Livros e sites especializados afirmam que o nome Cláudio significa “coxo,
manco e aquele que anda com dificuldade” e Mônica quer dizer “solitária e
viúva”. Mas, será que esses nomes podem influenciar ou trazer uma carga
negativa para a vida da pessoa, traçando-lhe o destino?
O pastor Jorge Linhares, da Igreja Batista Getsêmani, em Belo Horizonte (MG)
afirma que sim, que os nomes podem ser amaldiçoados, pois amaldiçoar
significa maldizer, praguejar. “A Bíblia diz que Nabal (2 Samuel 25:3) era
maldoso e o seu nome realmente significava isso, Abrão teve seu nome mudado
para que recebesse uma promessa. Por isso, podemos concluir que o nome pode
amaldiçoar sim”, explicou.
Para Jorge Linhares, é melhor prevenir do que
remediar, escolhendo nomes que tenham um significado abençoado.
De acordo com Linhares, autor do livro “O melhor nome para seu filho”, as
culturas ocidentais não dão tanta importância aos nomes, já o povo de Israel
se preocupava muito e não colocava qualquer nome em seus filhos. “No Brasil,
90% das pessoas não sabem o significado de seus nomes e colocam em seus
filhos nomes motivados em personagens de novelas, pessoas famosas ou
parentes. Só que um cristão precisa entender que um filho é herança do
Senhor e deve merecer um nome bonito que vai lhe trazer satisfação. Foi o
próprio Deus quem escolheu o nome de Jesus”. Linhares ainda contou que é
procurado por muitas pessoas para orar contra o negativismo de alguns nomes.
“Acho que prevenir é melhor do que remediar”, concluiu.
De mesma opinião é o pastor Miguel Granato, da Igreja Água Viva de Botafogo,
zona sul do Rio de Janeiro. “Existe influência sim porque o poder do nome
retrata a pessoa, já que há uma invocação quando ele é pronunciado”,
afirmou. O líder atentou para o fato de que quando um nome tem um
significado maligno, como “filho das trevas” e expressões parecidas,
maldições podem ser profetizadas quando a pessoa é chamada.
Granato, no entanto, citou Provérbios 26:2, afirmando que “maldição sem
causa não se cumpre e que a maldição fica como andorinha procurando lugar
para pousar, se ela não encontra, não pousa, mas se há brechas (pecado), ela
se instala”. O pastor ensinou ainda a importância da apresentação da criança
recém-nascida no altar da igreja, como forma de consagrá-la a Deus,
profetizando bênçãos e cancelando qualquer tipo de maldição; e a necessidade
de escolher nomes que tenham bons significados e simbolizem o desejo de
felicidade e prosperidade na vida da criança.
Já o pastor Franklin Ferreira, da Igreja Batista do Cosme Velho, bairro do
Rio de Janeiro, disse que não há nenhuma conexão entre nome e maldição. “Não
acredito que nomes carreguem um significado que possa sugerir bênção ou
maldição. Para a cultura ocidental, não existe essa carga negativa ligada
aos nomes”. Franklin, que é teólogo e professor do Seminário Teológico
Batista do Sul do Brasil, explicou também que na Bíblia, geralmente, o nome
era dado sempre após o nascimento.
Citando o exemplo dos filhos de Noemi (Rute 1:2-5), Malon (significa
enfermidade) e Quilion (significa esgotamento), o professor explica que eles
receberam esses nomes porque nasceram doentes, descartando a possibilidade
de que seus nomes determinaram seus destinos (Malon e Quilion morreram
jovens). “Ficaremos próximos do paganismo, se pensarmos que um nome pode
determinar o destino de uma pessoa”. O estudioso foi enfático ao dizer que o
diabo não age no nome da pessoa, mas no coração sujo e na mente corrompida.
“O diabo vai usar o mundo para nos atrapalhar, não podemos entrar numa linha
supersticiosa”, disse.
