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SEP – SEMINÁRIO EVANGÉLICO DE PATOS
CURSO BACHAREL EM TEOLOGIA
A TEOLOGIA DE PAULO
DISCIPLINA – TEOLOGIA DO NT2
Sem. Edson Poujeaux Gonçalves
Professor: Pr. Nelson Santos
PATOS – PB
-
OUTUBRO DE 2007
A TEOLOGIA DE PAULO
1 – INTRODUÇÃO
O apóstolo
Paulo é o principal escritor do Novo Testamento. Escreveu 13 dos 27 livros que
temos no cânon neotestamentário. Estes livros são cartas que ele escreveu ao
longo de sua carreira missionária, para atender às necessidades das igrejas sob
seu cuidado ou de outras com as quais desejava comunicar-se.
Nelas
encontramos, além de informações valiosas sobre Paulo e as igrejas
do primeiro século, os
temas mais proeminentes de sua pregação. Elas são a principal fonte para o que
poderíamos chamar de uma "teologia paulina".
A Igreja
através dos séculos tem procurado entender e sintetizar a pregação do apóstolo,
valendo-se de suas cartas e dos resumos que temos da sua mensagem no livro de
Atos.
Estamos
cientes de que estudiosos e teólogos tem se dividido quanto a autenticidade da
autoria de Paulo quanto a totalidade das 13 cartas existentes no Novo
Testamento. Desde o surgimento do método histórico-crítico no final do século
XVII, estudiosos passaram a questionar a autoria paulina de algumas destas
cartas. Para eles, algumas delas não foram escritas por Paulo, mas por
admiradores e imitadores do apóstolo, anos após a sua morte.
Todavia,
estudiosos comprometidos com a integridade das 13 cartas têm satisfatoriamente
respondido aos argumentos levantados em contrário, sendo que até o presente não
existem evidências convincentes e irrefutáveis para que abandonemos, neste
estudo, o entendimento da Igreja através dos séculos de que Paulo é o autor das
13 cartas.
É claro
que a mensagem de Paulo não era considerada como distinta da mensagem de Jesus
ou dos demais escritores do NT, mas ela tinha características próprias e
peculiaridades que justificavam uma tentativa de síntese.
Assim, o
objetivo deste trabalho é exatamente fazer esta síntese da chamada "teologia
paulina", ao tempo em que tratará, basicamente, da origem do pensamento de Paulo
e as estruturas principais de sua teologia.
2. QUAL A FONTE DA
TEOLOGIA DE PAULO?
De onde
Paulo tirou suas idéias? Quais as fontes do pensamento de Paulo? Ou seja, de
onde ele tirou as idéias que aparecem exclusivamente em seus escritos, como a
comparação de Jesus com Adão, o conceito da transformação dos corpos dos crentes
vivos por ocasião da parousia (vinda do Senhor) ou ainda as exortações e
recomendações éticas, práticas e morais que ele passa aos cristãos?
Paulo era
um homem de três mundos. Foi educado, como judeu, na religião e cultura
hebraica, à qual pertencia por nascimento e tradição; viveu no mundo
grego, cuja cultura, religiões e maneira de encarar o mundo eram dominantes
em seu tempo; e pertencia ao mundo romano, como cidadão do mesmo.
A
multiculturalidade de Paulo levanta uma das mais complexas questões relacionadas
com os estudos paulinos: qual destas culturas exerceu maior influência em seu
pensamento? Que cosmovisão moldou sua teologia? E que filosofia e religião
acabaram por formar seu pensamento?
Ou será
que foi um pouco de cada? A questão da origem do pensamento religioso de Paulo
tem exercitado os seus estudiosos por séculos. A importância disto é muito
grande para entendermos Paulo.
Suponhamos
que Paulo, apesar de judeu, era basicamente um grego, em sua maneira de pensar e
de ver o mundo. Logo, quando formos estudar sua pregação, deveremos procurar
paralelos no mundo grego, em sua literatura,
filosofia e religião.
Aliás, esta é uma idéia defendida por muitos estudiosos de Paulo, que ele era um
judeu da Dispersão, e portanto, muito influenciado pela cultura helênica, pelas
religiões gregas, pelo dualismo grego entre o mal e o bem e pelas idéias do
neoplatonismo de sua época. Alguns, como os antigos estudiosos da escola alemã
de Tübingen, chegaram a pensar que Paulo era um grande gnóstico, e que suas
idéias como união com Cristo, a presença de Cristo na Ceia e mesmo o próprio
conceito de que Cristo encarnou, morreu e ressuscitou para salvar pecadores
foram tomadas de empréstimo por Paulo de antigas religiões pagãs de mistério.
Assim, quando eles estudavam Paulo, procuravam paralelos no gnosticismo, nas
religiões gregas e nas lendas e mistérios de religiões dualistas.
2.1 Dois tipos de
judaísmo
Os judeus
na época de Paulo se concentravam em dois lugares: na Palestina e na Dispersão,
nome dado ao Israel espalhado pelas cidades gregas e romanas do Império. As
maiores colônias judaicas estavam em Alexandria, em Roma e na Mesopotâmia.
Os judeus
da Dispersão praticavam um Judaísmo mais ameno, por causa da distância do
templo, o contato constante com os gentios e a força influenciadora do
helenismo. Entretanto, mantinham-se leais às principais instituições judaicas,
como o sábado, a circuncisão e as leis sobre alimentação. Paulo era um judeu da
Dispersão, foi aparentemente criado em Tarso e sua educação rabínica se deu em
Jerusalém (Atos 22.3). Muito embora o Judaísmo da Palestina fosse mais rigoroso
por causa da presença do templo, dos fariseus e escribas, não devemos postular
uma diferença muito grande entre estes dois tipos de Judaísmo.
Porém,
para um grupo crescente e mais influente de estudiosos, o background de
Paulo era o Judaísmo, especialmente o tipo de Judaísmo existente na Dispersão,
fora de Jerusalém, nas cidades gregas onde havia colônias judaicas e suas
sinagogas. Paulo havia nascido em Tarso, filho de fariseu. Recebeu a educação
padrão dos judeus nas Escrituras Sagradas. Muito embora também tivesse recebido
uma educação no helenismo, predominou nele sua educação judaica.
Assim,
devemos buscar nas Escrituras dos judeus – o Antigo Testamento – as fontes do
pensamento de Paulo. Certamente comparações e paralelos com o mundo helenista
poderão nos ajudar, já que Paulo era cidadão de dois mundos. Mas é no Judaísmo
do primeiro século que encontramos a matriz do seu pensamento.
Além
disto, devemos mencionar mais duas outras influências decisivas na pregação do
apóstolo:
Primeira,
os ensinos de Jesus. Muito embora Paulo não tenha conhecido a Jesus
Cristo pessoalmente, certamente recebeu os ensinamentos dele dos que já eram
cristãos anteriormente, como por exemplo, sobre a Ceia (1Co.11.23).
Segunda, o ensino da Igreja apostólica. Quando Paulo se converteu a
Cristo, a Igreja já estava em existência. Através dos muitos contatos que teve
com os cristãos, em Jerusalém e em Antioquia, Paulo tomou conhecimento e
absorveu o ensinamento da Igreja. Por exemplo, ele diz que "recebeu" os pontos
fundamentais da fé, como a morte de Cristo por nossos pecados e a sua
ressurreição (1Co.15.3-4).
A
expressão "recebeu" indica transmissão por via oral de uma tradição reconhecida.
Paulo provavelmente "recebeu" da Igreja primitiva a tradição oral, originada com
o próprio Jesus, quanto à sua morte e ressurreição.
Isto
significa que ao estudarmos o pensamento de Paulo, devemos buscar entendê-lo à
luz das Escrituras do Antigo Testamento, do ensino do Senhor Jesus e da mensagem
da Igreja apostólica, que se encontra refletida nos demais escritos do Novo
Testamento.
Há temas
na pregação de Paulo que não encontramos explicitamente nestas fontes. A
originalidade deve ser creditada à contribuição pessoal de Paulo, que sob a
orientação do Espírito de Deus, revelou-nos ainda mais profundamente o mistério
de Deus, Cristo (Ef 3.4).
2.2 Paulo mudou sua
teologia durante os anos?
O que
Paulo escreveu no fim da vida estava em harmonia com seus primeiros escritos?
Apesar de
inspirado por Deus, Paulo continuou sendo um ser humano normal, sujeito ao
processo de crescimento, amadurecimento e envelhecimento – como todos nós. É
freqüente acontecer que escritores modifiquem seu pensamento e suas idéias com o
correr dos anos, ao ponto de rejeitarem obras do início de suas carreiras, pois
não mais refletem seu pensamento. Perguntamo-nos se Paulo não teria modificado
suas idéias com o transcorrer do tempo, ao ponto de suas cartas mais maduras
(como Romanos) contradizerem as primeiras que escreveu (como 1Tessalonicenses ou
Gálatas).
