No segundo período (estoicismo médio), o
pensamento estóico entrou em contato com o espírito romano, com que combinou
muito bem e se amalgamou. Panécio de Rodes (180 a.C. - 110 a.C.) e Possidônio
(135 a.C. - 51a.C.) representam essencialmente o médio estoicismo.
3) O terceiro período (novo
estoicismo ou estoicismo imperial) está ligado a três grandes nomes: Sêneca
(nascido no início da era cristã e morto em 65), Epicteto (50 - 125 ou 130) e
Marco Aurélio (121 - 180, imperador em 161). Dos pensadores dos dois primeiros
períodos, só temos citações de outros autores e resumos. Mas, de Sêneca,
Epicteto e Marco Aurélio, temos obras conservadas no essencial; foram eles os
grandes propagadores do estoicismo no Ocidente.
Os filósofos estóicos foram os primeiros a
considerar a filosofia um sistema, isto é, um todo, ensinando que a sua
divisão em partes tem finalidade puramente didática.
No que diz respeito à física, descreveram um
princípio que chamaram de pneuma (sopro vital que Heráclito atribuiu ao
fogo), que está em todo o universo, no céu e na terra; trata-se de uma espécie
de fluido que age por tensão (tônus), como se fosse um campo de força, mantendo
unidas às partes do universo, impedindo, assim, que elas se dispersem no vazio;
mantém também a individualidade de cada ser como se fosse a sua alma. É o
Logos, a alma do mundo, que é corpórea e penetra toda matéria.
O estoicismo é a filosofia da imanência:
o pneuma, um princípio imanente de organização, liga entre si os
acontecimentos do universo - o mundo não é governado por um Deus, mas é, ele
mesmo, Deus e o destino. Deus não é um Deus pessoal; é o Deus cósmico que
impregna toda a natureza e dela não se distingue. Estamos, portanto, em face de
uma doutrina panteísta - só o universo é real, Deus está em cada uma de suas
partes e é a soma de tudo aquilo que existe. Se o mundo é regulado por uma ordem
divina e providencial, ele tem que ser perfeito, nada pode acontecer contra a
razão: as doenças, deformidades, a morte são males necessários à própria
existência do bem (um contrário não existiria sem o outro: Deus harmonizou no
mundo todos os bens com todos os males de modo que nasça daí a razão
eterna de tudo); na verdade, os males fazem parte da ordem universal, são
meros detalhes de um conjunto e nós, muitas vezes, não conseguimos perceber sua
coerência.
Todavia, se
tudo está pré-determinado por Deus, a liberdade humana está comprometida; só
resta ao homem aceitar a necessidade, conformar sua vontade ao destino,
ao que já está escrito, ao imutável.
Do que
foi dito, decorre o fundamento da moral estóica: à vontade do homem deve
respeitar a ordem divina e viver de acordo com ela. O ser humano deve agir de
acordo consigo mesmo, ser ele mesmo, fazer agir sua natureza racional - nela,
ele ama e respeita o Logos. A virtude consiste na aceitação da lei moral, no
concordar com a natureza e não se rebelar contra ela, de acordo com a
simpatia universal - este é o bem supremo, viver de acordo com a razão
vencendo todas as paixões e sendo o dono de si mesmo. É querer o que acontece e
não que aconteça o que se quer. Se não puder
viver conforme o ideal da virtude, o sábio deverá praticar o suicídio.
Para os estóicos, os homens são sábios ou
loucos: sábios, se livres das paixões; loucos, se dominados por elas. A
felicidade nada mais é que um ato de fé na racionalidade oculta do universo,
isto é, uma apatia, que permite ao sábio ser feliz mesmo nos sofrimentos,
mesmo no que se chama de infelicidade, porque ele já se tornou
indiferente a tudo o que não pode ser alterado e não depende da vontade humana.
Como vemos, são bem diferentes dos epicuristas, que pregam a imediatidade do
prazer numa existência pacífica, sem medo da morte e da dor e livre de
dependências externas a seu próprio ser.
Muitos
tentaram aproximar o estoicismo do cristianismo, porque os estóicos negaram a
diferença entre helenos e bárbaros, ensinaram a injustiça da escravidão e
apregoaram a benevolência universal entre os homens, todos cidadãos de uma mesma
e única cidade universal (cosmopolitismo), sem fronteiras ou nacionalidades,
instrumentos da mesma razão divina. Acreditam, no entanto, ser possível alcançar
a virtude e a perfeição máximas com suas forças racionais (auto-suficiência)
chegando a se fazerem deuses. Para o cristianismo, embora o homem deva se
aperfeiçoar é Deus que o ajuda, através da providência, a chegar ao
próprio Deus. Por sua vez, o estoicismo faz a moral ser totalmente independente
da religião, negando que o homem dependa de Deus.
Ensinando que devemos desenvolver a aceitação
total da natureza, involuntariamente, pregam a aceitação do mundo tal qual está:
não é preciso libertar os escravos, porque só se é escravo das próprias paixões;
para que libertar os homens, se eles já são livres ao nascer e têm a liberdade
de morrer quando quiserem? Por que se preocupar com a aplicação da justiça, se
nesse universo racional ela já existe e basta discerni-la? Como podemos ver,
desenvolveram idéias baseadas na teoria do Direito Natural, já trabalhada
pelos sofistas e que tanto influenciaram a ciência jurídica romana.