Paulo Romeiro, pastor da Igreja Cristã da Trindade (SP), também acha que a
Bíblia não dá atenção aos nomes. “Judas significa louvor e traiu Jesus
(Lucas 22:3), Absalão significa pai da paz e ele teve uma vida transtornada
(2 Samuel 15). Na Bíblia temos nomes que tinham significados ruins, mas que
foram pessoas boas, como Apolo (Atos 18:24), que significa destruidor e foi
um grande pregador da Palavra de Deus”, defendeu Romeiro, que também é
professor de Ciências da Religião da Universidade Mackenzie.
Para ele, a mudança do nome de algumas pessoas na Bíblia não deixa uma regra
a ser seguida por nós. Ele citou ainda o exemplo de Daniel e seus amigos na
Babilônia (Daniel 1:7), que receberam nomes pagãos do rei Nabucodonosor e
não mudaram sua conduta fiel a Deus. Pelo contrario, foram grandes
testemunhos de fé.
O bispo Francisco de Almeida, da Igreja Sara Nossa Terra, na Barra da
Tijuca, no Rio de Janeiro, concorda com essa colocação, defendendo a tese de
que o que determina o destino de uma pessoa são as suas atitudes. “Não
acredito que um nome pode ser determinante na vida de uma pessoa. Para mim,
isso não é uma maldição. No Antigo Testamento, a família escolhia o nome
devido às circunstâncias do nascimento”, opinou.
Jabes de Alencar, é exemplo de que um nome não
determina necessariamente o destino de uma pessoa, pois seu nome
significa “aquele que nasceu causando dores”
Quem é exemplo de que um nome não determina necessariamente o destino de uma
pessoa é o pastor Jabes de Alencar, da Assembléia de Deus do Bom Retiro, na
capital paulista. Seu nome significa “aquele que nasceu causando dores”. Foi
dado por sua mãe, após ela sofrer a dor de perder um filho, que tinha o
mesmo nome. “Minha mãe me deu esse nome, mas orou com fé e determinação para
que minha sorte não fosse a mesma do meu irmão, e realmente não foi”.
Conforme Alencar, quando uma pessoa se converte ao Evangelho não há mais
nenhuma interferência maligna em sua vida, mas se ela ainda é sujeita às
coisas ruins do mundo, naturalmente está sujeita às influências do diabo.
RELAÇÃO ENTRE NOMES E PERSONAGENS BÍBLICOS
Apesar das opiniões divergentes sobre o assunto, é inegável a relação entre
os nomes bíblicos e a vida dos personagens das Escrituras. O nome de Jesus
significa “Deus é sua salvação” e Emanuel significa “Deus conosco” (Mateus
1:21-23). Com uma análise da vida de alguns profetas e comparação com seus
nomes, é possível facilmente notar essa relação. Isaías (“Deus é a
salvação”) profetizou a respeito de Jesus, enviado ao mundo por Deus para
salvar os homens (Isaías 7:14). Ezequiel (“Deus fortalece”), foi enviado ao
cativeiro para fortalecer o ânimo do povo no exílio e levar os rebeldes ao
arrependimento para também fortalecer o culto a Deus (Ezequiel 16 e 36:16) e
Jonas (“pomba”) fez a obra de um evangelista, sendo enviado a uma outra
nação, levando a mensagem de arrependimento e salvação, uma espécie de
“pombo-correio” (Jonas 3:2).
Há ainda Daniel (“Deus é meu juiz”), que viu a mão de Deus sendo seu
justificador, livrando-o das armadilhas (Daniel 6:22), Ageu (“festivo”)
levou ânimo aos exilados que voltaram a Israel e os estimulou a reconstruir
o templo. Não se pode esquecer também de Adão (“o homem”), Eva (“mãe de
todos os viventes”), Gideão (“lutador de espada”), José (“aquele que
acrescenta”), Rute (“amiga”) e Salomão (“prosperidade”).
Os pastores Miguel e Ana Granato ressaltam a
importância da consagração do recém-nascido no altar na igreja.
MUDANÇA DE NOME EM CULTOS PAGÃOS
Diversas seitas determinam que seus novos convertidos utilizem um pseudônimo
ou um nome, o que lhe daria uma nova identidade espiritual, uma ruptura com
a vida passada. É o caso do Hinduísmo, Budismo e o Islamismo onde a troca de
nomes é considerada uma troca espiritual e um momento sagrado.