Alguns
estudiosos acreditam que Paulo passou por um tão grande processo de mudança em
seu ministério, que não se pode mais falar de uma teologia paulina, mas
de várias, que foram se alterando à medida que o apóstolo crescia,
amadurecia e mudava... suas cartas, dizem eles, não refletem um pensamento
coerente e unificado, mas sim idéias contraditórias.
É
importante dizer que as supostas contradições apontadas podem e têm sido
explicadas por estudiosos conservadores como diferentes ênfases motivadas pelo
caráter circunstancial das cartas. Por exemplo, a aparente contradição entre uma
atitude crítica do apóstolo para com a Lei de Moisés em Gálatas e sua atitude
mais amena e branda em Romanos explica-se se levando em conta a situação em que
Paulo escreveu Gálatas – missionários judaizantes querendo obrigar os crentes
gentios a guardarem a Lei de Moisés para serem salvos – e a situação e propósito
da carta aos Romanos – dar uma explicação mais detalhada do Evangelho que ele
pregava.
Esta
explicação é muito mais coerente do que a hipótese de que Paulo teria sido
repreendido por Tiago após ter escrito Gálatas e então modificou seu pensamento
em Romanos, como defendem alguns.
Podemos
admitir que Paulo cresceu no conhecimento da fé e do mistério de Cristo
durante seu ministério. Difícil acreditar que ele descobriu tudo de uma única
vez e através de revelação direta. O conhecimento de Paulo foi sendo aumentado
mais e mais, não somente através das revelações do Senhor, mas através do estudo
das Escrituras, da necessidade de dar respostas doutrinárias e práticas para os
problemas das igrejas que havia plantado, através do convívio com os outros
apóstolos.
Porém,
este crescimento gradual não implica em contradição interna no pensamento do
apóstolo, da mesma forma que o caráter progressivo da revelação de Deus nas
Escrituras não implica em contradição entre as diferentes fases.
Em resumo,
podemos afirmar os seguintes pontos relacionados com o estudo das cartas de
Paulo, visando sintetizar sua pregação:
a. Devemos tomar todas
as cartas que reivindicam ter sido escritas por ele, e tentar sintetizar o
pensamento do apóstolo usando todas elas.
b. Paulo deve ser
entendido à luz do background judaico, sem que se despreze sua formação
helenista. As fontes de seu pensamento são as Escrituras de Israel, o
ensinamento de Jesus Cristo e a tradição da Igreja apostólica de Jerusalém e de
Antioquia.
c. Podemos estudar as
cartas de Paulo como um todo coerente, muito embora alertas para o fato de que
as epístolas do final de seu ministério expressam o pensamento do apóstolo de
forma mais completa.
3. QUAL A “PORTA DE
ENTRADA” PARA O PENSAMENTO E A PREGAÇÃO DE PAULO?
Qual a
doutrina, conceito, motivo ou elemento central da pregação de Paulo em torno do
qual podemos organizar a sua teologia?
Exemplificando, os estudiosos dos Evangelhos concordam em termos gerais que o
tema central da pregação do Senhor Jesus foi o Reino de Deus. Tudo que ele disse
e ensinou pode ser entendido à partir deste grande tema.
Existe,
igualmente, um tema similar nas cartas de Paulo?
A resposta
dependerá do que acreditamos acerca de Paulo e do que ele escreveu. Se para nós
a atividade de Paulo como escritor de cartas era meramente humana, não podemos
falar de um “centro”, pois as contradições inerentes à sua obra
impossibilitariam falar-se de um tema unificador, que trouxesse coerência ao seu
material.
Mas, se
para nós, Deus é o autor último do que Paulo escreveu, podemos falar de um
centro. Este centro não precisa ser uma doutrina única, pode até mesmo ser um
complexo doutrinário central, de onde Paulo deriva os demais aspectos de seu
ensino.
Seguindo a
sugestão de Christiaan Becker, professor de NT em Princeton, (Nicodemus, 2000),
entendemos que existe uma coerência e uma contingência no
pensamento de Paulo.
A
coerência tem a ver com as estruturas fundamentais de seu pensamento, aquilo
que o unifica e que serve de base. É um conjunto de idéias que formam o centro
coerente do seu pensamento. A contingência refere-se ao fato de que Paulo
refletia e escrevia à medida em que as circunstâncias o exigiam. O grande
estímulo para suas cartas foi exatamente as necessidades das igrejas que ele
fundou e outras que não fundou (Roma, por exemplo).
Foi
respondendo a estas necessidades que Paulo elaborou muitos dos tópicos de sua
teologia, como por exemplo, a doutrina da salvação pela fé somente, em reação à
invasão judaizante na Galácia que pregava as obras da Lei como necessárias à
salvação. Como diria Leonardo Boff, citado por Nicodemus, 2000, era "teologia à
caminho", sendo feita à medida que a missão entre os gentios avançava. Isto
explica porque alguns tópicos aparecem em umas cartas e não em outras,
estimulados e provocados pelas necessidades das igrejas locais. (Por exemplo,
Romanos quase não tem cristologia, a qual aparece bastante em Colossenses)
Paulo
elaborava estas respostas a partir de um conjunto coerente e uniforme de
doutrinas, que estavam no centro de seu pensamento, e de onde ele tirava os
parâmetros para abordar cada nova contingência.
Concluindo, queremos acreditar, então, que o centro da pregação de Paulo é “a
consciência de que o tempo escatológico da salvação prometida no Antigo
Testamento foi inaugurado com a vinda de Cristo a este mundo”.
Portanto,
em nosso entendimento, foi a partir deste centro que Paulo desenvolveu
seu ministério.
4. AS FONTES PARA
UMA TEOLOGIA PAULINA
Antes de,
propriamente, nos aprofundarmos na “Teologia de Paulo”, precisamos nos
posicionar, diante das muitas interpretações hoje existentes no meio teológico,
basicamente nas seguintes premissas, as quais julgamos coerentes com o
pensamento que permeia o mundo cristão contemporâneo:
a) As 13 cartas
atribuídas à autoria de Paulo podem ser utilizadas?
Sim. Para
que possamos sintetizar o conteúdo da pregação de Paulo, podemos usar as 13
cartas que trazem seu nome e os resumos de suas pregações no livro de Atos.
Muito embora estas fontes não nos dêem um conhecimento exaustivo do pensamento
de Paulo, nos dão o suficiente para podermos falar de uma "teologia" do
apóstolo.
b) Desenvolvimento
sem contradições internas no pensamento de Paulo
Paulo não
aprendeu tudo de vez, muito embora tenha recebido muitas coisas através de
revelações diretas do Senhor. No transcorrer dos anos, mediante o estudo das
Escrituras do Antigo Testamento, do convívio com outros cristãos e no andamento
do seu trabalho missionário, seu conhecimento foi se expandindo e
complementando. Entretanto, por virtude da inspiração divina, este processo de
desenvolvimento aconteceu sem que possamos falar em contradições entre o
pensamento inicial de Paulo, refletido em suas primeiras cartas, e seu
pensamento mais amadurecido, refletido na literatura posterior.
c) A unidade
teológica na diversidade das cartas de Paulo
Exatamente
pelo motivo anterior é que podemos dizer que muito embora Paulo tenha escrito
muitas e variadas cartas para atender a diferentes situações e em diferentes
épocas de sua vida, existe uma unidade teológica em seus escritos, que nos
permite falar em uma "teologia paulina".
d) Harmonia entre a
teologia de Paulo e os demais escritos da Bíblia
Nesta
mesma linha de pensamento, afirmamos também a unidade essencial entre o
pensamento e a pregação de Paulo, refletidos em seus escritos, e a mensagem do
Antigo Testamento e aquele de outros apóstolos e escritores do Novo. Muito
embora a mensagem de Paulo tenha características e peculiaridades próprias, o
que representa a sua contribuição para a totalidade da revelação divina, não
contradiz nem diverge da mensagem central das Escrituras. Isto precisa fica
claro, ao usarmos o termo "teologia paulina". Com isto não queremos dizer que a
teologia de Paulo é diferente daquela de Pedro ou de João, mas que tem suas
próprias características.
e) O background
judaico do pensamento de Paulo
Muito
embora devamos reconhecer que Paulo conhecia a cultura grega, suas religiões,
filosofias e maneira de pensar e de escrever (o que pode ser verificado em suas
próprias cartas), a matriz de seu pensamento encontra-se no mundo judaico, em
suas Escrituras, tradições, instituições, esperanças e maneira de encarar o
mundo.
f) As fontes de sua
mensagem
A mensagem
de Paulo não é totalmente original: ele usou conceitos cristãos que já existiam
antes dele, os quais remontam à vida, obra e ensinamentos de Jesus Cristo,
preservados e transmitidos pela tradição oral da Igreja primitiva, quer de
Jerusalém, quer de Antioquia. Naquilo que é propriamente dele, Paulo partiu das
Escrituras do Antigo Testamento e de revelações diretas dadas pelo Senhor.