A exaltação teórica da virtude e a vida virtuosa
de muitos estóicos contribuíram para conter a corrupção em alguns países da
sociedade antiga. O sistema estóico persistiu no pensamento humano,
recrudescendo nos séculos XVI e XVII, quando exerceu poderosa influência.
3.
Gnosticismo
O termo “Gnosticismo” é derivado do vocábulo
grego "gnoskos" que quer dizer conhecimento, e é aplicado a um grupo de
ensinamentos heréticos que a igreja primitiva teve de enfrentar nos primeiro
século de sua história, ainda que só viesse a se estruturar plenamente no
segundo século. Tudo isso por conta de que os recém-convertidos ao cristianismo
pregado pela Igreja Primitiva eram oriundos das chamadas religiões de mistério,
conforme foi visto acima.
O ponto central do ensino gnóstico é baseado no contraste dualista e
que dizia que a matéria é inerentemente má, e o espírito, o que equivalente do
lado oposto, era inerentemente bom. Logo, a base de seu ensino era que tudo o
que é material é mau, e de igual forma tudo o que é espiritual é bom. Aqui
contamos com o apoio de G. L. Borchert, que afirma o seguinte: "Os gnósticos,
obviamente, usavam fontes como o dualismo platônico e o pensamento religioso
oriental, incluindo idéias derivadas do cristianismo."
Outro ponto chave do gnosticismo, como o próprio nome sugere, é o
conhecimento. Eles afirmavam que o ser humano deveria chegar a um certo grau de
conhecimento que proporcionaria a união mística de sua alma com Deus. O fim
desse conhecimento era a salvação, que incluía a purificação da matéria má e a
imortalidade alcançada pela fusão de seu espírito liberto do corpo com Deus.
Quanto a isso J. D. Douglas afirma o seguinte: "A nota chave do gnosticismo era
o conhecimento: a possessão de certos segredos que serviriam afinal para unir a
alma com Deus”.
Como conseqüência desse dualismo material / espiritual eles afirmavam
a total separação de Deus de qualquer coisa que fosse material. A redenção era
feita por através de seres intermediários. A alma do homem era uma fagulha da
divindade presa no corpo. Então a redenção era a libertação dessa alma de seu
cativeiro físico (o corpo) e sua absorção por sua fonte ulterior, Deus. Para
isso temos o apoio de J. D. Douglas que diz o seguinte: "No gnosticismo a total
separação entre Deus e a matéria (reputada conforme o dogma grego, inerentemente
má) era ponto subentendido, e o drama da redenção se efetuava dentro de um
complexo de seres intermediários."
O movimento gnóstico possuía várias ramificações, com ensinos, muitas
vezes, totalmente opostos. Uns eram ascetas, outros libertinos, e havia um grupo
que deseja fazer uma síntese do ensino judaico, com o cristão e o gnóstico
resultando assim num novo conglomerado de idéias sincretistas dos três grupos.
Borchert afirma o seguinte:
Os heresiólogos consideravam o gnosticismo como o produto da
combinação entre a filosofia grega e o cristianismo. Por exemplo, depois de
descrever detalhadamente os hereges gnósticos, Tertuliano proclama: "O que mesmo
Atenas tem a ver com Jerusalém? Que concórdia há entre a Academia e a Igreja? O
que há entre os hereges e os cristãos?... Fora com todas as tentativas produzir
um cristianismo misturado, composto de modo estóico, platônico e dialético." (Da
Prescrição Contra os Hereges 7).
Os ascetas eram aqueles que defendiam que todos os desejos dos nossos
corpos devem ser suprimidos. Como o próprio nome diz, eles diziam que se devia
levar uma vida limpa da contaminação que o corpo produz. Seu argumento pode ser
exposto pelo seguinte silogismo:
Toda a matéria existente é má em sua essência.
Nosso corpo é material.
Dentro desse enfoque, nosso corpo é mau e seus
desejos devem ser suprimidos.
Os libertinos eram o grupo que defendiam que o nosso corpo é mau em
sua essência, mas que a própria contaminação com o mundo iria destruir o nosso
corpo, e nosso dever é ajudar o mundo na destruição dele. A tese central deles
pode ser exposta pelo seguinte silogismo:
O mal tende a se autodestruir.
O nosso corpo é
mau.
Portanto, segundo o gnosticismo, nosso corpo tem a tendência de se
autodestruir e nosso dever é ajudá-lo é desenvolver essa tendência de modo que
ela se torne real.
Eles acreditavam que o espírito não se corrompe com o que é feito
pelo corpo, assim como o ouro não perde sua pureza e essência quando mergulhado
em lama. Por isso, para a destruição do corpo eles usavam de artifícios de
imoralidade extremada; neste caso ela não era somente aceita, mas até mesmo
encorajada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHÂTELET, François - A Filosofia Pagã, Zahar Editores, Rio de Janeiro, 1973.
SCIACCA,
M.F., História da Filosofia, Editora Mestre Jou, São Paulo, 1967
BORCHERT, G. L in ELWELL, Walter A. Enciclopédia histórica teológica da igreja
cristã. São Paulo: Vida Nova, 1984.
DOUGLAS, J. D. (ed.). O novo dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova. 1966.
VIEIRA, Samuel. O império gnóstico contra-ataca: a emergência do neognosticismo
no protestantismo brasileiro. São Paulo: Cultura Cristã. 1999.
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