Os novos nomes são sempre derivados do nome de algum deus daquela crença. As
ramificações dessas seitas também fazem uso de apelidos. Há também a Cabala
e a Numerologia, que através de seus experimentos com base na matemática e
no arranjo de letras, orientam seus adeptos a trocar de nome ou acrescentar
e retirar letras a fim de que a pessoa se livre de seu karma (uma espécie de
destino ruim) e tire todos os impedimentos que estariam dificultando o seu
sucesso e a sua prosperidade. No Cristianismo, essa prática não existe, mas
há a crença de que no céu, cada cristão receberá um novo nome, dado por Deus
(Apocalipse 2:17).
MUDANÇA DE NOME NO CARTÓRIO
Legalmente, aqueles que desejam mudar de nome podem fazê-lo, sem grandes
dificuldades. Desde que já tenha completado 18 anos, a pessoa deve se
dirigir à Vara de Registros e entrar com o pedido através de um advogado.
O processo costuma demorar de três e seis meses. É possível também mudar o
nome em caso de erros no momento do registro. Para fazer isso, pode-se
procurar o cartório diretamente.
ONOMÁSTICA: ESTUDO DOS NOMES BRASILEIROS
A Onomástica é um ramo da Lingüística que estuda os nomes próprios, seus
gêneros, suas origens e os processos de formação. Os nomes são chamados de
antropônimos. No caso do Brasil, a formação dos antropônimos foi
influenciada por vários povos e idiomas, dentre eles o português, o
espanhol, o italiano, o alemão, o hebraico, o árabe, o inglês, o francês, o
latim, o anglo saxão, o africano e o indígena.
No início da colonização do Brasil foram implantados
cartórios de registro civil somente nas principais cidades. Então, os padres
da Igreja Católica ficaram responsáveis por estabelecer através dos
casamentos e batizados, os nomes e sobrenomes. Porém, somente as crianças
com os nomes de origem bíblica, santos ou usados pelos fidalgos eram aceitos
para batizar, enquanto os de procedência indígena ou africana, eram
aconselhados a trocar por um desses nomes mais conhecidos dentro das classes
dominantes. Apesar das censuras impostas, se não houvesse esses livros de
registros, muitos nomes e sobrenomes de famílias teriam desaparecido.
NOMES CURIOSOS
Encontrar nomes
curiosos não é muito difícil. Basta visitar um cartório de registro civil.
São inacreditáveis os nomes que alguns pais deram a seus filhos, como é o
caso dos irmãos Epílogo, Verso, Estrofe, Poesia e Pessoína Campos ou os
irmãos Xerox, Autenticada e Fotocópia ou ainda Zigfrid, Zigfrida, Zingrid e
Ingrid.
Há também nomes
quilométricos como, por exemplo, o da Princesa Isabel, que assinou a Lei
Áurea. Ela assinava Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela
Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon. E o que dizer do jogador Óliude, que
já atuou nos times da Portuguesa e do Vasco, com o apelido “Capitão” e
Tospericagerja (em homenagem à seleção do tri: Tostão, Pelé, Rivelino,
Carlos Alberto, Gerson e Jairzinho) e Usnavy (em homenagem à U.S.Navy, a
Marinha Americana). Todos os nomes foram retirados do site Jus Navegandi (www.
http://jus.uol.com.br/), especializado em assuntos jurídicos.
NOMES MAIS USADOS
Uma pesquisa feita pela empresa “Certifixe” no primeiro semestre de 2005
mostrou quais nomes estavam sendo mais usados para registrar crianças
naquele período. Pela ordem de preferência, os 10 nomes de meninos mais
registrados foram: João, Gabriel, Lucas, Pedro, Matheus, Guilherme, Luiz,
Gustavo, Vinicius e Victor. Já os nomes de meninas mais escolhidos foram:
Maria, Ana, Julia, Letícia, Vitória, Yasmim, Bianca, Larissa, Beatriz e
Giovana.
Autora: Ariane Azeredo
Fonte: www.ebb.com.br