5 - AS ESTRUTURAS
FUNDAMENTAS DA TEOLOGIA PAULINA
Por
"estruturas fundamentais" queremos nos referir ao que era básico, dominante e
controlador na pregação do apóstolo, seu ponto de partida, que determina tudo o
mais que ele escreveu e pregou. Nosso alvo é entender o pensamento mais
fundamental e básico de Paulo, que influenciou toda a sua obra: o conceito
escatológico de história da salvação.
5.1 A Plenitude dos
Tempos
5.1.1 O conceito de
“plenitude do tempo”
Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher,
nascido sob a lei (Gl 4.4).
...
desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que
propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos
tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra (Ef 1.9-10).
Paulo usa
a expressão "plenitude do tempo" duas vezes em suas cartas. A “plenitude do
tempo”, no seu pensamento, não é o amadurecimento do tempo ou seu ponto
climático, como popularmente se pensa, mas o cumprimento ou término do tempo em
seu sentido absoluto. O tempo do mundo chegou ao seu fim com o advento de
Cristo. Não que o mundo deixa de existir, mas que o mundo, como o conjunto de
valores humanos da humanidade em rebelião contra Deus, entrou em seu último
estágio, na etapa final da história. Ou seja, o momento decisivo e final da
história humana já começou:
• Gálatas 4.4,
plhrwma tou cronou,
"plenitude do tempo" expressa o cumprimento do tempo como tempo do mundo, tempo
cronológico que pode ser medido por um relógio.
• Efésios 1.10,
plhrwma tou cronou,
"plenitude dos tempos", expressa o cumprimento de todas as intervenções
histórico-redentivas de Deus anteriores, no decorrer do tempo do mundo. A vinda
de Cristo foi a última intervenção salvadora de Deus na história (a segunda
vinda é o desdobramento final desta última intervenção).
Embora
Paulo reconheça o caráter ainda futuro do "fim dos tempos", fala dele como tendo
já sido acontecido ou inaugurado:
• Sabe, porém, isto:
nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis [Paulo não se referia a dias
ainda por vir, mas à sua própria época] (2 Tm 3.1).
• Estas coisas lhes
sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros
sobre quem os fins dos séculos têm chegado (1 Co 10.11).
Mas, o
alvorecer da última hora para Paulo (cf. 1 João 2.18) é entendido, não somente
como o julgamento definitivo deste mundo, mas como o raiar do grande dia da
salvação, prometido pelos antigos profetas de Israel. Vejamos em seguida este
outro conceito fundamental, que é o "dia da salvação".
5.1.2 O dia da
salvação
...
porque ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da
salvação; eis, agora, o tempo sobremodo oportuno, eis, agora, o dia da
salvação (2 Co 6.2)
Por “tempo
sobremodo oportuno” e “dia da salvação” Paulo não se refere primariamente à
oportunidade de conversão apresentada ao ouvinte (embora isto possa ser
inferido), mas ao longamente esperado dia de Deus, a hora decisiva para a
salvação da humanidade, o dia da salvação no seu sentido escatológico de
consumação.
Este "dia
da salvação" refere-se aos eventos históricos da encarnação, morte,
ressurreição, glorificação de Cristo e a vinda do Espírito, considerados por
Paulo como os últimos e decisivos eventos dentro da série de intervenções
salvíficas de Deus na história da humanidade, que constituem a história da
salvação.
Notemos
que Paulo, no versículo acima, diz que o "dia da salvação" chegou agora.
Este agora, chamado de "agora escatológico" pelos estudiosos de
Paulo, é usado pelo apóstolo para indicar a erupção na história do dia da
salvação, da plenitude do tempo. O agora é o futuro já iniciado no tempo
presente, o que alguns estudiosos têm chamado de "escatologia realizada". Note
este uso do agora nos versículos seguintes:
•
Romanos 3:21 -- Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus
testemunhada pela lei e pelos profetas;
•
Romanos 7.6 -- Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para
aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e
não na caducidade da letra.
•
Romanos 8:1 -- Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em
Cristo Jesus.
•
Romanos 7:6 -- Agora, porém, libertados da lei, estamos mortos para
aquilo a que estávamos sujeitos, de modo que servimos em novidade de espírito e
não na caducidade da letra.
•
Romanos 13:11 -- E digo isto a vós outros que conheceis o tempo: já é hora de
vos despertardes do sono; porque a nossa salvação está, agora, mais perto
do que quando no princípio cremos.
•
Efésios 3:5 -- o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos
dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e
profetas, no Espírito,
•
Efésios 3:10 -- para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne
conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais,
•
Colossenses 1:26 -- o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações;
agora, todavia, se manifestou aos seus santos;
• 2
Timóteo 1:10 -- e manifestada, agora, pelo aparecimento de nosso Salvador
Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a
imortalidade, mediante o evangelho.
5.1.3 Nova criação
E,
assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram;
eis que se fizeram novas (2 Co 5.17)
A
expressão "nova criatura" é a tradução do grego
kaine ktisiV,
que também pode ser traduzido como "nova criação". Com o termo, Paulo não se
refere somente ao aspecto individual (nova criatura), mas à recriação do
mundo que Deus fez amanhecer em Cristo, e ao qual todos os que pertencem a
Cristo estão incluídos.
“As coisas
velhas” e “o novo” devem ser entendidos, similarmente, de forma escatológica.
Paulo está fazendo um contraste entre dois mundos e não entre dois estágios da
vida do cristão individualmente. O “velho” refere-se ao mundo não redimido em
seu pecado e aflição e o “novo” ao tempo da salvação que raiou na ressurreição
de Cristo. Portanto, quem está em Cristo participa da nova criação, ao novo
mundo de Deus.
Nas
passagens abaixo podemos encontrar reflexos deste conceito de Paulo,
referindo-se à nova humanidade, recriada por Deus conforme à sua imagem,
em Jesus Cristo:
•
Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as
quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas (Ef 2.10);
•
... aboliu, na sua carne, a lei dos mandamentos na forma de ordenanças, para
que dos dois criasse, em si mesmo, um novo homem, fazendo a paz (Ef 2.15);
• e
vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão
procedentes da verdade (Ef 4.24);
• e
vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo
a imagem daquele que o criou (Cl 3:10).
Muito
embora estas passagens tenham implicações individuais e possam ser usadas em
referência ao antes e depois da conversão, o seu ponto central é a recriação em
Cristo da humanidade caída, mediante a fé. Ou seja, o contraste velho-novo é
escatológico, entre dois tempos da história, separados pela entre si pela
vinda de Cristo ao mundo. Este conceito faz parte das estruturas fundamentais da
pregação de Paulo.
Resumindo, podemos dizer
que o conceito da plenitude do tempo é fundamental na pregação de Paulo,
e expressa-se em suas cartas pelos conceitos correlatos da chegada do "dia da
salvação", do "agora" escatológico e da recriação da humanidade em Cristo.
5.1.4 A Revelação
do Mistério
O caráter
escatológico, histórico-redentivo dos eventos históricos associados com a pessoa
de Cristo, bem como da proclamação deles por Paulo, percebe-se também pelas
referências que o apóstolo faz a eles como sendo “a revelação do mistério”,
“fazer conhecido” aquilo que “foi mantido em segredo” ou “oculto”. Em outras
palavras, Paulo vê a vinda do Senhor Jesus ao mundo como o desvendamento de um
segredo que havia sido guardado por Deus anteriormente.
Leia as seguintes
passagens:
•
Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a
pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em
silêncio nos tempos eternos, e que, agora, se tornou manifesto e foi dado a
conhecer por meio das Escrituras proféticas, segundo o mandamento do Deus
eterno, para a obediência por fé, entre todas as nações (Rm.16.25-26);
•
... o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora,
todavia, se manifestou aos seus santos (Cl 1.26);
•
... para que o coração deles seja confortado e vinculado juntamente em amor, e
eles tenham toda a riqueza da forte convicção do entendimento, para
compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (Cl 2.2-3);
•
... desvendando-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito
que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude
dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra; (Ef.1.9-10);
•
... pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do
mistério de Cristo, o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer
aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos
apóstolos e profetas, no Espírito (Ef 3.4-5);
•
... pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério,
conforme escrevi há pouco, resumidamente (Ef 3.3);
•
.. mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, outrora oculta, a qual
Deus preordenou desde a eternidade para a nossa glória (1 Co 2.7);
•
... que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras,
mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo
Jesus, antes dos tempos eternos (2 Tm 1.9);
•
...na esperança da vida eterna que o Deus que não pode mentir prometeu antes
dos tempos eternos e, em tempos devidos, manifestou a sua palavra
mediante a pregação que me foi confiada por mandato de Deus, nosso Salvador
(Tito 1.2-3).
É claro da
leitura destas passagens que para Paulo, o Evangelho era um mistério que
Deus havia mantido oculto desde os tempos eternos (=eternidade), mas agora havia
chegado o tempo de sua revelação, mediante a manifestação de Cristo ao
mundo (encarnação, morte, ressurreição) e mediante a pregação apostólica.
É
importante observar, mais uma vez, que o conceito de “mistério” em Paulo não tem
como background o conceito helenista das religiões de mistério, mas o
pensamento judaico, moldado pelas Escrituras.
Podemos
apontar pelo menos dois motivos no Antigo Testamento que servem de base para o
conceito Paulino:
a. O conselho
secreto de Deus quanto à sua obra redentora na história.
É aquilo que ainda não apareceu na história, mas que já existe no conselho
secreto de Deus:
• O
conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por
todas as gerações (Sl 33.11);
•
Porque quem esteve no conselho do SENHOR, e viu, e ouviu a sua palavra?
Quem esteve atento à sua palavra e a ela atendeu? (Jr. 23:18);
•
Portanto, ouvi o conselho do SENHOR que ele decretou contra Edom e os
desígnios que ele formou contra os moradores de Temã; certamente, até os
menores do rebanho serão arrastados, e as suas moradas, espantadas por causa
deles (Jr 49.20);
•
Portanto, ouvi o conselho do SENHOR, que ele decretou contra Babilônia, e
os desígnios que ele formou contra a terra dos caldeus; certamente, até
os menores do rebanho serão arrastados, e as suas moradas, espantadas por causa
deles. (Jr 50.45);
•
Ou ouviste o secreto conselho de Deus e a ti só limitaste a sabedoria?
(Jó 15.8);
•
Certamente, o SENHOR Deus não fará coisa alguma, sem primeiro revelar o seu
segredo aos seus servos, os profetas. (Am. 3.7).
b. O conceito de
que Deus revela os mistérios concernentes aos seus planos para a história
Os
estudiosos têm destacado que Paulo percebe seu ministério em termos do padrão
raz-pesher ("mistério-revelação", em aramaico) encontrado em Daniel:
•
Então, foi revelado o mistério a Daniel numa visão de noite; Daniel
bendisse o Deus do céu (Dn 2.19);
•
Respondeu Daniel na presença do rei e disse: O mistério que o rei exige,
nem encantadores, nem magos nem astrólogos o podem revelar ao rei (Dn
2.27);
• E
a mim me foi revelado este mistério, não porque haja em mim mais
sabedoria do que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse
saber ao rei, e para que entendesses as cogitações da tua mente (Dn 2.30);
•
Disse o rei a Daniel: Certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor
dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério
(Dn 2.47).
A
“revelação” do mistério de Cristo, portanto, é o próprio aparecimento na
história desse conselho divino mantido em segredo por Deus. Esse é o tema da
pregação de Paulo e o ministério que ele recebeu: o mistério de Cristo e a
revelação do mesmo aos seus santos. O mistério de Cristo, guardado no secreto
conselho do Senhor, foi revelado “agora”. Aqueles eram dias de cumprimento, o
fim da longa espera, a última intervenção de Deus na história, conforme seus
desígnios e promessas. Compare com estas palavras de Paulo:
•
... da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que
me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus:
o mistério que estivera oculto dos séculos e das gerações; agora, todavia, se
manifestou aos seus santos (Cl 1.25-26);
•
... se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim
confiada para vós outros; pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o
mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente; pelo que, quando ledes,
podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo, o qual, em outras
gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi
revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito (Ef 3.2-5).
Paulo,
Jesus e a Igreja Primitiva Esse caráter geral da pregação de Paulo está em
perfeita harmonia com a pregação de Jesus sobre a vinda do Reino de Deus. O
apóstolo não "inventou" este conceito escatológico, histórico-redentivo. Ele tem
seu fundamento na própria pregação do Senhor Jesus. Ele anunciou a chegada da
plenitude dos tempos, dizendo:
"O
tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no
evangelho (Mc 1.15). E ele próprio mencionou que o Reino era a revelação do
mistério, "... a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos
céus, mas àqueles não lhes é isso concedido... Bem-aventurados, porém, os
vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem. Pois em verdade
vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e
ouvir o que ouvis e não ouviram (Mt 13.11,16-17).
Embora
formalmente a pregação de Paulo e a de Jesus são distintas (quanto às palavras
empregadas, ao método, tipo de ensino e figuras empregadas), e a de Paulo ocorre
num estágio mais avançado do que o de Jesus em sua encarnação, o conceito da
vinda do reino é o princípio dinâmico maior da pregação de Paulo, muito embora
ele não empregue o termo “reino dos céus”. Existe, portanto, uma unidade básica
do kerygma de Jesus e Paulo.
O mesmo
pode ser dito da pregação da Igreja de Jerusalém e dos demais apóstolos. O
apóstolo Pedro, no dia de Pentecostes anunciou a chegada dos últimos dias,
"E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu
Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos
jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; (At 2.17). O apóstolo João está
consciente de que a última hora já começou:
"Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo,
também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a
última hora (1 Jo 2.18).
Portanto,
percebemos que o conceito fundamental de que a plenitude dos tempos havia
chegado subjaz não somente a pregação de Paulo, mas, tendo origem na pregação de
Jesus Cristo, permeia todo o ensino do Novo Testamento. Paulo, entretanto, mais
que os outros, desdobra o kerygma em riqueza de aspectos e detalhes, com
uma profundidade de pensamento sem igual.
Então,
muito embora a pregação de Paulo seja rica e variada, espalhada pelas 13 cartas
que escreveu, percebe-se que há uma subestrutura fundamental que subjaz seus
ensinos, que é o conceito da história da salvação. Paulo pensa
escatologicamente, isto é, entendendo a obra de Cristo como sendo o
cumprimento das promessas antigas feitas por Deus através dos profetas de
Israel.
Assim, já
podemos perceber que a maneira mais adequada para lermos as cartas de Paulo é
partindo destas premissas mencionadas acima. Tenho certeza que textos antigos
serão lidos à uma nova luz e adquirirão um sentido mais rico e completo do que
antes, quando líamos Paulo sem nos apercebermos das estruturas fundamentais de
sua pregação.
6 ESCATOLOGIA E
CRISTOLOGIA
Segundo as
cartas de Paulo, o caráter escatológico da sua pregação é determinado
inteiramente pelo advento e revelação de Jesus Cristo. Em outras palavras, sua
escatologia é cristológica. A abordagem do apóstolo e a sua compreensão
da história procedem da sua fé em Cristo. Assim, as estruturas fundamentais da
sua pregação devem ser abordadas somente a partir de sua Cristologia. Há uma
interdependência vital entre escatologia e cristologia nos seus
escritos.
6.1 O caráter
cristológico da escatologia de Paulo
A pregação
de Paulo é controlada por sua compreensão de que Deus cumpriu na história as
suas antigas promessas feitas através dos profetas de Israel. A história, assim,
chegou ao seu fim. Os últimos dias já raiaram. Os eventos decisivos que
trouxeram a realização deste momento histórico climático são aqueles
relacionados com a vida e obra de Jesus Cristo. Sua encarnação, morte,
ressurreição e exaltação inauguram a etapa final da série de eventos
histórico-redentivos da intervenção de Deus no mundo.
Este
conceito está patente em várias passagens das cartas de Paulo:
•
A vinda de Cristo traz a plenitude dos tempos — "vindo, porém, a
plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de
filhos" (Gl 4.4-5);
•
A revelação do mistério é a manifestação e o advento de Cristo — "pelo
que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo,
o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como,
agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito" (Ef
3.4-5; ver também 2 Tm 1.9-10);
•
O mistério revelado pode ser resumido numa palavra: Cristo — ".para
compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros
da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Cl 2.3-4).
Assim,
podemos dizer com segurança que o evangelho que Paulo prega é o evangelho da
inauguração da hora da salvação, que ele chama de "o evangelho de Cristo" (Rm
15.19; 1 Co 9.12; 2 Co 2.12).
6.2 O caráter
escatológico de sua cristologia
Semelhantemente, podemos dizer que a cristologia de Paulo gira em torno dos
fatos escatológico/redentivos acontecidos em Cristo. Essa é a base de sua
pregação. A realidade histórica dos eventos cristológicos (encarnação, morte e
ressurreição de Cristo) formam o fundamento do seu kerygma (1 Co 15.1-4, 14,19).
O caráter escatológico da cristologia de Paulo nos permite ver, como o
pensamento e a pregação do apóstolo estão organicamente unidos à revelação do
Antigo Testamento. Para Paulo, o que aconteceu com Cristo representa o
cumprimento e o término da série grandiosa de eventos redentivos ocorridos na
história de Israel e que se encontram registrados nas Escrituras do Antigo
Testamento. Esta série de eventos cristológicos é também o pressuposto da
continuação e da consumação da história do mundo.
Esta
constatação nos permite analisar e rejeitar a sugestão do conhecido estudioso
liberal alemão Rudolf Bultmann, de que a escatologia de Paulo é determinada
inteiramente pela sua antropologia (doutrina do homem) e que o apóstolo havia
perdido de vista a história de Israel e do mundo.
Contrário
à Bultmann, afirmamos que a escatologia de Paulo é controlada pelo conceito de
Deus como Criador dos céus e da terra, que conduz todas as coisas à sua
consumação final de acordo com a revelação profética do Antigo Testamento.
(Nicodemus,2000). É evidente das cartas de Paulo que o apóstolo entendia que
Deus, em Cristo, havia trazido todas as coisas à sua consumação final.
Verifiquemos as evidências abaixo:
a. Paulo
proclama a Cristo como cumprimento das promessas de Deus feitas a Abraão, a
semente na qual seriam benditas todas as famílias da terra (leia Gl.
3.8,16,29);
b. Paulo
refere-se a Cristo como a "revelação do mistério". O passado é visto, não
somente como um tempo de trevas e ignorância, mas de preparação para sua vinda.
A graça, agora, tem sido revelada (leia 2 Tm 1.9; Tt 1.2-3);
c. A vinda
de Cristo e seu significado são entendidos à luz das Escrituras proféticas
(Rm.16.26). Um dos temas mais importantes da pregação de Paulo é que seu
evangelho é de acordo com as Escrituras. Para ele, a vinda de Cristo não somente
foi de acordo com as Escrituras, mas representa o próprio cumprimento
delas (leia Rm 1.17; 3.28; veja ainda Rm.4, onde Paulo usa a história de
Abraão como demonstração da doutrina da justificação pela fé; Gl 3.6ss; 4.21ss;
1 Co 10:1ss; Rm 15.4; 1 Co 9.10; 2 Tm 3.16).
6.3 Comparação da
escatologia de Paulo com o Judaísmo e os Essênios
Já vimos
que a pregação de Paulo é melhor entendida a partir de sua escatologia. Alguns
estudiosos liberais que têm percebido este fato sugerem que Paulo simplesmente
tomou as expectativas escatológicas do Judaísmo, particularmente aquelas
defendidas na literatura apocalíptica e dos Essênios, e as adaptou, aplicando-as
a Cristo. Por um lado, não se pode deixar de perceber que a escatologia de Paulo
é claramente baseada nas Escrituras do Judaísmo, que era a mesma Escritura dos
Essênios e da literatura apocalíptica. Mas, apesar de utilizar termos
tradicionais e comuns do Judaísmo, a escatologia de Paulo é essencialmente
distinta das expectativas escatológicas do Judaísmo e dos Essênios em um aspecto
central, que é a tensão entre o aspecto realizado e o ainda-por-realizar da
obra redentora de Deus em Cristo.
Tanto o
Judaísmo quanto a comunidade do Mar Morto (Essênios) concebiam a história em
termos do mundo presente e do mundo por vir, separados linear e radicalmente um
do outro pela chegada ainda futura do Messias. Para Paulo (na verdade, para o
Senhor Jesus e para os escritores do Novo Testamento), o mundo futuro –
isto é, a nova era e a nova criação – já raiou com a vinda de Cristo, o Messias;
a igreja, entretanto, ainda vive no mundo presente e no tempo
correspondente a ele, que são "os tempos do fim". Os dois mundos e as duas eras,
ou ainda, os dois tempos, se sobrepõem, coexistindo lado a lado, até o momento
da consumação.
6.4 Os Dois Mundos
Esta
característica da teologia de Paulo pode ser percebida nas passagens onde ele
utiliza diferentes termos para se referir ao "tempo presente", como o momento da
história em que o mundo vindouro já penetrou: o "tempo presente" é marcado por
sofrimentos (Rm 8.18); é o "tempo de hoje" quando Deus reúne seus eleitos (Rm
11.5), "este século", com o qual os cristãos não devem se conformar (Rm 12.2), o
"presente século" já debaixo do senhorio de Cristo (Ef 1.21), mas ainda esse
"mundo perverso" (Gl 1.4), no qual já vivemos "os fins dos séculos" (1 Co
10.11); são "os últimos tempos" marcados pela apostasia causada pela influência
demoníaca (1 Tm 4.1), os difíceis "últimos dias" nos quais a depravação humana é
mais e mais evidente (2 Tm 3.1).
Antes e
Agora Esse contraste entre os dois mundos, ausente na apocalíptica e nos
Essênios, às vezes é expresso nas cartas de Paulo em termos de um contraste
entre o "antes" (a vida não redimida antes do raiar do tempo da redenção, Ef
2.2,12) e o "agora" (tempo da redenção, da nova criação e de cumprimento,
confira 2 Co 6.2; Ef 2.13; Rm 3.21; 2 Co 5.16; cf. 1 Pd 2.10).
Em resumo,
podemos dizer que na escatologia de Paulo, o presente e o futuro se sobrepõem: a
vinda de Cristo representa a penetração da era futura na era presente.
É
importante observar que Paulo não nos dá em seus escritos uma explicação
estruturada para o esquema escatológico dos dois mundos mencionados acima.
Precisamos insistir que esse esquema faz parte de nossa tarefa de tentar
entender e sintetizar o pensamento do apóstolo. Como já havíamos mencionado
antes, Paulo não era um "teólogo" que pensava sistematicamente em termos dos
dois
aeons
(mundos). É melhor
entendê-lo como um pregador do Cristo que veio e que ainda virá. Essa é a razão
pela qual ele pode falar em termos do presente e em seguida do futuro, sem
preocupar-se com a dificuldade que sua pregação, a princípio, possa causar. É a
revelação de Jesus Cristo como o Messias prometido por Deus a Israel que
determina e cria sua consciência histórica e escatológica – e não o contrário.
6.5 O Primogênito
de Entre os Mortos.
Para
Paulo, o "novo" de Deus tem sua inauguração, não em um ponto específico da vida
e obra de Cristo, mas no envio de Deus de seu Filho, nascido sob a lei, nascido
de mulher (Gl 4.4; 1 Tm.3.16).
Entretanto, o evangelho pregado por Paulo tem seu ponto de partida e centro na
morte e na ressurreição de Cristo. Partindo desses eventos, Paulo olha
retrospectivamente para a encarnação e pré-existência de Cristo e
prospectivamente para sua exaltação e sua vinda. Sua compreensão plena dos atos
redentores de Deus na história parte do evento central da morte-ressurreição de
Jesus Cristo. Esse evento lança luz e esclarece a história antes e depois de
Cristo. Leia 1 Co 15.3-4. Aqui Paulo declara que as antigas promessas redentivas
de Deus nas Escrituras encontram seu cumprimento na morte e ressurreição de
Cristo.
É de
grande importância notar a centralidade da morte e da ressurreição de Cristo no
pensamento de Paulo. Esses dois eventos formam uma unidade inseparável e se
interpretam mutuamente: a morte de Cristo é interpretada à luz de sua
ressurreição e sua ressurreição à luz de sua morte.
6.6 A Ressurreição
de Cristo
Reflitamos
um pouco mais sobre a pregação de Paulo quanto à ressurreição de Cristo. Alguns
aspectos fundamentais podem ser destacados.
a. A
ressurreição de Cristo, como Paulo a entende, significa a erupção da nova era no
sentido real e histórico-redentivo do termo, e não somente no sentido ético
(pensamento liberal),existencial (Bultmann) e forênsico (alguns reformados).
b. Também
é preciso destacar que a importância que Paulo dá à ressurreição de Cristo não é
somente resultado de profunda reflexão posterior que fez, mas acima de tudo, de
revelação divina.
c. Jesus é
o Cristo, e portanto, a sua ressurreição é diferente daquelas
ressurreições anteriores, que foram eventos isolados. A ressurreição de Cristo
representa o amanhecer do prometido tempo da salvação e da nova criação, a
transição decisiva do velho para o novo mundo (2 Co.5.17; cf. v. 15).
6.7 Primogênito,
Primícias e Princípio
É à luz
dos pontos acima que Paulo chama Jesus de o Primogênito (Rm 8.29), as
Primícias (1 Co.15.20) e o Princípio (Cl 1.18).
a. Como
primogênito, Cristo não somente ocupa uma posição de honra e dignidade entre
seus irmãos, mas vai adiante deles, abrindo-lhes o caminho, unindo seu futuro ao
deles, cf. Rm.8.29; Cl 1.18.
b. Como
princípio Cristo é o pioneiro, o inaugurador que desbravou o caminho. Nele,
a Grande e final ressurreição já teve início e tornou-se realidade. Esse sentido
é bastante similar ao de primogênito: em Cristo, o mundo ressurreto
amanhece na realidade presente; Cristo traz à luz a vida e a imortalidade (2 Tm
1.10).
c. Esse
conceito está presente também no termo as primícias dos que dormem,
embora levemente diferente. Como primícia, Cristo não somente é o primeiro da
ressurreição mas representa toda a ressurreição (como as primícias de uma
colheita).
6.8 O último Adão
Romanos 5.12-21 - 12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no
mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens,
porque todos pecaram.
13
Porque até ao regime da lei havia pecado no mundo, mas o pecado não é levado em
conta quando não há lei.
14
Entretanto, reinou a morte desde Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não
pecaram à semelhança da transgressão de Adão, o qual prefigurava aquele que
havia de vir.
15
Todavia, não é assim o dom gratuito como a ofensa; porque, se, pela ofensa de um
só, morreram muitos, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só
homem, Jesus Cristo, foram abundantes sobre muitos.
16
O dom, entretanto, não é como no caso em que somente um pecou; porque o
julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação; mas a graça transcorre
de muitas ofensas, para a justificação.
17
Se, pela ofensa de um e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que
recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um
só, a saber, Jesus Cristo.
18
Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para
condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os
homens para a justificação que dá vida.
19
Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores,
assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos.
20
Sobreveio a lei para que avultasse a ofensa; mas onde abundou o pecado,
superabundou a graça,
21
a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também reinasse a graça
pela justiça para a vida eterna, mediante Jesus Cristo, nosso Senhor.
Por
último, consideremos as expressões "o último Adão" e o "segundo homem" que Paulo
aplica ao Cristo ressurreto (1 Co 15.45ss). Nesta passagem o apóstolo faz um
contraste entre Cristo e Adão. Ali Cristo é chamado de "o último Adão" e o
"segundo homem". Essas expressões são típicas do caráter escatológico do
pensamento de Paulo. Como "último Adão", Cristo é o inaugurador da nova
humanidade. Foi pela ressurreição que ele se tornou o "último Adão" e o "segundo
homem" (1 Co.15.21,22; 45ss).
Em Romanos
5, Paulo mostra que Adão e Cristo se contrapõem como os dois representantes das
duas eras, a porta de entrada de dois mundos distintos, o da morte e o da vida.
Como representante uma dispensação e uma humanidade inteiras, Adão serve como
"tipo daquele que haveria de vir" (Rm 5.14), ou seja, do segundo homem e da era
representada por ele. Assim como o proto-pai trouxe pecado e morte ao mundo,
assim Cristo, por sua obediência (isto é, por sua morte) e sua ressurreição
trouxe vida para a nova humanidade.
Podemos
dizer, em resumo, que a pregação de Paulo de que o grandioso tempo da salvação
amanheceu em Cristo é determinado acima de tudo pela morte e ressurreição de
Cristo. É nesses fatos que a era presente começa a perder seu poder e domínio
sobre os filhos de Adão e que o novo começa a impor-se. Todas as demais
dimensões do pensamento de Paulo espalham-se a partir desse foco central e
retornam a ele para reflexão constante. É daqui que Paulo parte e é para cá que
ele sempre retorna. A unidade de sua teologia pode ser encontrada aqui, na sua
escatologia: a consumação da obra redentora de Deus em Cristo.
Assim, ler
Paulo a partir desta perspectiva pode se tornar uma experiência libertadora e
refrescante para nós.
7 EM CRISTO, COM
CRISTO
Sob este
subtítulo, abordaremos mais quatro aspectos destas estruturas, que são:
1. Estar
em Cristo
2. O velho
e o novo homem
3. Carne e
Espírito
4. Cristo,
o Filho de Deus
Em Cristo, com
Cristo
7.1 Por Nós
Comecemos
com uma pergunta: de acordo com Paulo, como aquilo que ocorreu de uma vez
por todas com Cristo se estende aos seus (sua Igreja). Através de qual princípio
o que aconteceu com Cristo e foi realizado nele aplica-se e beneficia os que são
seus? Paulo freqüentemente diz que o que Cristo fez foi por nós:
•
Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele,
fôssemos feitos justiça de Deus (2 Co 5.21).
•
Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em
nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em
madeiro) (Gl 3.13).
•..o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos
desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai (Gl
1.4).
•
Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido
por nós, sendo nós ainda pecadores (Rm 5.8).
(cf. ainda 1 Co 1.13; 1 Tm 2.6; 1 Co 15.3).
Por
detrás dos diferentes termos empregados por Paulo, como "em nosso lugar", "por
nós", "pelos nossos pecados", etc., estão conceitos oriundos do Antigo
Testamento:
sacrifício, resgate e expiação. O conceito de "por nós", referindo-se à obra de
Cristo, reflete a continuidade que Paulo vê entre a obra de Cristo na cruz e o
sistema sacrificial do Antigo Testamento.
7.2 Em Cristo, Nele
A essa
fórmula por nós Paulo constantemente adiciona outras, em Cristo, nele.
Veja, por exemplo: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura;
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas (2 Co 5.17).
O objetivo
do apóstolo é demonstrar que Cristo está em tão estreita união com aqueles por
quem ele se manifestou, que os mesmos estão nele. Ele também emprega a
fórmula com Cristo ou com ele, naquelas expressões típicas de sua
pregação, como morrer e ressuscitar com Cristo, estar crucificado com ele, etc.
Confira: Rm 6.3ss; Gl 2.19; Cl 2.12,13,20; 3.1,3; Ef 2.6; Cl 3.4.
Essas
fórmulas foram entendidas pelas escolas liberais e existenciais como sendo uma
referência de Paulo à experiência pessoal e religiosa dos cristãos. Paulo foi
interpretado em termos do misticismo de sua época e em termos de seu conceito do
Espírito. Essas escolas ainda foram buscar a origem dessas fórmulas nas
religiões de mistério, onde se fala de ser absorvido pela divindade ou mesmo de
uma unificação física com a mesma, que para Paulo acontecia através do batismo e
da ceia. Ou seja, Paulo teria desenvolvido o conceito de "estar em Cristo"
utilizando-se das categorias místicas das religiões de mistério.
Entretanto, é evidente que essas interpretações estão no caminho errado.
Estar em Cristo, na pregação de Paulo, é um estado contínuo, um
modo de existência, e não um evento que acontece quando alguém é batizado ou
toma o pão e o vinho. Não é uma comunhão que se torna realidade durante esses
eventos, mas uma realidade permanente e determinativa para todos os aspectos da
vida cristã (leia atentamente Cl 2.20--3.4). Não se trata de experiências
mas do estado objetivo de salvação no qual a Igreja se encontra. O batismo e a
ceia são selos, símbolos, sinais dessa realidade.
Além
disso, para Paulo, estar morto, crucificado, ressurreto e assentado nas
religiões celestiais com Cristo, tem sua origem não nas cerimônias de
incorporação, que é o batismo, mas no já termos sido incluídos na morte e na
ressurreição históricas do próprio Cristo. Ver 2 Co 5.14-17.
7.3 O velho e o
novo homem
Abordemos
mais um aspecto das estruturas fundamentais da pregação de Paulo, que é o
conceito de velho e novo. O paralelo entre Cristo e Adão,
característico da pregação de Paulo, tem ainda uma outra dimensão, bem próxima
da que acabamos de abordar, que é a relação entre o velho homem e o novo.
Note estas passagens: (veja ainda Gl 5.24).
•
... sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso velho homem, para
que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos; (Rm
6.6)
•
Nele, também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no
despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, (Cl 2.11).
•
... no sentido de que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem,
que se corrompe segundo as concupiscências do engano, e vos renoveis no espírito
do vosso entendimento, e vos revistais do novo homem, criado segundo
Deus, em justiça e retidão procedentes da verdade.(Ef 4:22-24).
•
Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com
os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno
conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou (Cl 3.9-10).
Freqüentemente o velho homem e o novo são interpretados pelos leitores de Paulo
em termos da ordem da salvação como o tempo antes e depois da conversão. Mais
freqüentemente ainda, os termos são entendidos em termos individuais, como
referindo-se à luta e à conquista do poder do pecado em nossa personalidade.
Entretanto, dentro das estruturas fundamentais do pensamento de Paulo, os termos
devem ser entendidos da perspectiva escatológica da pregação do apóstolo.
Ou seja, eles não descrevem a mudança que acontece mediante a fé na vida do
crente individual, mas aquilo que já ocorreu uma vez por todas em Cristo, no que
seu povo participou inclusivamente, no sentido corporativo já descrito acima
(“em Cristo”, etc.).
O
contraste entre "velho" e "novo" em Paulo é escatológico e não
existencial ou psicológico. É o que aconteceu objetivamente com o velho homem.
Porque o velho homem foi condenado e colocado à morte no Gólgota, agora o
corpo do pecado, a carne, o velho modo de existência perdeu seu domínio e
controle sobre todos que estão em Cristo. O novo homem é o novo modo de
existência inaugurado em Cristo Jesus.
As
passagens onde os crentes são exortados a crucificar a carne e o velho homem,
bem como a revestir-se do novo, são imperativos éticos apoiados na realidade
desses fatos já acontecidos.
Examine
Efésios 4.22ss; Cl 3.9ss; Gl 5.24. Nestas passagens, o imperativo de Paulo para
que vivam a vida cristã é totalmente enraizado no fato já realizado da
crucificação do velho homem e o revestimento do novo.
Em
conclusão podemos observar que a união corporativa dos crentes com Cristo domina
de tal modo, no pensamento de Paulo, o conceito de novo homem, que os próprios
crentes em sua totalidade podem ser chamados de um novo homem, Ef 2.15;
Gl 3.28; cf. Ef 4.13.
8 REVELADO NA
CARNE. CARNE E ESPÍRITO
O próximo
aspecto das estruturas fundamentais é a antítese carne-espírito, a qual,
conforme já vimos anteriormente, tem sido apontada pelos estudiosos como central
no pensamento de Paulo. Começaremos com o conceito Paulino da manifestação de
Cristo na carne.
8.1 Manifestado na
Carne
Para o
apóstolo, a morte e a ressurreição de Cristo são os eventos cruciais de sua
existência e determinam seu pensamento e pregação. Resta-nos perguntar qual o
lugar, no pensamento de Paulo, para a vida de Jesus na terra, antes de tais
eventos. Conforme já havíamos observado, para muitos estudiosos liberais Paulo
não se interessa no Jesus histórico e terreno, mas sim no Cristo cósmico, no
Senhor exaltado e ressurreto, o que acabou levando-o a criar uma outra religião,
diferente
daquela de Jesus.
As
tentativas de separar o pensamento de Paulo da vida e da pregação do Jesus
terreno são exageradas. É verdade que Paulo faz poucas menções dessas coisas em
suas cartas, mas existe uma explicação perfeitamente plausível para o fato. Os
seguintes pontos devem ser observados:
A. As
cartas de Paulo fundamentam-se nas pregações que ele havia feito nas igrejas,
nas quais transmitiu as tradições apostólicas sobre a vida e os ensinos de
Jesus. Freqüentemente o apóstolo faz menção das coisas que havia ensinado e que
espera que as igrejas lembrem, cf. 1 Co 15.1-2; Gl 1.11; 2 Ts 2.5; 3.10. Somente
em algumas ocasiões ele repete essa tradições, quando julga conveniente, ver 1
Co. 11.23ss; 15:2ss.
B. Ele
apela de forma incidental a pronunciamentos específicos feitos por Jesus, cf. 1
Co.7.10,25; 9.14; 1 Ts 4.15, o que sugere que o ensino do Senhor é o ponto de
partida de suas instruções para as igrejas. Um exame mais detalhado revelará que
as cartas de Paulo contém diversas reminiscências, conscientes ou não, dos
ensinos de Jesus, Rm 12.14; 13.9; Gl 5.14; 1 Co 13.2.
É
importante observar que Paulo aborda a vida terrena de Jesus, não tanto da
perspectiva de suas palavras e milagres, mas da perspectiva mais ampla da
história da redenção. Assim, a expressão preferida de Paulo para se referir a
esse período da vida de Jesus é segundo a carne, ou na carne.
Considere estas passagens:
•
... com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de
Davi (Rm.1:3).
•
Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso
fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e
no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado (Rm 8:3).
•
... deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a
carne, o qual é sobre todos, Deus bendito para todo o sempre. Amém! (Rm
9:5).
•
Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na
carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os
gentios, crido no mundo, recebido na glória. (1 Tm 3.16). Veja ainda cf. 2 Co
5.16; Ef 2.14-15; Cl 1.22.
Quando
Paulo diz que Cristo revelou-se na carne, ele se refere, não ao corpo físico
humano de Jesus, nem à pecaminosidade da natureza humana, mas à fraqueza e à
transitoriedade da sua condição, como encarnado, em contraste com o fato de que
ele é o Filho de Deus, o Messias de Israel. Foi nessa condição que Cristo se
revelou. Ele é o Filho de Deus revelado na carne. Foi na carne que ele
trouxe ao fim, na cruz, o antigo modo de existência, e inaugurou a nova era,
resgatando os seus: ... o qual se entregou a si mesmo pelos nossos pecados,
para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e
Pai, (Gl 1.4; cf Rm 6.11).
8.2 Carne e
Espírito
Em
referência à vida terrena de Cristo, Paulo faz um contraste entre na carne
e no Espírito, Rm 1.3-4; 1 Tm 3.16; Rm 8.10. Esse contraste não é
psicológico, como se tratasse de duas partes da existência humana de Cristo
(suas duas naturezas); também não é uma dicotomia antropológica e muito menos um
contraste ético, como Paulo às vezes faz (Gl 5.13ss). “Carne” e “ Espírito”
representam dois modos de existência:
1. “Carne”,
a velha era, caracterizada e determinada pela carne;
2. “Espírito”,
a nova criação que provém do Espírito de Deus.
O
contraste é similar ao contraste entre o primeiro Adão, que era uma “ alma
vivente” (carne) e o último Adão, que é "espírito vivificante" (1 Co 15.45).
É assim
que Paulo vê a existência terrena de Jesus Cristo, em termos escatológicos. Da
mesma forma ele vê a Igreja, não mais na carne – isto é, debaixo do regime do
mundo antigo e dos poderes malignos que o dominam – mas no Espírito, trazida
para debaixo do domínio e a liberdade de Cristo (Rm 8.1-25; especialmente os
versos 9,13; 2 Co 3.6; Gl 3.21).
O
contraste carne/Espírito na pregação de Paulo tem várias nuanças, mas seu ponto
de partida é o contraste escatológico, pelo qual os demais aspectos se tornam
claros e significativos.
9. CRISTO, O FILHO
DE DEUS
A pregação
de Paulo acerca de Cristo é fundamentada também em sua confissão de que Cristo é
o Filho de Deus. Essa confissão não é o resultado de sua reflexão acerca de
Cristo como o Kyrios (Senhor) exaltado (conceito supostamente tirado das
religiões de mistério) mas tem sua origem principalmente no conceito da
pré-existência de Cristo, que Paulo afirma categoricamente. Examinemos as
passagens abaixo:
•
... vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido sob a lei (Gl 4.4).
•
Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso
fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no
tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado (Rm 8:3).
•
... pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez
pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos (2 Co
8.9).
•
... pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser
igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo,
tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo
se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também
Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra
(Fp 2.6-10).
•
Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou,
porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? (Rm 8.32).
Passagens
como estas acima sugerem, que no pensamento do apóstolo, a vinda do Filho de
Deus ao mundo na plenitude dos tempos pressupõe a sua pré-existência com Deus.
Portanto, a exaltação de Cristo na teologia paulina não deve ser dissociada do
significado que pessoa de Cristo tem para o apóstolo.
Ao
interpretarmos as passagens onde Paulo declara que Cristo é o Filho de Deus (por
exemplo, Rm.1.3,4,9; 5.10; 8.3,29; 1 Co 1.9; 2 Co 1.19; Gl 1.16; 2.20, etc.)
devemos levar plenamente em conta os seus pronunciamentos acerca da sua
pré-existência. Deus enviou seu Filho, e esse ato não criou a filiação divina de
Cristo, mas a pressupõe. Do mesmo modo, ao concluir a obra de redenção, Cristo
não cessou de ser o Filho de Deus.
Quando
Paulo fala da pré-existência de Cristo, ele o faz sempre em relação à revelação
do Filho de Deus na história da redenção. Paulo faz com que a linha da história
da redenção retroceda até a pré-existência de Cristo e fala dessa pré-existência
à Igreja do ponto de vista da revelação na história.
Como o
Pré-Existente, o Filho de Deus é o Cristo, o objeto da eleição divina (Ef 1.4),
e como tal, aquele em quem a graça de Deus foi dada desde os tempos eternos (2
Tm 1.9; cf. Ef 1.9), em quem a Igreja é abrangida, escolhida e santificada (Ef
1.4; 2.10; Rm 8.29).
Portanto, os
quatro aspectos da pregação de Paulo aqui estudados confirmam nossa abordagem:
Paulo é um pregador do Evangelho que raciocina em termos da vinda de Cristo ao
mundo como a culminação da história da redenção, trazendo o mundo presente ao
seu fim e inaugurando a era vindoura. A obra de Cristo foi por nós e nos
encontramos nele, um modo de existência em contraste ao estar em Adão.
Isto é também representado pelo contraste entre o velho e o novo, em suas
cartas, e pelo contraste entre a carne e o Espírito.
10 O PRIMOGÊNITO DE
CADA CRIATURA
Esta
designação que Paulo dá à Cristo nos revela algo interessante: o apóstolo
atribui a Cristo uma posição escatológica com relação à criação em geral.
Ou seja, o significado escatológico, histórico redentivo da pessoa e da obra de
Cristo pode ser também percebida na posição que Paulo atribui a Cristo com
relação à criação. Esta posição é de Senhorio absoluto sobre o mundo criado,
visível e invisível. É um Senhorio cósmico. Vejamos estas passagens:
•
Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois,
nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as
invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades.
Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele,
tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o
primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia,
porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito
a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas
as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.15-20).
•
... todavia, para nós há um só Deus, o Pai, de quem são todas as coisas e para
quem existimos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as
coisas, e nós também, por ele (1 Co 8.6).
•
de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as
coisas, tanto as do céu, como as da terra (Ef 1.10).
A
explicação mais natural e óbvia para este conceito Paulino é que o apóstolo
utiliza-se em Colossenses do ensino das Escrituras do Antigo Testamento sobre a
criação do homem e do mundo. O título que ele dá a Cristo, “primogênito de toda
a criação” é obviamente uma alusão à Adão. Esse título não é apenas uma
graduação, ordem ou posição, como a ocupada por Adão em relação à toda a
criação. Mas implica na autoridade de Cristo sobre toda a criação e sobre sua
Igreja, como o último Adão. Mais uma vez temos por detrás da passagem o conceito
Paulino de Cristo como último Adão ou segundo homem, conceitos escatológicos,
histórico-redentivos.
Um aspecto
interessante é que em 1 Coríntios 15 e Romanos 5 Paulo descreve Cristo como o
último Adão e o segundo homem, pois veio depois do primeiro Adão e do primeiro
homem na ordem da história da redenção. Mas em Cl 1.15-20, Cristo é o
Primogênito, a Imagem de Deus, que existia antes de Adão na ordem da história da
salvação. Em outras palavras, Paulo coloca Cristo no início e no fim da história
da redenção; entre essas duas posições existe uma relação bem elaborada e
estruturada.
As
estruturas fundamentais e as implicações escatológicas da pregação de Paulo são
evidentes: a nova criação que irrompeu no mundo presente em Cristo toma o lugar
da antiga criação representada por Adão. É, entretanto, muito mais gloriosa que
ela, devido à sua origem, seu cabeça e seu destino final.
11 CRISTO, O KYRIOS
EXALTADO QUE VIRÁ
Uma última
faceta do caráter escatológico, histórico-redentivo da pregação de Paulo, ainda
deve ser analisada, que é a ascensão de Cristo, seu assentar-se à mão
direita de Deus nos lugares celestiais e sua futura parousia (segunda
vinda de Cristo).
Alguns
estudiosos interpretam a doutrina da exaltação de Cristo na pregação de Paulo
como tendo sido uma evolução no pensamento do apóstolo. Segundo tais estudiosos,
frustrado com a demora da parousia, Paulo transformou a expectativa da
parousia do Filho do Homem escatológico da cristologia da Igreja primitiva,
numa experiência mística e cúltica com Cristo através do Espírito, sob a
influência do misticismo helenista. Assim, em sua cristologia, o centro
gravitacional teria mudado da expectativa da vinda do Filho do homem para
comunhão com o Kyrios pneumático.
Essa tese
foi defendida por aqueles estudiosos que achavam que a matriz formadora do
pensamento de Paulo era o helenismo e as religiões de mistério.
Resta
pouca dúvida que comunhão com o Cristo exaltado tem um lugar de importância na
pregação de Paulo, bem como o ensino sobre o Espírito Santo. Na verdade, Paulo
constantemente enfatiza que é no Espírito que essa comunhão com o Kyrios
exaltado acontece e que no Espírito o Kyrios exaltado abençoa e ministra à sua
Igreja, 2 Co 3.17; 1 Co 12.4-5; Ef 4.4-5. Mas isso nada subtrai do caráter
escatológico, histórico-redentivo da pregação de Paulo, e muito menos significa
que o centro da mesma é união com o Cristo presente no culto, conforme Boussett
e outros argumentaram.(Nicodemus, 2000).
Para
Paulo, bem como para toda a Igreja primitiva, o Espírito Santo é o dom
escatológico dos últimos tempos, a revelação da era grandiosa da salvação,
de acordo com as profecias do AT. Ao mesmo tempo, ninguém mais que Paulo
enfatiza que essa dispensação do Espírito é a dispensação interina, provisória,
que antecipa a consumação que jaz adiante na ordem da história da salvação.
Assim, o
Espírito nos traz as primícias (Rm 8.23), o penhor daquilo que
Deus haverá ainda de nos dar (2 Co 5.5; Ef 1.14), no qual os crentes são
selados para a redenção final (2 Co 1.22; Ef 1.13; 4.30). É o Espírito que
mantém viva neles a esperança e o anseio pela plena revelação dos filhos de Deus
(Rm 8.16,23,26). Portanto, não há a menor base para pensarmos que o centro de
gravidade da pregação de Paulo inclinou-se para a comunhão com o Senhor
pneumático exaltado, havendo perdido toda esperança escatológica. O conceito do
Espírito, em Paulo, é eminentemente escatológico.
É dessa
perspectiva que a relação profunda que Paulo estabelece entre Cristo e o
Espírito deve ser abordada, em particular, a interpretação de 2 Co 3.12. Essa
passagem é a principal usada para provar que para Paulo, Jesus, como o Kyrios
exaltado, era idêntico com o Espírito, um conceito derivado do helenismo.
Entretanto, aqui Paulo não está dando uma definição da natureza do Cristo
exaltado como se o mesmo fosse idêntico com o Espírito ou mesmo dissolvido nele.
Ao contrário, nessa passagem ele resume seu argumento no capítulo, que gira em
torno do contraste histórico/redentivo entre o ministério da letra e da morte,
da antiga aliança, e o ministério da vida e do Espírito, da nova aliança. Nessa
linha de pensamento, ele chama Cristo de “O Espírito” pois no Senhor, a obra
liberadora do Espírito é levada à pleno efeito, a nova aliança se cumpre e a
nova criação acontece.
A
expectativa do regresso futuro do Senhor exaltado, por fim, é central na
pregação de Paulo (seus diversos aspectos merecem um estudo a parte). É a
consumação indispensável da totalidade de sua pregação e tem uma relação
inseparável com o centro de seu kerygma. A revelação do mistério, o
resumo e o padrão da pregação de Paulo não se completará até que Cristo se
manifeste em glória. Aí, o último mistério será revelado (1 Co 15.51; Rm 11.25).
Conclusão
Ao
concluirmos este trabalho, chegamos ao final da abordagem sobre as estruturas
fundamentais da pregação de Paulo, tendo como ponto de partida da pregação do
apóstolo a sua convicção que, a vinda de Jesus Cristo marca o cumprimento das
antigas promessas dos profetas de Israel, a inauguração e a erupção do mundo
vindouro agora no presente.
Tivemos aqui a
oportunidade de mergulhar na “Teologia de Paulo”. Observamos como ele soube
tratar de um contexto particular com uma mensagem particular. E, ao mesmo tempo,
se apoiou de coração sobre um núcleo consistente, sobre um sistema de crenças e
uma visão de mundo, no meio da qual o apóstolo dos gentios se viu como um servo
do Messias, chamado que foi para ser um apóstolo, e separado para o evangelho do
Deus criador e da aliança.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
http://br.geocities.com/nucleodeestudoscristaos/introducao.html - acessado em
20.10.2007, Às 16h35m
http://www.icegob.com.br/marcos/FTBBpaul.htm - acessado em 24.10.2007 , às
20h58m
Nicodemus, Dr.
Augustus.
TEOLOGIA PAULINA.
Apostila, São Paulo, SP, 2000
in
http://www.icegob.com.br/marcos/apostila.pdf, acessado em 20.10.2007, às
17hs.
http://www.eventogospel.com.br/gospjoomla/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=345
acessado em 20.10.2007, às 17h17m
http://www.ntwrightpage.com/port/Wright_Romanos_Teologia_Paulo.pdf
acessado em 20.10.2007, às 17h21m
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